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Protagonistas: Empreendedoras precisam aprender a contratar e delegar para crescer, diz Tatyane Luncah, fundadora da EBEM
Publicado 27/08/2026 • 20:59 | Atualizado há 1 hora
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Publicado 27/08/2026 • 20:59 | Atualizado há 1 hora
KEY POINTS
A falta de gestão é um dos principais obstáculos para que mulheres deixem de apenas empreender e consigam construir empresas sustentáveis e independentes de sua presença diária, segundo Tatyane Luncah, fundadora da Escola Brasileira de Empreendedorismo Feminino (EBEM). Para ela, dominar um produto ou serviço e conseguir vendê-lo não significa necessariamente saber administrar uma empresa.
Em entrevista ao quadro Protagonistas, do Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, Tatyane afirmou que a dificuldade aparece quando o negócio começa a exigir conhecimentos que vão além da atividade que motivou sua criação. “O ponto de estrangulamento realmente de uma empreendedora para se tornar uma empresária, que é uma diferença muito grande, é ela entender de gestão, de contratação de pessoas, de engajamento de time”, explicou.
Segundo a empresária, educação financeira, marketing, construção de marca e comunicação também fazem parte dessa transição. Sem essas competências, um negócio pode vender bem e ainda assim enfrentar dificuldades. “Muitas mulheres até faturam super bem, mas a falta de gestão faz com que o negócio acabe falindo, porque mistura o dinheiro”, destacou.
Para Tatyane, existe uma diferença importante entre ter uma mentalidade empreendedora e conseguir comandar uma empresa estruturada. A primeira está ligada à iniciativa, à capacidade de encontrar soluções e à disposição para fazer acontecer.
“Ser empreendedora, eu acho que é o mindset, é a mentalidade, é o fazer, é o acontecer, é ser inconformada, é realmente sempre achar uma solução”, afirmou. O problema surge quando toda a operação permanece concentrada na própria fundadora.
Nesse cenário, a promessa de conquistar autonomia por meio do empreendedorismo pode produzir o efeito contrário. “Ela se torna escrava do próprio negócio. Então ela não imagina que muitas vezes está criando dentro daquele negócio a sua própria escravidão”, disse. Segundo ela, há mulheres que começam uma empresa imaginando que terão mais tempo para os filhos, para a família ou para viajar, mas acabam ampliando significativamente a jornada de trabalho.
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A transformação em empresária exige, na avaliação da empresária, liderança, contratação adequada e processos que permitam ao negócio funcionar sem depender permanentemente da dona. “É você saber liderar uma empresa, saber realmente contratar pessoas certas, criar processos para o teu negócio, processos claros, onde você possa sair do teu negócio e ele funcionar”, ressaltou.
A fundadora da EBEM defende que uma das primeiras decisões de quem pretende crescer seja buscar uma proposta diferente daquela já oferecida pelo mercado. “Vai criar um negócio, crie algo diferente. Eu sei que as pessoas modelam demais, mas tem que ser algo genuíno”, afirmou.
Depois de validar a ideia, o desafio passa a ser construir uma equipe capaz de dividir responsabilidades. “Você não consegue dar conta de tudo. […] Nós temos só 24 horas”, lembrou. Para ela, contratar pessoas alinhadas ao propósito da empresa é fundamental para que a organização deixe de depender exclusivamente de sua criadora.
A empresária faz uma distinção direta entre uma organização estruturada e uma atividade que existe apenas enquanto a fundadora está presente. “Tem muitas pessoas que falam: ‘Eu prefiro ficar pequenininha aqui e realmente não contratar ninguém’. Só que ela não tem uma empresa. O que ela tem é um negócio. Se ela morrer, o negócio morre com ela”, afirmou.
Além das pessoas, processos bem definidos são necessários para eliminar a centralização. Tatyane contou já ter acompanhado empresárias com faturamento anual de R$ 10 milhões que ainda eram acionadas para resolver questões operacionais simples. “Tem que ter pessoas muito bem engajadas, processos muito bem definidos e, claro, estruturação de negócio com diferenciais”, pontuou.
