CNBC

CNBCAscensão da IA na Coreia do Sul está remodelando relacionamentos, reality shows e preferências acadêmicas

Empresas & Negócios

Protagonistas: Diversidade precisa estar no negócio, não apenas no discurso, diz diretora da L’Oréal Brasil

Publicado 03/09/2026 • 21:11 | Atualizado há 36 minutos

KEY POINTS

  • Diversidade ganha impacto quando deixa de ser apenas um compromisso institucional e passa a orientar produtos, consumidores e decisões de negócio, afirma Helen Pedroso.
  • Primeira mulher negra a integrar o C-Level da L'Oréal Brasil, executiva construiu trajetória de mais de 20 anos entre terceiro setor, sustentabilidade e direitos humanos.
  • Diretora defende que empresas usem sua escala para promover inclusão e vê no Brasil espaço para desenvolver soluções sociais e ambientais com alcance global.

A diversidade precisa fazer parte da estratégia das empresas e da forma como elas entendem seus consumidores, em vez de permanecer apenas no discurso corporativo, afirmou Helen Pedroso, diretora de Responsabilidade Corporativa e Direitos Humanos da L’Oréal Brasil. Para a executiva, reconhecer as diferentes características da população brasileira permite conectar inclusão, impacto social e oportunidades de negócio.

Em entrevista ao quadro Protagonistas, do Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, Helen falou sobre sua trajetória de mais de 20 anos em sustentabilidade, direitos humanos e governança, construída entre organizações da sociedade civil e o setor privado, além da experiência na Rede Brasil do Pacto Global da ONU.

A grande sacada da L’Oréal no Brasil é entender que diversidade é negócio”, afirmou Helen, ao destacar a necessidade de colocar o consumidor no centro das decisões e compreender as particularidades do mercado brasileiro.

Leia também: Protagonistas: Empreendedoras precisam aprender a contratar e delegar para crescer, diz Tatyane Luncah, fundadora da EBEM

De bolsista à primeira mulher negra no C-Level

A trajetória profissional de Helen foi marcada por uma história pessoal de perdas, dificuldades financeiras e acesso à educação por meio de bolsas de estudo. Órfã ainda jovem, ela contou que os irmãos tiveram papel decisivo para que continuasse estudando.

Eu falo que eu sou o resultado de várias famílias”, disse. Helen relatou que houve períodos em que precisou estudar na casa de uma amiga porque não tinha comida em casa, experiência que considera parte da construção de sua visão sobre desigualdade e impacto social.

Formada em psicologia, ela começou a encontrar o caminho profissional ainda muito jovem. Por meio de uma oportunidade com a médica Albertina Duarte, Helen participou de um programa de saúde do adolescente e, aos 19 ou 20 anos, viajou a Washington para representar o Brasil em uma iniciativa da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) sobre protagonismo juvenil.

Leia também: Protagonistas: Tecnologia acelera marketing, mas criatividade decide escolha do consumidor, diz Yonah Kochen, da Nestlé

Eu me lembro chegando em Washington, na porta da Opas, e aquela experiência internacional falando de política pública, eu falei: ‘É isso, é isso’. Foi aquele clique”, recordou. A partir dali, direcionou a carreira para projetos relacionados a saúde, desenvolvimento social e gestão do terceiro setor.

A chegada ao mundo corporativo ocorreu mais tarde. Helen contou que assumiu sua primeira posição como executiva perto dos 50 anos, tornando-se a primeira mulher negra a alcançar uma posição de C-Level na companhia no Brasil.

Com muita humildade, voltei a ser aprendiz aos quase 50 anos, há quatro anos, com minha primeira posição como executiva e primeira mulher negra numa posição C-Level. Então, uma responsabilidade grande e estou aprendendo”, afirmou.

Leia também: Protagonistas: Mulheres precisam assumir o controle do próprio patrimônio, diz cofundadora da Lifetime W

‘Diversidade é negócio’

Ao falar sobre a diferença entre empresas que incorporam diversidade à estratégia e aquelas que tratam o tema apenas como discurso, Helen apontou o conhecimento do consumidor como elemento central.

Segundo a executiva, características do brasileiro, desde hábitos cotidianos até a relação com fragrâncias, produtos e inovação, precisam ser consideradas pelas empresas. Ela também ressaltou que pretos e pardos representam 56% da população, dado citado durante a entrevista para explicar a dimensão do tema para os negócios.

É olhar para esse consumidor no centro, entender esse consumidor, quais são as demandas desse consumidor, o que esse consumidor está buscando como experiência”, explicou.

Leia também: Protagonistas: IA só gera resultados quando pessoas, processos e tecnologia evoluem juntos, diz Amanda Andreone, da Genesys

Helen também abordou como sua própria percepção sobre identidade racial foi construída ao longo da vida e falou sobre passabilidade, conceito que relacionou às diferenças de tratamento enfrentadas por pessoas negras de diferentes tons de pele.

