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Protagonistas: Transformação da empresa pode ser oportunidade, não paralisia, diz Lucia Rossato, CEO da Medley

Publicado 25/09/2026 • 21:09 | Atualizado há 23 minutos

KEY POINTS

  • Lucia Rossato avalia que proximidade com equipes e clientes foi decisiva para conduzir a Medley durante sua transição operacional.
  • CEO afirma que a companhia manteve crescimento durante o processo e praticamente não registrou saída de profissionais.
  • Executiva aponta adaptabilidade como habilidade essencial em um ambiente marcado por inteligência artificial e mudanças constantes

Uma transformação empresarial de grande porte não precisa paralisar equipes nem comprometer o crescimento, segundo Lucia Rossato, CEO da Medley. Em entrevista nesta sexta-feira (25) ao quadro Protagonistas, do Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, a executiva afirmou que a proximidade com funcionários, clientes e operações tem sido fundamental para conduzir a companhia em meio à transição iniciada com a separação da Sanofi.

“Você não pode ter todas as respostas, mas você está perto, você está construindo cada dia”, disse Rossato. Para a executiva, liderar durante períodos de imprevisibilidade exige reconhecer que nem todas as respostas estarão disponíveis e, ao mesmo tempo, evitar que a incerteza afaste a liderança do cotidiano da empresa.

Rossato assumiu o comando da Medley em um período que descreve como uma das maiores transformações da história recente da companhia. A separação da Sanofi foi anunciada em dezembro de 2024, dando início a uma jornada de independência operacional.

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Crescimento em meio à transição

A CEO afirmou que uma mudança dessa dimensão costuma despertar receios sobre perda de funcionários, distração das equipes e desconfiança dos clientes, mas disse que a experiência da Medley mostrou que esse cenário não é inevitável.

“O maior crescimento da Medley foi no ano passado. E esse semestre a gente cresceu 21%. E a gente está fechando o semestre crescendo 29%”, relatou. Segundo Rossato, a companhia também atravessou o período com uma taxa muito baixa de saída de profissionais.

Para ela, esses resultados ajudam a mostrar que uma transição empresarial pode ser encarada de maneira diferente, sem necessariamente produzir paralisia dentro da organização. “A transformação pode ser, sim, uma experiência muito legal e divertida. Ela não precisa ser algo que paralise”, avaliou.

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A jornada ganhou uma nova variável com a intenção de compra da companhia, processo que, segundo Rossato, está sob análise do Cade. A executiva ressaltou que, enquanto aguarda essa etapa, o trabalho da Medley continua normalmente.

Primeira mulher no comando da Medley

Rossato também falou sobre o significado de ser a primeira mulher a ocupar a presidência da Medley. Para ela, chegar ao principal cargo executivo representa não apenas uma conquista individual, mas a possibilidade de mostrar a outras profissionais que posições de liderança estão ao alcance das mulheres.

“Ocupar esse papel significa, acima de tudo, dar o exemplo de que a gente pode chegar como mulheres onde a gente quiser”, afirmou.

A executiva destacou que a presença feminina na liderança da Medley supera a masculina e lembrou que, ao longo de aproximadamente 30 anos de carreira, viu profissionais talentosas interromperem trajetórias por não acreditarem que poderiam ocupar determinadas posições.

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Rossato disse que ela própria enfrentou a chamada síndrome da impostora e defendeu que as mulheres tenham mais confiança diante de oportunidades profissionais que envolvam funções ainda desconhecidas.

“O conselho que eu daria é: a gente tem que ser mais teimosa, acreditar mais. A gente aprende, todo mundo aprende, mas acho que temos que nos libertar um pouco dessa síndrome de impostora”, ressaltou.

Liderança próxima das pessoas

A executiva assumiu sua primeira função de liderança aos 24 anos e contou que a insegurança no início foi suficientemente intensa para fazê-la cogitar interromper a trajetória como gestora.

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Com o amadurecimento profissional, Rossato afirma ter desenvolvido maior naturalidade para lidar com erros e reconhecer que testar, falhar e aprender fazem parte da liderança. Uma característica, porém, permaneceu desde o início da carreira. “A minha essência sempre foi de uma liderança muito próxima das pessoas, muito próxima dos clientes”, explicou.

Segundo ela, preservar essa característica tornou-se especialmente importante sempre que assumiu novas equipes, áreas ou responsabilidades, inclusive ao chegar ao comando da Medley.

Adaptabilidade ganha peso com avanço da IA

Questionada sobre as habilidades humanas mais importantes diante do avanço da tecnologia e da inteligência artificial, Rossato apontou a adaptabilidade como uma competência fundamental.

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Para a CEO, modelos tradicionais em que funções e departamentos tinham atribuições rigidamente delimitadas estão perdendo espaço porque execução e transformação passaram a acontecer simultaneamente.

“Você executa, tenta acertar, revisa a rota e está de olho no futuro. Está de olho no concorrente”, explicou.

Rossato citou mudanças no próprio setor farmacêutico, incluindo novas formas de relacionamento dos consumidores com as farmácias e o avanço do comércio eletrônico, para mostrar como as empresas precisam acompanhar diferentes transformações ao mesmo tempo.

Inovar também significa abandonar práticas

A CEO defendeu ainda que a capacidade de adaptação não envolve apenas criar produtos, processos ou estratégias, mas reconhecer quando práticas que funcionaram no passado deixaram de produzir resultados.

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“Não é só inovar e criar. É parar de fazer. E como é difícil parar de fazer”, afirmou.

Segundo Rossato, desaprender e abandonar modelos antigos pode ser mais difícil do que adotar algo novo, principalmente quando existe uma ligação pessoal com decisões que deram certo anteriormente. “Não deu mais certo porque o mundo mudou. Então, parar, às vezes, é mais desafiador do que fazer diferente”, acrescentou.

Carreira como responsabilidade individual

Ao falar sobre protagonismo profissional, Rossato afirmou que empresas e líderes podem facilitar o desenvolvimento, mas a responsabilidade pela trajetória permanece com cada profissional, independentemente do nível hierárquico.

“Você é o protagonista da sua carreira”, afirmou. “Eu falo isso para o estagiário. Eu falo isso para um diretor.”

Para a CEO da Medley, cada profissional tem diariamente a possibilidade de fazer escolhas sobre sua trajetória e sua relação com o trabalho. “Protagonismo é uma das palavras, para mim, mais importantes do meu dicionário de vida”, concluiu.

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