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Matemático acusa OpenAI de falta de transparência após resolução de um dos Problemas do Milênio com IA
Publicado 09/09/2026 • 16:25 | Atualizado há 2 meses
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Publicado 09/09/2026 • 16:25 | Atualizado há 2 meses
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Jernej Furman / Wikimedia Commons
Um avanço matemático obtido com auxílio de inteligência artificial abriu uma disputa sobre transparência, autoria científica e uso de dados por grandes empresas de tecnologia. O matemático Tristan Buckmaster acusa a OpenAI de falta de clareza e de tê-lo pressionado depois que a companhia anunciou resultados relacionados a um dos Problemas do Prêmio do Milênio.
A controvérsia começou depois que Buckmaster, do Instituto Courant da Universidade de Nova York, e Levent Alpöge, pesquisador da Anthropic, passaram cerca de um ano trabalhando, sem financiamento institucional, em uma questão de mecânica dos fluidos que permanecia em aberto havia décadas.
O trabalho está relacionado às equações de Navier-Stokes, mais especificamente à questão sobre se o movimento tridimensional e uniforme de um fluido pode ser interrompido. O tema integra um dos sete Problemas do Prêmio do Milênio, conjunto de desafios considerados entre as questões mais profundas ainda em aberto na matemática.
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Buckmaster e Alpöge recorreram durante a pesquisa a diferentes modelos de inteligência artificial. Entre as ferramentas utilizadas estavam o Claude, da Anthropic, e o Codex, da OpenAI.
Com a ajuda desses sistemas, os pesquisadores conseguiram demonstrar um resultado perseguido havia anos pela comunidade científica, representando um novo avanço na busca por uma solução para o problema de Navier-Stokes.
O ponto de partida do estudo, porém, também se apoiou em trabalhos anteriores dos matemáticos espanhóis Diego Córdoba e Luis Martínez-Zoroa, que já vinham explorando essa linha de pesquisa havia anos.
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A descoberta acabou acompanhada por uma disputa. Nesta terça-feira (8), a OpenAI também anunciou que seus modelos haviam encontrado uma solução para um problema matemático relacionado, com um resultado que iria além do alcançado por Buckmaster e Alpöge.
A proximidade entre os anúncios abriu uma discussão sobre como o mérito científico deveria ser atribuído.
Segundo relato publicado por Buckmaster, rumores sobre os resultados de sua pesquisa começaram a circular no início de setembro. Ao descobrir que a OpenAI já tinha conhecimento do trabalho, ele decidiu avisar a companhia comandada por Sam Altman de que divulgaria em breve os resultados.
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A intenção, segundo o matemático, era agir com transparência, já que modelos da própria OpenAI haviam sido utilizados como ferramentas durante a pesquisa.
Depois desse contato, executivos da companhia informaram a Buckmaster que um modelo interno da empresa havia resolvido um problema relacionado e mais amplo, justamente envolvendo Navier-Stokes. A OpenAI então teria sugerido uma coordenação entre os anúncios.
Foi nesse momento, segundo Buckmaster, que surgiu um dos principais pontos de conflito.
De acordo com o matemático, a OpenAI teria colocado como condição para a coordenação do anúncio que Levent Alpöge não participasse, por trabalhar na Anthropic, concorrente direta da empresa.
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Buckmaster rejeitou a proposta e afirmou que tornaria público o episódio. Ele também classificou como intimidadoras as respostas que recebeu dos executivos da companhia e decidiu posteriormente publicar um documento relatando o ocorrido.
Outro ponto levantado pelo pesquisador envolve o destino dos dados produzidos durante o trabalho.
Buckmaster afirma ter perguntado à OpenAI se o modelo interno utilizado pela empresa poderia ter se beneficiado das sessões privadas armazenadas no Codex pelos pesquisadores ao longo da investigação.
Segundo ele, não houve uma resposta conclusiva. A empresa teria informado que “não consultava os dados dos usuários”, mas não teria esclarecido de maneira definitiva se informações derivadas dessas interações foram usadas para treinar seus modelos.
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Buckmaster também questiona a atribuição do mérito científico pela OpenAI. Segundo ele, parte do reconhecimento deveria alcançar Diego Córdoba e Luis Martínez-Zoroa, do ICMAT-CSIC, responsáveis pelo arcabouço teórico fundamental que serviu de base para sua pesquisa com Alpöge.
Em comunicado sobre Navier-Stokes, a OpenAI afirmou que não reivindicará o Prêmio do Milênio e reconheceu a prioridade do trabalho desenvolvido por Buckmaster e Alpöge.
A companhia também declarou que não teve acesso a dados específicos dos usuários para chegar ao resultado. Ao mesmo tempo, reconheceu não ser possível descartar que “dados anônimos derivados” do uso das ferramentas tenham contribuído para o treinamento de seus modelos.
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O comunicado não menciona Córdoba e Martínez-Zoroa. A OpenAI também nega a versão apresentada por Buckmaster sobre as supostas pressões durante as conversas entre as partes.
Para Buckmaster, o episódio expõe um problema que tende a ganhar importância à medida que ferramentas de inteligência artificial passam a participar de pesquisas científicas cada vez mais complexas.
A discussão envolve não apenas quem deve receber o crédito por uma descoberta, mas também como dados produzidos por pesquisadores ao utilizar sistemas comerciais de IA podem contribuir para o desenvolvimento dos próprios modelos dessas empresas.
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O caso surge em um momento no qual a combinação entre pesquisadores humanos e sistemas de inteligência artificial começa a acelerar trabalhos matemáticos que, segundo Buckmaster, podem ser realizados em semanas quando anteriormente exigiriam anos.
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