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Protagonistas: Parar de tentar se encaixar abre espaço para conquistar voz e liderança, defende Alessandra Souza, CMO da Omoda & Jaecoo
Publicado 02/10/2026 • 20:40 | Atualizado há 57 minutos
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Publicado 02/10/2026 • 20:40 | Atualizado há 57 minutos
KEY POINTS
Parar de tentar reproduzir padrões para se encaixar no ambiente corporativo foi uma das principais mudanças na trajetória profissional de Alessandra Souza, CMO da Omoda & Jaecoo Brasil. A executiva afirma que assumir a própria identidade ajudou a ampliar sua voz em um setor no qual, muitas vezes, foi a única mulher e a única mulher negra presente em reuniões.
Em entrevista nesta sexta-feira (2) ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, para o quadro Protagonistas, Alessandra contou que sua trajetória foi construída sem um plano previamente definido para chegar à liderança. Filha de uma dona de casa e de um zelador, ela atribui aos pais valores ligados à educação, ao trabalho e à ideia de que ninguém deveria determinar até onde poderia chegar.
“Ninguém me define. Eles sempre me ensinaram isso. Eu vou ser aquilo que eu quiser ser”, relembrou.
A entrada na indústria automobilística aconteceu durante a faculdade. Alessandra Souza cursava a Fatec quando encontrou um anúncio de estágio na Peugeot. Como já falava francês, decidiu participar do processo seletivo, enfrentou cinco entrevistas – uma delas no idioma – e conseguiu a vaga.
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A partir dali, a carreira ganhou impulso também com o apoio de outras mulheres. Alessandra destacou a importância de Ana Tereza Borsari, que se tornou sua mentora por mais de 20 anos. Ainda como estagiária, ela assumiu um processo crítico de certificação durante as férias da profissional responsável e conseguiu concluir o trabalho em uma semana. O desempenho contribuiu para sua contratação.
“Ao longo da minha carreira profissional, eu encontrei mulheres muito fortes, que viram em mim um potencial muito grande, e elas me ajudaram muito na construção da minha carreira”, relatou.
Depois de mais de duas décadas de experiência na indústria automotiva, incluindo passagens pela Peugeot e Stellantis e uma experiência internacional na Itália como diretora global da Fiat, Alessandra assumiu em 2026 o marketing da Omoda & Jaecoo no Brasil.
Ao comparar experiências profissionais em companhias de diferentes origens, Alessandra rejeita a ideia de que trabalhar com chineses seja necessariamente mais fácil ou mais difícil do que trabalhar com franceses. Para ela, as relações são diferentes, mas a liderança continua dependendo da capacidade de gerar propósito e valor para as pessoas.
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“A principal característica de um líder tem muito a ver com como ele consegue trazer valor e propósito para as pessoas. E as pessoas são as pessoas em qualquer lugar do mundo, não importa o idioma”, avaliou.
A decisão de aceitar o desafio na Omoda & Jaecoo teve dois fatores centrais. O primeiro foi profissional: Alessandra queria compreender um novo sistema de gestão para continuar competitiva no mercado de trabalho nos próximos anos. O segundo estava relacionado à própria proposta da companhia, criada com foco na exportação e em consumidores de fora da China.
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Siga o Times | CNBCNa Omoda & Jaecoo, Alessandra passou a enfrentar uma experiência diferente daquela vivida em empresas já consolidadas: construir uma marca praticamente do zero em um dos mercados automotivos mais competitivos.
Segundo a executiva, a companhia já superou 30 mil carros em um ano, mas ainda está formando sua base de consumidores e estabelecendo uma relação de confiança com o público. Nesse processo, o produto ocupa posição central.
“Entender a necessidade do seu cliente sempre foi e sempre será um driver importante para que você conquiste a atenção da pessoa”, disse.
Outro desafio é diferenciar a companhia das demais fabricantes chinesas. Alessandra defende que a Omoda & Jaecoo pode incorporar características culturais dos mercados onde atua – algo que ela definiu, de forma bem-humorada, como a possibilidade de desenvolver um “borogodó chinês”.
No Brasil, isso passa por uma estratégia de marketing regionalizada, que considera sotaques, particularidades e características de diferentes regiões do país.
A experiência como mulher negra em um setor predominantemente masculino também marcou sua trajetória. Alessandra Souza contou que esteve diversas vezes em reuniões nas quais era a única mulher ou a única mulher negra e relatou situações em que apresentava uma ideia sem receber atenção, para depois vê-la reconhecida quando repetida por outra pessoa.
Para ela, ampliar a presença feminina nesses ambientes também exige a participação ativa de quem já ocupa posições de poder, garantindo que mulheres tenham espaço para concluir argumentos e sejam efetivamente ouvidas.
A mudança mais importante em sua própria postura, segundo Alessandra, ocorreu quando decidiu deixar de reproduzir códigos que acreditava serem necessários para ocupar posições executivas.
“Quando eu parei de tentar me encaixar para caber, eu acho que consegui encontrar muito lugar de fala, de visibilidade, ser eu na gestão e condução dos meus projetos, da minha equipe”, contou.
Ela também ressaltou a importância das pessoas que a apoiaram profissionalmente, homens e mulheres que intervieram em momentos nos quais sua voz não recebia a devida atenção. Esse tipo de apoio, segundo Alessandra Souza, precisa ser reproduzido por quem conquista posições de liderança.
Ao definir o que significa ser protagonista da própria história, a executiva resumiu sua trajetória em duas palavras: superação e esperança.
“Para mim significa superação, muita superação. Superação da minha infância, das minhas dificuldades, dos meus bloqueios, das minhas crenças limitadoras. É sempre sobre superação e esperança”, concluiu.
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