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Meta prometeu quase US$ 6 bi para executivos. Semanas depois, demitiu 8 mil
Publicado 24/06/2026 • 10:45 | Atualizado há 1 hora
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Publicado 24/06/2026 • 10:45 | Atualizado há 1 hora
FotoField/Shutterstock
A crise no mercado de tecnologia, que forçou demissões em massa nas big techs, não é para todo mundo. Quem está mais bem colocado na cadeia corporativa tende não apenas a escapar dos cortes, mas também a ser recompensado com pacotes generosos de ações. Pelo menos dentro do império de Mark Zuckerberg.
Em meados de abril, Meta anunciou os melhores resultados trimestrais de sua história. O balanço do 1º trimestre apontou que a empresa aumentou sua receita em 33%, para US$ 55,3 bilhões. O lucro, por sua vez, saltou para US$ 26,8 bilhões, alta de 61%.
Os valores elevados surpreenderam o mercado. Mas trouxeram uma surpresa ainda maior para os funcionários. Isso porque, uma semana antes de anunciar os números parrudos, a companhia também informou aos trabalhadores que demitiria mais de 10% de sua força de trabalho total.
Dos 78 mil trabalhadores da Meta, 8 mil perderiam o emprego. A decisão veio a partir de uma mudança na diretriz orçamentária da big tech de Menlo Park. A companhia decidiu investir mais em inteligência artificial. Para pagar a conta, precisaria reorganizar seus gastos. Sobrou para os trabalhadores — mas não para todos.
Em fevereiro, seis semanas antes de promover a demissão em massa, a Meta concedeu a seis executivos de alto escalão pacotes de ações que podem render até US$ 921 milhões para cada um, caso a companhia se torne a empresa mais valiosa do mundo.
Esse valor pode aumentar. Para encher a carteira, esses trabalhadores precisam torcer (e trabalhar) para que a Meta ultrapasse a Nvidia em valor de mercado. A companhia de Mark Zuckerberg vale US$ 1,4 trilhão. A rival, por sua vez, tem valuation superior a US$ 4,8 trilhões.
É um objetivo ambicioso. No ano, as ações da Meta acumulam queda de 13%. A Nvidia, por sua vez, teve valorização próxima de 0,6%. O pessimismo em relação à falta de lucros com IA preocupa os investidores, que já entendem que os papéis estão caros demais.
A Meta teria que virar um jogo em que está em desvantagem. Ainda que o lucro do último trimestre tenha vindo com números fortes, essas cifras foram turbinadas por efeitos não recorrentes. Quase um terço dos ganhos (cerca de US$ 8 bilhões) se deu por um benefício fiscal extraordinário.
O que tem incomodado os investidores são os gastos. A Meta espera injetar entre US$ 125 bilhões e US$ 145 bilhões em 2026 em capex. É mais do que o dobro do registrado no ano passado e acima da projeção anterior para este ano, que era de entre US$ 115 bilhões e US$ 135 bilhões.
No entendimento de Zuckerberg e sua turma, o investimento é necessário para que a empresa não perca suas rivais de vista na corrida do mercado de IA. Alphabet, Apple, Microsoft e a própria Nvidia também projetam gastos de centenas de bilhões de dólares.
A questão é se esse investimento vai se transformar em lucro. Por ora, isso ainda não foi visto pelas companhias — exceto por aquelas, como a Nvidia, que trabalham na cozinha do setor. Ou seja, fabricam os chips que depois são comprados pelas empresas que querem desenvolver softwares que usam inteligência artificial.
Enquanto esses ganhos não aparecem nos balanços, os investidores focam nos números que são apresentados. E esses não animam. Há uma preocupação crescente em torno do crescimento mais estagnado das plataformas da Meta. Houve redução de 20 milhões no número combinado de usuários ativos diários das redes sociais da empresa. Foi a primeira vez que isso aconteceu.
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