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Protagonistas: Liderança exige romper padrões e preservar a identidade, diz Lorice Scalise, presidente da Roche Farma Brasil
Publicado 18/09/2026 • 21:38 | Atualizado há 46 minutos
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Publicado 18/09/2026 • 21:38 | Atualizado há 46 minutos
KEY POINTS
Romper com modelos de liderança construídos historicamente a partir de referências masculinas sem abrir mão da própria identidade é um dos principais desafios das mulheres que chegam ao comando das organizações, afirmou Lorice Scalise, presidente da Roche Farma Brasil, em entrevista nesta sexta-feira (18) ao quadro Protagonistas, do Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC.
Primeira mulher e primeira latino-americana a comandar a operação brasileira da companhia, Scalise disse que a chegada de uma mulher a uma posição tradicionalmente ocupada por homens não elimina automaticamente as expectativas associadas a quem esteve naquele cargo anteriormente.
“Quando você ocupa uma cadeira que historicamente foi ocupada por um homem, ela tem um arquétipo sentado ali, ela tem o peso de uma figura que sempre ocupou aquele lugar”, afirmou.
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Scalise entrou na Roche em 2000 como representante de vendas, passou por diferentes funções, trabalhou na Suíça, comandou a operação na Argentina e retornou ao Brasil em 2023 para assumir a presidência da Roche Farma. Ela também foi a primeira mulher a ocupar a principal posição da companhia na Argentina.
Ao falar sobre essa trajetória, a executiva afirmou que a expectativa sobre uma mulher muda rapidamente quando surgem as primeiras situações críticas no comando.
“Na primeira situação crítica, o que eles esperam de você é exatamente o comportamento de quem sempre sentou ali, daquele arquétipo que sentava naquele lugar”, disse.
Para Scalise, o desafio está em demonstrar que resultados podem ser alcançados por estilos diferentes de liderança, em vez de reproduzir o padrão de quem ocupava anteriormente aquela posição.
“O mais difícil é você desconstruir esse arquétipo e provar que é possível fazer de outra forma. Eu lidero de uma forma completamente diferente”, afirmou.
A presidente da Roche Farma Brasil disse ainda que essa mudança não beneficia apenas mulheres, mas abre espaço para que qualquer profissional exerça a liderança a partir das próprias características.
“Tem que ser um compromisso das mulheres que chegam nesta posição liderar sob a sua perspectiva. E não é uma desconstrução só para as mulheres, é uma desconstrução para que qualquer pessoa que sente ali possa exercer plenamente a sua liderança, apoiando na sua singularidade”, ressaltou.
A executiva reconheceu que ser pioneira em posições de comando trouxe uma responsabilidade adicional. Segundo ela, existe a percepção de que um eventual fracasso pode ser interpretado para além de seu desempenho individual. “Tem um peso, sim, para ser bem sincera. Tem um peso. Eu falo que, ao mesmo tempo que é um privilégio, é uma honra para mim”, afirmou.
Scalise disse sentir um compromisso com as mulheres que abriram caminho antes dela e com aquelas que ainda chegarão a posições semelhantes. “Eu não quero, não posso falhar porque não é uma questão minha, é uma questão do meu tecido social. Aí vão dizer: ‘É por isso que nunca teve uma mulher’”, disse.
Segundo a executiva, situações de desigualdade ainda aparecem ao longo de sua trajetória, algumas de maneira explícita e outras de forma mais difícil de identificar. “Sim, eu senti e sinto até hoje. Acho que tem momentos e algumas situações em que essas questões são bem evidentes”, afirmou.
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Siga o Times | CNBCMãe de três filhos, Scalise também relacionou a maternidade à construção de seu estilo de liderança, principalmente pela ampliação da atenção ao outro, da empatia e da responsabilidade sobre as consequências das próprias decisões. “A maternidade traz esse lugar do olhar do outro, desperta em você essa questão do cuidado, da relação com o outro, da empatia”, explicou.
Para ela, liderar não significa resolver os problemas das pessoas, mas ajudá-las a reconhecer e desenvolver os próprios recursos. “Não é sobre o que eu posso fazer, mas sempre foi sobre como eu entendo os recursos do outro e ajudo aquela pessoa a encontrar os seus próprios recursos e expandir”, afirmou.
Scalise define sua liderança como “extremamente humana”, mas ressalta que isso não significa abandonar critérios objetivos. “A minha liderança é muito dura com relação aos fatos. Acho que os fatos são superimportantes, a gente trazer os dados, sair de um lugar de percepção”, disse.
Para profissionais que pretendem chegar a cargos de liderança, Scalise apontou autoconhecimento, definição de objetivos e disciplina como elementos fundamentais. “A primeira coisa é saber quem somos, o que a gente quer e o que a gente não negocia. Ter uma situação de autoconhecimento, de identidade”, afirmou.
A executiva também defendeu que a liderança seja construída a partir de uma visão clara sobre o legado que se pretende deixar, evitando decisões tomadas apenas como reação aos acontecimentos cotidianos.
“Que organização eu quero? Que organização eu acredito? Qual é o legado que eu quero deixar? Onde eu tomo essa organização aqui e onde eu quero deixá-la depois de um período?”, exemplificou.
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Para Scalise, porém, definir objetivos não basta sem constância para persegui-los. “Nós podemos aprender absolutamente tudo a que a gente se predisponha, mas você precisa ter disciplina e consistência”, afirmou.
Ao tratar das transformações na medicina, a presidente da Roche Farma Brasil afirmou que inteligência artificial, dados, medicina de precisão e outras tecnologias devem acelerar descobertas e modificar profundamente a saúde nos próximos anos.
“Eu acho que tudo ainda vai mudar, a gente está só começando. Porque todas essas ferramentas vão acelerar muitíssimo tudo que a gente fala de descobertas, de medicina, de inovação, de qualidade de vida”, disse.
Scalise ponderou, no entanto, que o avanço tecnológico não deve ser medido apenas pela capacidade de ampliar a longevidade ou melhorar a condição física das pessoas.
“A minha preocupação, ou onde eu tenho maior atenção, é: será que socialmente e mentalmente nós estaremos melhores? O que a gente tem que fazer para chegar lá com bem-estar físico, mental e social?”, questionou.
Para a executiva, o desafio será usar ciência e tecnologia para avançar simultaneamente nessas diferentes dimensões da saúde, em vez de concentrar os ganhos apenas no bem-estar físico.
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