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Sem Buffett no palco: 7 pontos que investidores monitoram na estreia de Greg Abel à frente da Berkshire Hathaway

Publicado 02/05/2026 • 09:59 | Atualizado há 2 meses

KEY POINTS

  • A reunião anual da Berkshire Hathaway começa neste sábado (2) em Omaha, Nebraska, sob otimismo cauteloso entre investidores.
  • É o primeiro encontro desde que Warren Buffett deixou o cargo de CEO após seis décadas à frente do conglomerado avaliado em US$ 1,03 trilhão.
  • E, pela primeira vez, será Greg Abel quem conduz o palco, no maior evento de acionistas do mercado corporativo americano.

David A. Grogen | CNBC

Warren Buffett e Greg Abel na Assembleia Anual de Acionistas da Berkshire Hathaway em Omaha, Nebraska, 3 de maio de 2025.

A reunião anual da Berkshire Hathaway começa neste sábado (2) às 10h30 (horário de Brasília) em Omaha, Nebraska, sob otimismo cauteloso entre investidores. É o primeiro encontro desde que Warren Buffett deixou o cargo de CEO após seis décadas à frente do conglomerado avaliado em US$ 1,03 trilhão — e pela primeira vez será Greg Abel quem conduz o palco, no maior evento de acionistas do mercado corporativo americano.

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1. A estreia de Greg Abel no palco principal

Pela primeira vez, Abel lidera a assembleia anual como CEO. Ele fará uma apresentação de cerca de uma hora sobre os negócios da Berkshire e, depois, responderá a perguntas dos acionistas por aproximadamente duas horas e meia.

A mudança reduz o tempo total de interação em relação ao modelo anterior, quando Buffett e Charlie Munger costumavam passar cerca de cinco horas em perguntas e respostas.

Entre os acionistas, há ceticismo sobre a capacidade de Abel de ocupar o palco com o mesmo carisma. “Acho que todos teremos cautela quanto à continuidade do legado”, disse Kim Shannon, da Sionna Investment Managers. Mas ela e outros investidores ressaltam que confiam na escolha de Buffett e que o legado foi desenhado para resistir.

2. O que fazer com US$ 373 bilhões em caixa

Talvez nenhum desafio seja maior para Abel do que decidir como investir o caixa da Berkshire, que encerrou 2025 em cerca de US$ 373 bilhões. A empresa não fez nenhuma aquisição relevante em uma década e não paga dividendos desde 1967.

“Isso desempenhará um papel fundamental no futuro da Berkshire”, disse à CNBC Paul Lountzis, da Lountzis Asset Management, que participa de sua 34ª reunião anual. “Com um valor de mercado de US$ 1 trilhão, é uma empresa grande. E isso torna o crescimento muito mais difícil.”

Abel retomou as recompras de ações em março, as primeiras desde maio de 2024. Em janeiro, a Berkshire pagou US$ 9,5 bilhões pelo negócio de produtos químicos da Occidental Petroleum, mas não há grandes aquisições no horizonte recente.

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3. Resultados sob pressão

Os números de 2025 não ajudam a animar a plateia. O lucro operacional caiu 6%, para US$ 44,49 bilhões, ante US$ 47,44 bilhões. O lucro líquido recuou 25%, para US$ 66,97 bilhões. O reflexo é, em parte, de baixas contábeis de US$ 8,26 bilhões em investimentos como Kraft Heinz e Occidental Petroleum.

As ações da Berkshire acumulam queda de mais de 5% em 2026, enquanto o S&P 500 sobe 4%. Desde que Buffett anunciou sua saída, no ano passado, o papel caiu 12% — contra uma alta de 25% do índice.

4. Quem cuida do portfólio de ações?

Os acionistas também devem observar de perto como Abel lida com o portfólio de ações da Berkshire, avaliado em aproximadamente US$ 300 bilhões, que inclui Apple, American Express, Coca-Cola e cinco casas comerciais japonesas.

Abel, sem experiência formal em gestão de ações, herdou 94% do portfólio que Todd Combs administrava antes de sair para o JPMorgan Chase em dezembro. Ted Weschler cuida dos 6% restantes.

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5. Tarifas, inflação e silêncio

A Berkshire pouco ou nada disse publicamente sobre como as tarifas, os preços mais altos do petróleo e a confiança do consumidor, em níveis historicamente baixos, afetam seus negócios específicos. Os acionistas devem pressionar por respostas neste sábado.

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“Alguns investidores podem querer ver Greg provar seu valor no cargo antes de investirem ainda mais. Estou confiante, mas o mercado está demonstrando cautela”, disse Lawrence Cunningham, professor de direito e governança da Universidade de Delaware e autor de vários livros sobre a Berkshire, à CNBC.

6. Buffett ainda está no jogo, mas de longe

Buffett permanece como presidente do conselho e planeja assistir à assembleia da plateia. Ele afirmou que vai ao escritório diariamente e está disponível para ajudar Abel com investimentos ou dar conselhos. No entanto, a palavra final é de Abel.

A presença de Buffett, mesmo que discreta, ainda pesa. “Você pergunta: ‘O que você sabe sobre Omaha?’, e a resposta é: ‘Warren Buffett'”, disse Ernie Goss, economista da Universidade Creighton. “Não consigo pensar em outra cidade do tamanho de Omaha que possa ser associada a uma única pessoa.”

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7. Menos gente, mesma tradição

Os hotéis de Omaha relatam queda nas reservas em relação ao ano anterior, especialmente entre visitantes internacionais. Alguns analistas estimam que a frequência ao evento pode cair pela metade nos próximos anos, agora que Buffett não está mais no palco principal.

“As pessoas vieram para ouvir Warren e Charlie”, disse Jasmyn Goodwin, diretora executiva da Visit Omaha. “Na verdade, não vieram para ouvir falar sobre a Berkshire. Mas espero que Abel e os outros executivos falem sobre a Berkshire.”

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