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Meta sai na frente da OpenAI em dispositivos de IA, mas aposta de Zuckerberg ainda é incerta

Publicado 24/09/2026 • 19:39 | Atualizado há 36 minutos

KEY POINTS

  • Meta amplia aposta em IA, com o agente Muse no centro da estratégia de software e hardware.
  • Novos dispositivos entram no plano, incluindo mais de 100 modelos de óculos com IA até 2026 e o pingente Muse Charm.
  • Mercado reage positivamente, mas desafios incluem monetização do Muse e dúvidas sobre a demanda por dispositivos além do smartphone.
Mark Zuckerberg

Foto: AFP

O CEO da Meta, Mark Zuckerberg, há anos tenta ter mais controle sobre os dispositivos usados pelos consumidores para acessar os aplicativos da empresa. Agora, enquanto busca transformar o agente de inteligência artificial Muse no centro da estratégia de IA da Meta, ele aposta em uma nova geração de dispositivos que deve chegar ao mercado em breve para tornar esse plano realidade.

Durante a conferência anual Connect, realizada pela Meta uma semana antes do evento para desenvolvedores da OpenAI, a empresa afirmou que, até o fim de 2026, terá mais de 100 modelos de óculos com IA. Na quarta-feira, Zuckerberg também apresentou o Muse Charm, um pingente cujo preço ainda não foi divulgado.

A Meta entrou tarde na corrida da IA generativa e ficou atrás de empresas como OpenAI, Anthropic e Google, que já têm modelos populares e uma ampla oferta de serviços usados por consumidores e empresas. Zuckerberg tenta agora recuperar esse terreno com o Muse, um aplicativo que funciona como uma espécie de assistente pessoal, capaz de responder a e-mails, reservar viagens e fazer compras em nome do usuário.

Os investidores parecem ter comprado a ideia. As ações da Meta subiram 4,5% na quinta-feira e acumulam alta de mais de 25% desde o anúncio do Muse, no início deste mês. A aposta é que, embora Zuckerberg não tenha conseguido transformar a realidade virtual em um grande mercado depois de rebatizar a empresa como Meta, há cinco anos, e colocar o metaverso no centro de sua estratégia, a companhia pode estar encontrando um caminho mais promissor com a IA.

“O Meta Connect 2026 deixou mais claro o papel da IA do Muse como uma aplicação central da estratégia de hardware da empresa, começando pelos óculos de realidade aumentada e chegando ao Muse Charm, um dispositivo dedicado, parecido com um chaveiro, que permite acessar rapidamente o Muse”, escreveram analistas do Mizuho em relatório divulgado na quinta-feira. O banco, que recomenda a compra das ações da Meta, afirmou que os avanços da empresa em IA devem continuar “sustentando a expansão dos múltiplos das ações”.

O Muse Charm parece uma mistura de um Tamagotchi infantil com aqueles dispositivos médicos vestíveis que emitem alertas. Zuckerberg disse que a Meta ainda precisa definir detalhes como o acabamento e a disposição dos componentes antes de colocar o produto à venda no fim do ano.

Enquanto a OpenAI, dona do ChatGPT, se prepara para realizar seu evento DevDay na próxima semana, cresce a expectativa de que a empresa de Sam Altman finalmente apresente seu tão aguardado dispositivo de hardware. Segundo relatos, o produto teria o formato de um pequeno alto-falante semelhante a um disco de hóquei.

A OpenAI não respondeu aos pedidos de comentário.

Ao se antecipar à OpenAI, Zuckerberg tenta aproveitar o embalo do Muse, que chegou ao topo da App Store da Apple, ultrapassando o ChatGPT. Ao mesmo tempo, OpenAI e Anthropic enfrentam questionamentos cada vez maiores sobre seus principais modelos de IA, em meio a alertas de críticos e até de executivos das próprias empresas sobre possíveis riscos para a humanidade.

