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Juros altos e queda nas rodadas de venture capital fazem startups recorrerem ao ‘bootstrapping’ para crescimento
Publicado 02/09/2026 • 11:15 | Atualizado há 1 mês
Publicado 02/09/2026 • 11:15 | Atualizado há 1 mês
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Foto: Freepik.
Com a Selic mantida em 14% ao ano e o crédito restrito no Brasil, startups passam a recorrer ao bootstrapping como forma de bancar o próprio crescimento com receita própria em 2026. Levantamento do Distrito, plataforma de inteligência do setor, registrou queda de 13% no volume total investido e recuo de 22% no número de rodadas de venture capital no país em relação ao ano anterior.
🔍 Bootstrapping é o termo usado para descrever o modelo de negócio em que a empresa cresce sem depender de aportes externos, financiando a própria operação com o dinheiro gerado pelos clientes. A expressão vem do inglês “pull yourself up by your bootstraps (calçar a bota utilzando a alça traseira)”, que remete à ideia de progredir com recursos próprios, sem ajuda de terceiros. Na prática, a fundadora ou o fundador mantém o controle integral do negócio e evita a diluição de participação que ocorre a cada nova rodada de captação.
Além disso, a LAVCA (Latin American Private Capital Association) aponta que o mercado latino-americano de capital de risco se estabilizou na casa de US$ 4 bilhões por ano, distante do pico de US$ 15,7 bilhões registrado em 2021. Com o afunilamento mantido no primeiro semestre de 2026, o cliente pagante passa a ocupar o papel de principal financiador das startups.
Assim, o bootstrapping, modelo de crescimento sustentado por receita própria e sem aportes externos, retoma espaço entre as estratégias de sustentabilidade do setor de tecnologia.
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Para Guilherme Camargo, CEO da SX Group, venture builder dedicada ao desenvolvimento e aceleração de negócios, o momento atual expõe fragilidades no modelo de crescimento baseado na queima acelerada de caixa. O executivo pondera que o venture capital funciona como ferramenta de aceleração, mas não substitui a validação de mercado.
Segundo Camargo, em 2026, com juros altos e captações seletivas, empresas que dependem apenas de narrativas e aportes contínuos deixam de fechar as contas. Quando o cliente paga mensalmente pela solução, o produto é validado; quando a operação depende de rodadas a cada 12 meses só para cobrir custos fixos, a tese passa a carregar risco financeiro elevado, avalia o executivo.
A DNA Conteúdo, empresa de educação corporativa especializada em edutainment, exemplifica esse movimento na prática. Sem aportes externos desde a fundação, a companhia soma expansão de 160% nos últimos cinco anos e projeta faturamento de R$ 13 milhões em 2026.
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Siga o Times | CNBCEm vez de captar recursos no mercado financeiro, a empresa usou o caixa gerado por contratos corporativos para lançar a DNA Adapt, plataforma de inteligência artificial generativa que personaliza treinamentos conforme o perfil de aprendizagem de cada funcionário. A solução já foi adotada por Heineken, Pague Menos, Azul e Febraban.
Eduardo Mitelman, fundador da DNA Conteúdo, afirma que reinvestir o resultado operacional no desenvolvimento da própria tecnologia garante independência na gestão e assegura que a inovação nasça para resolver problemas de clientes que pagam pelo produto.
Outro modelo que ganha espaço no cenário de crédito restrito é o seed-strapping, no qual a startup capta um aporte enxuto no estágio inicial apenas para construir a tecnologia e, em seguida, atinge o ponto de equilíbrio financeiro sem depender de novas rodadas.
A gaúcha Deskfy, plataforma B2B de gestão e customização de branding corporativo, captou uma única rodada seed de R$ 1,3 milhão em 2020 para estruturar o software. Depois disso, a empresa não realizou novas captações de equity e passou a cobrir o custo de expansão e evolução tecnológica com a receita recorrente gerada pelas empresas que assinam o serviço.
Hoje, a Deskfy está presente em mais de 200 empresas, entre elas Levi’s, Domino’s, Tramontina e Arezzo, e atende cerca de 30 mil usuários cadastrados. Mesmo sem novos aportes, a empresa registrou crescimento de 39% no faturamento em 2023 e alcançou receita de R$ 10 milhões em 2024.
Recentemente, a martech lançou uma integração com o Google Meu Negócio, recurso que permite a franquias e outros negócios gerenciar de forma centralizada os perfis no Google. Com a nova solução, a Deskfy projeta ampliar a base de usuários para 70 mil até 2030.
Para Camargo, a busca por autossustentabilidade protege as companhias diante de turbulências econômicas. Segundo o executivo, startups impulsionadas pelo fluxo de caixa dos próprios clientes atravessam períodos de juros altos sem a pressão de downrounds ou de diluição precoce dos fundadores, mantendo o controle da operação e o poder de decisão sobre o momento de buscar capital externo.
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