Construir uma empresa com recursos próprios pode ser mais difícil do que administrar grandes estruturas corporativas, justamente porque a pequena empreendedora frequentemente começa sem conhecimento suficiente sobre todas as áreas necessárias ao funcionamento do negócio.
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Siga o Times | CNBC“Ser empresária é muito bom. Agora, ser empreendedora é praticamente um inferno aqui na Terra, porque muitas vendem o almoço para poder pagar o jantar”, afirmou. Para ela, colocar as próprias economias em uma empresa aumenta o peso das decisões tomadas sem formação adequada.
Saber produzir algo, portanto, representa apenas uma parte do processo. “Você acha: ‘Poxa, eu sei fazer bolo, então eu vou abrir uma boleria’. Mas não é só isso. Você precisa saber educação financeira, precisa entender de gestão, precisa saber de contratação de gente, precisa saber alinhamento, marketing, brands, arquétipos”, enumerou.
Nesse início, construir uma rede de relacionamentos também pode ajudar a testar ideias e evitar decisões isoladas. Tatyane defende conexões baseadas na troca e na disposição de ajudar, e não apenas na busca imediata por vantagens comerciais.
“Vale muito a pena realmente a gente cada vez mais trabalhar essa conexão e tentar ser útil para as pessoas”, disse. Segundo ela, conversar com outras pessoas pode ajudar a validar uma ideia antes de grandes investimentos, porque “não adianta nada você ter a melhor empresa do mundo, o melhor negócio do mundo, se as pessoas não conhecem, se as pessoas não compram”.
Ao acompanhar empresas que conseguiram registrar expansões expressivas, Tatyane identificou um problema recorrente entre negócios que chegam a um determinado patamar e param de avançar: o conhecimento da própria fundadora também pode atingir um limite.
“Às vezes, quando a empresa estagna, é porque você já colocou tudo que você tinha de conhecimento aqui, você já chegou no seu platô máximo”, explicou. Nesse momento, considera importante recorrer a mentores, consultores e profissionais que tenham experiência em etapas posteriores de crescimento.
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Além da gestão, ela aponta a cultura empresarial como elemento capaz de sustentar a expansão. Tatyane relatou ter encontrado companhias com décadas de existência e mais de 100 funcionários que ainda não tinham incorporado efetivamente missão, visão e valores à rotina.
“A cultura é a espinha dorsal do seu negócio”, definiu. Para a empresária, esses princípios precisam orientar decisões mesmo quando a liderança não está presente. “Depois que elas definiram a cultura empresarial e fizeram o caminho, a lição de casa, correto, aí tudo abriu”, acrescentou.
Em meio à expansão da inteligência artificial, a empresária considera que a tecnologia precisa ser acompanhada pelo desenvolvimento de capacidades essencialmente humanas. “Não dá para a gente realmente vivenciar esse mundo de inteligência artificial se a gente não tem inteligência emocional”, afirmou.
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A empresária também defende que as empresas entendam os diferentes perfis comportamentais de seus funcionários para colocá-los em funções compatíveis com suas características. “Por muitas vezes a gente tem verdadeiros diamantes no nosso time, mas eles estão sentados em cadeiras erradas”, explicou.
A trajetória da própria Tatyane começou cedo. Ela contou que passou a trabalhar aos 11 anos, vendendo pastel na feira, e abriu seu primeiro negócio aos 21. Durante a pandemia, quando o mercado de eventos em que atuava foi fortemente atingido, começou a realizar transmissões pela internet para compartilhar conhecimento com outras mulheres. A experiência deu origem à Ebem, estruturada em 2020 e lançada em 2021.
Para ela, tecnologia e conhecimento de gestão não eliminam a importância de compreender aquilo que move cada pessoa. “Em época de tanta inteligência artificial, de tanta tecnologia, realmente o fato de sermos humanos é o nosso maior diferencial”, concluiu.
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