Deixando a Apple para trás

Para Zuckerberg, o Muse Charm é apenas mais uma tentativa de ampliar a presença da Meta no mercado de hardware e reduzir a dependência da Apple para distribuir seus produtos. Essa dependência se tornou ainda mais problemática depois que a Apple mudou sua política de privacidade, em 2021, restringindo a capacidade dos desenvolvedores de aplicativos de direcionar anúncios aos usuários.

A Meta já conseguiu algum sucesso com seus óculos inteligentes, desenvolvidos em parceria com a EssilorLuxottica, dona da Ray-Ban. Na quarta-feira, a empresa anunciou que, nos próximos meses, levará o Muse para esses óculos, permitindo que os usuários “acessem o agente sem usar as mãos, basta dizer o nome dele”.

A empresa também apresentou os Meta VR Glasses, mais finos e leves que os antigos headsets de realidade virtual da linha Quest, mas também bem mais caros. O aparelho custará US$ 1.299 (R$ 6.754,80) quando chegar ao mercado, no próximo ano. Será o primeiro dispositivo de realidade virtual da Meta desde 2024, quando a empresa lançou o Quest 3S, de US$ 299 (R$ 1.554,80).

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O pingente inaugura uma categoria de dispositivo completamente nova, mas muitos especialistas questionam se existe demanda suficiente por esse tipo de produto, considerando a presença constante e a versatilidade dos smartphones. Zuckerberg afirmou que o Muse Charm terá um sensor de impressão digital que, quando acionado, permitirá ao usuário conversar com seu agente de IA.

“Por que eu carregaria mais um dispositivo?”, questionou Anthony Ferry, CEO da empresa de comércio eletrônico Wayvia, em entrevista após assistir à apresentação da Connect. Segundo ele, para o produto fazer sentido, precisa ser “mais fácil de usar do que o celular”.

“Se eu ainda tiver que tirar o celular do bolso para concluir uma tarefa ou corrigir um pedido, vai ser só mais uma coisa para carregar”, disse Ferry.

Anshika Jain, analista da Counterpoint Research, vê potencial para o produto.

“O Muse Charm faz parte de uma mudança maior na forma como os consumidores podem interagir com a IA em tempo real, oferecendo uma maneira mais simples e conveniente de usá-la no dia a dia”, disse Jain por e-mail. “No centro disso está o agente de IA Muse, desenvolvido para entender o contexto e executar tarefas com mais rapidez, em vez de apenas responder a perguntas.”

Segundo Jain, o Muse Charm pode ser usado para coisas como fazer perguntas, receber lembretes, planejar atividades e consultar informações enquanto o usuário está em movimento.

Além de provar que o surgimento repentino do Muse não é apenas uma febre passageira, Zuckerberg ainda precisa encontrar uma forma de transformar o agente de IA em um negócio rentável. A Amazon já impediu que o Muse, da Meta, rastreasse seu site para fazer compras em nome dos clientes, depois de tomar medidas semelhantes contra Perplexity, OpenAI e Google.

Zuckerberg disse esperar que, no futuro, a Meta consiga ganhar dinheiro “cobrando uma pequena taxa sobre as transações”.

Para Ferry, as empresas terão de avaliar se o Muse realmente gera novos negócios ou se apenas ajuda a Meta a aumentar sua própria receita.

“Se isso trouxer um cliente que você não conseguiria alcançar de outra forma, ótimo”, disse Ferry. “Mas, se esse mesmo cliente compraria o mesmo produto por outro canal, isso não significa necessariamente que você gerou uma venda nova. É preciso entender quanto isso custa e se o investimento está, de fato, trazendo negócios adicionais.”

Ralph Schackart, analista da William Blair, escreveu em relatório divulgado na quinta-feira que a Meta apresentou uma estratégia de monetização relativamente clara. Segundo ele, a empresa espera gerar receita principalmente cobrando uma pequena taxa pelas transações realizadas por meio do Muse, enquanto mantém o produto gratuito para a maior parte dos usuários.

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Este conteúdo foi fornecido pela CNBC Internacional e a responsabilidade exclusiva pela tradução para o português é do Times Brasil.

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