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Futebol com robôs atrai multidões na Coreia do Sul

Publicado 03/07/2026 • 08:20 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • RoboCup, uma das principais competições de robótica do mundo, atraiu multidões com partidas de futebol disputadas por robôs.
  • Organização planeja incentivar desenvolvimento da robótica e construir equipe de máquinas capaz de derrotar a seleção humana campeã da Copa do Mundo.
  • Morgan Stanley Research estima que, até 2050, cerca de 930 milhões de robôs humanoides estarão trabalhando em tarefas repetitivas e estruturadas.
RoboCup - Coreia do Sul

AFP

RoboCup - Coreia do Sul

Trinta segundos antes do apito inicial, robôs humanoides jogadores de futebol, vestindo camisas vermelhas e azuis, aguardam o sinal do árbitro na cidade portuária sul-coreana de Incheon.

O cenário da partida é a RoboCup, uma das principais competições de robótica do mundo, na qual engenheiros apostam em uma equipe de robôs totalmente autônomos que um dia possa derrotar os campeões da Copa do Mundo da FIFA.

Ao contrário de máquinas controladas remotamente, os robôs da RoboCup tomam decisões por conta própria assim que a partida começa, colocando à prova os avanços recentes e expressivos da inteligência artificial.

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Em campo, na sexta-feira, um árbitro gritou “pare!” quando um chute saiu pela linha de fundo, fazendo com que todos os robôs congelassem instantaneamente.

Momentos depois, um integrante de uma das equipes, chamado “número um”, marcou um gol, sob os aplausos de dezenas de espectadores.

Mas então veio uma falta: um robô trombou com o goleiro, derrubando-o no chão.

“Você não pode fazer isso”, riu um espectador.

Pelo centro de convenções Songdo Convensia, em Incheon, dezenas de partidas aconteciam simultaneamente na sexta-feira, enquanto pequenos, médios e grandes robôs humanoides competiam em campos compactos, e os espectadores circulavam de uma quadra para outra.

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Fundada no Japão em 1997, a RoboCup expandiu sua atuação para além do futebol, abrangendo robótica para resgate, serviços domésticos e aplicações industriais, enquanto persegue seu objetivo de longo prazo de construir uma equipe de robôs totalmente autônomos capaz de derrotar os campeões da Copa do Mundo da FIFA até 2050.

Embora os robôs joguem de forma autônoma, integrantes humanos das equipes transmitem os comandos do árbitro, como “pare” e “reinicie”, por meio de um software durante as partidas, explicou à AFP Lea Wedmann, da equipe Hamburg Bit-Bots, da Universidade de Hamburgo, na Alemanha.

Visitantes disseram que assistir ao futebol de robôs foi surpreendentemente parecido com acompanhar um evento esportivo entre humanos.

“Eu nunca tinha visto robôs jogando futebol antes. Foi fascinante e muito divertido”, disse à AFP Cho Woo-cheol, de 45 anos, funcionário de uma empresa de construção.

“Quando os vi pela primeira vez, acabei torcendo para o time azul porque eles pareciam um pouco mais humanos.

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“Eles obviamente ainda não se movem exatamente como as pessoas, mas estavam muito mais próximos disso do que eu esperava. O futebol de robôs tem seu próprio charme”.

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Outra visitante, Kim Mi-hong, de 60 anos, previu que atletas robôs poderão um dia atrair torcedores fiéis.

“Se eles ficarem realmente bons, acho que terão fãs”, disse ela à AFP.

“As pessoas já estavam dizendo: ‘O time vermelho é melhor’ e reconhecendo os jogadores pelos números. À medida que a tecnologia evoluir, acho que torcidas organizadas surgirão naturalmente.”

Esse futuro pode não estar tão distante.

“Achamos que os robôs podem derrotar os humanos até 2050”, afirmou Thomas Rofer, porta-voz da equipe alemã B-Human, do Centro Alemão de Pesquisa em Inteligência Artificial.

“Recentemente houve um grande avanço no desenvolvimento de robôs humanoides. Já vimos uma empresa aqui demonstrar um robô capaz de chutar com a mesma força que um ser humano.”

Pesquisadores afirmam que os avanços na inteligência artificial aceleraram drasticamente o progresso nos últimos anos.

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A Morgan Stanley Research estima que, até 2050, cerca de 930 milhões de robôs humanoides estarão trabalhando em tarefas repetitivas e estruturadas, com o mercado global de robótica humanoide podendo alcançar US$ 5 trilhões.

Ao contrário do futebol profissional, a RoboCup não oferece premiação em dinheiro, com equipes universitárias competindo principalmente para impulsionar a pesquisa em robótica.

Mas Shim In-wook, professor de engenharia de mobilidade inteligente da Universidade Inha, acredita que o futebol de robôs acabará se tornando um esporte por direito próprio.

“Na Copa do Mundo da FIFA você pode ter um Lionel Messi”, disse ele à AFP. “Mas, depois que você constrói um robô Messi, pode construir milhares deles”, completou.

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