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Medo e preocupação crescem na Meta em meio à febre da inteligência artificial
Publicado 01/07/2026 • 23:00 | Atualizado há 1 hora
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Publicado 01/07/2026 • 23:00 | Atualizado há 1 hora
KEY POINTS
Foto: Reprodução
Há mais de um ano, a empresa vem enfrentando reduções de pessoal, reorganização de sua pesquisa em I.A e pressão sobre seus funcionários.
Chuva de demissões, vigilância de funcionários, fuga de cérebros. Na Meta, a corrida pela inteligência artificial (I.A) cobra um preço: um clima interno tóxico que nem mesmo a prosperidade da gigante da tecnologia consegue apaziguar.
Há mais de um ano, a empresa matriz do Facebook, Instagram e WhatsApp vem enfrentando reduções de pessoal, uma reorganização caótica de sua pesquisa em I.A e intensa pressão sobre seus funcionários.
Essa instabilidade contrasta fortemente com sua situação financeira. Impulsionada pela publicidade, que representa a maior parte de sua receita, a Meta registrou lucros de quase 23 bilhões de dólares (119 bilhões de reais, na cotação atual) no primeiro trimestre, um aumento de 30% em relação ao ano anterior.
Por outro lado, seus gastos de investimento em I.A dispararam. Mark Zuckerberg, seu fundador com poder quase absoluto, decidiu impor cortes drásticos e maior supervisão sobre suas equipes.
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Este ano, a empresa eliminou aproximadamente 8.000 cargos, quase 10% de sua força de trabalho. Demissões, supressões de postos e transferências forçadas afetaram quase um quinto dos empregados em apenas um ano.
A imprensa americana está repleta de relatos que descrevem uma “cultura do medo”, onde todos temem a próxima onda de demissões e os rumores paralisam o trabalho.
Esses cortes financiam uma corrida frenética por infraestrutura: a Meta planeja investir até 145 bilhões de dólares (750 bilhões de reais) em inteligência artificial este ano, quase o dobro do valor do ano passado.
Após cerca de 6.500 funcionários serem realocados para a divisão de I.A da Meta, alguns reclamaram de tarefas “monótonas” destinadas a treinar máquinas ou até mesmo automatizar seus próprios trabalhos.
Essa é a lógica por trás da controversa “Iniciativa de Aprimoramento das Capacidades do Modelo”, lançada em abril e suspensa em 22 de junho. Ela registrava cliques, digitações e histórico de navegação de funcionários nos Estados Unidos para treinar agentes de I.A.
Zuckerberg a defendeu durante uma reunião interna: “Os modelos de I.A aprendem observando pessoas realmente inteligentes fazendo coisas”, disse ele, segundo a Wired.
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No entanto, mais de 1.600 funcionários assinaram uma petição para interromper a iniciativa, e alguns compararam a Meta a uma “fábrica de extração de dados”.
Uma falha no sistema acabou expondo conversas privadas e métricas de desempenho para todos os funcionários, o que levou à sua suspensão.
“Embora não tenhamos indícios de que os funcionários tenham acessado esses dados, estamos suspendendo a iniciativa enquanto investigamos”, afirmou um porta-voz da Meta.
A Meta busca expandir sua atuação para além das redes sociais.
A empresa também investe pesado em eletrônicos de consumo com óculos inteligentes e avalia um novo aplicativo de apostas online chamado Arena, possivelmente em parceria com a Polymarket e a Kalshi, segundo o The New York Times.
No entanto, problemas judiciais ameaçam consumir tempo e recursos.
Em março, um júri de Los Angeles considerou a Meta culpada pela primeira vez pelos efeitos da dependência em redes sociais, apenas um dia após outra condenação no Novo México por negligência na proteção de menores. A Meta recorreu, mas outros julgamentos são esperados este ano.
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A empresa tenta recuperar terreno em relação a Google, OpenAI e Anthropic, que dominam a corrida pelos modelos de I.A mais avançados. Os modelos da Meta, que já foram adiados diversas vezes, decepcionaram inclusive dentro da empresa.
Em entrevista ao Financial Times, LeCun, vencedor do Prêmio Turing, o equivalente ao Prêmio Nobel em Informática, considerou que a busca por “superinteligência” baseada em grandes modelos de linguagem (LLM) da Meta leva a “um beco sem saída”.
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