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Anthropic dispara com foco corporativo e deixa OpenAI para trás na corrida da inteligência artificial
Publicado 01/06/2026 • 13:07 | Atualizado há 12 minutos
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Publicado 01/06/2026 • 13:07 | Atualizado há 12 minutos
KEY POINTS
A ascensão da Anthropic ao posto de startup de inteligência artificial mais valiosa do mundo reflete uma estratégia mais focada em produtividade corporativa e modelos de negócio rentáveis, enquanto a OpenAI ainda busca redefinir seu posicionamento no mercado. A opinião é de Edney Souza, professor de inteligência artificial, que atribui o crescimento acelerado da empresa ao sucesso de ferramentas voltadas à execução de tarefas complexas dentro das organizações.
Segundo ele, embora a OpenAI tenha conquistado vantagem inicial ao popularizar o ChatGPT, a rival encontrou espaço ao apostar em soluções diferentes e mais direcionadas ao ambiente empresarial. “A OpenAI teve uma grande vantagem de ser a primeira a lançar um produto para o mercado amplo. A Anthropic veio depois, mas focou em soluções diferentes e em resolver problemas mais complexos”, afirmou em entrevista ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, nesta segunda-feira (1).
De acordo com Souza, a companhia fundada por ex-pesquisadores da OpenAI combinou preocupações com segurança e uma arquitetura voltada para ganhos concretos de produtividade. “Não é só um produto voltado ao mercado corporativo. É um modelo agêntico que consegue executar tarefas mais complexas com uma qualidade melhor”, explicou.
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Na avaliação do especialista, a popularidade do Claude Code e do Claude Co-Work explica boa parte da expansão recente da Anthropic.
Ele explicou que essas plataformas utilizam uma estrutura capaz de decompor uma demanda em diversas etapas menores, distribuindo atividades para diferentes agentes de inteligência artificial que trabalham simultaneamente.
“Você dá uma tarefa e a inteligência artificial automaticamente a quebra em várias tarefas. Algumas delas podem ser divididas novamente, disparando múltiplos agentes para trabalhar ao mesmo tempo”, afirmou.
Segundo Souza, esse modelo produz entregas mais robustas e aumenta a produtividade dos usuários. “No final das contas, tem mais qualidade. Ainda existe risco de alucinação, mas o resultado é muito mais eficiente”, disse.
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O professor ressalvou, porém, que o ganho de desempenho vem acompanhado de custos maiores de processamento. “Essa qualidade vem com um preço. Dependendo do caso, pode sair mais caro fazer a tarefa com inteligência artificial do que com um humano”, observou.
Ao comparar o atual momento da inteligência artificial com outras transformações tecnológicas que acompanhou ao longo da carreira, Souza afirmou que a velocidade de adoção é significativamente superior.
“É muito maior pela velocidade”, disse o especialista, que acompanhou a chegada da internet comercial, dos smartphones e das redes sociais.
Como exemplo, ele citou o tempo necessário para diferentes tecnologias alcançarem uma base massiva de usuários. Segundo ele, o iPhone levou cerca de três anos e meio para atingir 100 milhões de usuários, o Instagram precisou de aproximadamente dois anos e meio, enquanto o TikTok alcançou a marca em nove meses.
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Já o ChatGPT, segundo Souza, atingiu o mesmo patamar em apenas três meses. “As inteligências artificiais generativas chegam muito mais rápido porque o usuário não precisa comprar um dispositivo novo, nem ter conhecimento técnico profundo para utilizá-las”, afirmou.
Na visão do professor, a diferença de desempenho entre Anthropic e OpenAI está relacionada também ao foco estratégico adotado por cada empresa.
Segundo ele, a OpenAI aproveitou sua condição de pioneira para testar diversos produtos e mercados simultaneamente, enquanto a Anthropic concentrou esforços em poucos segmentos específicos.
“A Anthropic focou em uma tarefa, em um mercado e em ser muito boa nisso. Foi essa tese que permitiu transformar o negócio em algo mais rentável e com indicadores mais claros”, afirmou.
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Para Souza, a OpenAI já percebeu a necessidade de ajustes e deve acelerar mudanças nos próximos meses. Ainda assim, ele alertou para os riscos de a empresa não conseguir recuperar a vantagem competitiva que possuía anteriormente.
“A OpenAI corre o risco, se não se reinventar e redefinir sua tese, de ser a WeWork do mundo das inteligências artificiais”, afirmou. Segundo ele, a companhia dificilmente desaparecerá, mas pode perder relevância diante de concorrentes mais eficientes. “Ela pode virar uma fração do que já foi”, acrescentou.
O avanço da inteligência artificial também deve alterar o fluxo de recursos dentro do mercado de tecnologia, segundo Souza.
Na avaliação do especialista, investidores têm reduzido exposição a empresas tradicionais de Software as a Service (SaaS), diante da expectativa de que agentes de inteligência artificial transformem a forma como esses serviços são utilizados e cobrados.
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“O dinheiro está saindo de mercados que a inteligência artificial está invadindo e migrando para as empresas que lideram essa transformação”, afirmou.
Ele acredita que futuras ofertas públicas de ações de empresas ligadas à IA, como Anthropic e OpenAI, deverão disputar recursos que hoje estão alocados em outros segmentos do setor de tecnologia. “Não vai surgir dinheiro completamente novo. Vai ter que sair de algum lugar”, concluiu.
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