É importante a gente refletir também nessa minha responsabilidade, na posição que eu estou, de entender que, na minha experiência, eu sofri muito menos hostilidade do que outras mulheres negras de pele retinta”, ressaltou.

Times Brasil - CNBC

Siga o Times | CNBC no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo.

Siga o Times | CNBC

Executiva relata episódio de racismo em São Paulo

Durante a entrevista, Helen relatou um episódio ocorrido no ano passado, em uma hamburgueria nos Jardins, em São Paulo. Ela havia comprado um lanche e, quando foi buscá-lo, o proprietário do estabelecimento retirou o pedido de sua mão e disse que aquele produto era “de cliente”.

Leia também: Protagonistas: Líderes precisam dominar a comunicação para construir reputação, diz cofundadora da Betafly

Segundo a executiva, o homem posteriormente explicou que havia imaginado que ela trabalhava para um aplicativo de entregas e estivesse retirando o pedido de outra pessoa.

Ele falou isso, Cris, sem nenhuma consciência, achando que tudo bem: ‘Estou te explicando’. E não estou me justificando e não estou pedindo desculpas. É isso”, relatou Helen.

A executiva relacionou experiências desse tipo à importância de empresas compreenderem como consumidores negros são tratados. Ela citou o Afroluxo, iniciativa da divisão de luxo da L’Oréal, e a criação de um código voltado à inclusão do consumidor negro, que, segundo Helen, reúne mais de 18 empresas, inclusive concorrentes.

Leia também: Protagonistas: O maior desafio é saber utilizar a IA de forma responsável e produtiva, diz Cinthia Nespoli, CEO da Pearson

Ele não tem um valor jurídico, mas tem um valor moral. E a gente quer cada vez mais falar sobre isso, porque essa é uma realidade”, afirmou.

Brasil pode se tornar laboratório de soluções

Helen também destacou o peso estratégico do Brasil para a L’Oréal. Segundo ela, o país está entre os 10 a 15 maiores mercados da companhia no mundo, com perspectiva de crescimento.

Na frente social, a executiva afirmou que o Fundo L’Oréal para Mulheres alcançou mais de 13 mil mulheres nos últimos três anos, por meio de projetos relacionados a formação e inclusão produtiva. “Quanto o Brasil tem oportunidade de mulheres empreendedoras para que a gente possa construir esse caminho”, disse Helen.

Leia também: Protagonistas: Inovação começa nas pessoas, não na tecnologia, diz Glaucia Guarcello, CEO da HSM

Ela também citou iniciativas ambientais desenvolvidas no país, entre elas um projeto com biometano que está sendo analisado para expansão a outros países da América Latina.

Quando a gente pensa também em adaptabilidade, pensa na adaptação climática, o quanto o Brasil também pode ser um polo de experiência para receber investimento”, afirmou.

Voluntariado como porta de entrada

Para mulheres interessadas em construir uma carreira ligada à diversidade e ao impacto social, Helen recomenda começar pelo trabalho voluntário. Na avaliação da executiva, organizações do terceiro setor precisam cada vez mais de profissionais com conhecimentos técnicos em áreas como marketing, gestão e captação de recursos.

Eu sempre recomendo realmente que as pessoas vivenciem primeiro essa experiência para conhecer na prática antes de fantasiar talvez o desafio que é, porque realmente tem que ter muita resiliência”, destacou.

Leia também: Protagonistas: Empreendedoras precisam se reconhecer como CEOs, diz sócia da EY Raquel Teixeira

Ao definir o que significa ser protagonista da própria história, Helen voltou à ideia de uma trajetória construída coletivamente, marcada pelas pessoas que contribuíram para que chegasse à posição que ocupa hoje.

Ser protagonista é você olhar para a sua trajetória, reconhecer as pessoas que te trouxeram até aqui e fazer novas parcerias para que a gente consiga ir para frente”, afirmou. Para Helen, ocupar uma posição de liderança também significa construir alianças para abrir espaço a outras mulheres negras e homens que possam seguir caminhos de impacto.

📌 ONDE ASSISTIR AO MAIOR CANAL DE NEGÓCIOS DO MUNDO NO BRASIL:


🔷 Canal 562 ClaroTV+ | Canal 562 Sky | Canal 592 Vivo | Canal 187 Oi | Operadoras regionais

🔷 TV SINAL ABERTO: parabólicas canal 562

🔷 ONLINE: www.timesbrasil.com.br | YouTube

🔷 FAST Channels: Samsung TV Plus, LG Channels, TCL Channels, Pluto TV, Roku, Soul TV, Zapping | Novos Streamings

Siga o Times Brasil - Licenciado Exclusivo CNBC no

MAIS EM Empresas & Negócios