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O diferencial da Nvidia em I.A está migrando dos chips para o capital

Publicado 18/08/2026 • 10:45 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • Na última semana, a Nvidia anunciou um acordo com empresas de Wall Street para buscar US$ 500 bilhões em financiamento para chips e concordou em apoiar a OpenAI em Ohio com até US$ 105 bilhões.
  • Embora a fabricante de chips mantenha sua liderança no mercado de processadores de I.A, a empresa demonstra cada vez mais disposição para aproveitar outro grande ativo: o capital.
  • Muitos dos laboratórios de IA de fronteira “estão crescendo mais rápido do que seus balanços patrimoniais e perfis de crédito de longo prazo conseguem sustentar”, escreveu o CEO da Nvidia, Jensen Huang.

Foto: Unsplash

A enorme vantagem inicial da Nvidia na inteligência artificial transformou a fabricante de chips na empresa mais valiosa do mundo. Agora, quase quatro anos após o início do boom da I.A generativa, concorrentes como Advanced Micro Devices (AMD) e Google vêm reduzindo a liderança tecnológica da Nvidia, levando a companhia a explorar outro de seus grandes ativos: o capital.

Após o acordo anunciado na semana passada com empresas de Wall Street para buscar US$ 500 bilhões em financiamento para unidades de processamento gráfico (GPUs) da Nvidia, a companhia informou na segunda-feira que fornecerá até US$ 105 bilhões para um enorme data center da OpenAI em Ohio, oferecendo uma espécie de proteção financeira caso a situação financeira da criadora do ChatGPT se deteriore.

Para a Nvidia, a estratégia envolve alimentar o boom da I.A por todos os meios possíveis, diante do reconhecimento de que a demanda por infraestrutura crítica parece insaciável, mas que um pequeno grupo de empresas — as chamadas hiperscalers, gigantes de tecnologia com enorme capacidade computacional — responde por uma parcela desproporcional das compras.

Com o fluxo de caixa livre trimestral tendo crescido 18 vezes nos últimos três anos, para US$ 48,5 bilhões no período mais recente, a Nvidia está usando a força de seu balanço patrimonial e de sua classificação de crédito para garantir que não haja uma desaceleração dramática após 12 trimestres consecutivos de crescimento de receita superior a 55%.

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“Eles continuam dominantes, mas estão muito preocupados em garantir que não percam terreno”, disse Ram Bala, professor associado de I.A e análise da Leavey School of Business, da Santa Clara University.

A Nvidia se recusou a comentar.

Em nota aos clientes na segunda-feira, analistas do Cantor minimizaram as preocupações de que a Nvidia esteja, na prática, comprando receita por meio de suas manobras financeiras. Eles reiteraram a recomendação de compra e disseram que o acordo mais recente é um “sinal claro de que o atual ciclo de investimentos em I.A será prolongado e duradouro”.

“Vemos isso menos como um movimento circular e mais como uma forma de facilitar a próxima fase da expansão da I.A, ao mesmo tempo em que cria barreiras competitivas adicionais que continuarão permitindo que a NVDA permaneça como A líder em I.A”, escreveram os analistas.

A Nvidia está nadando em dinheiro. Sua geração de caixa é tão elevada que a empresa anunciou, em maio, que aumentaria seu dividendo trimestral de US$ 0,01 para US$ 0,25 por ação, além de apresentar um novo plano de recompra de ações de US$ 80 bilhões. A companhia se comprometeu a “devolver aproximadamente 50% do fluxo de caixa livre aos acionistas neste ano”.

Uma das formas pelas quais a Nvidia vem utilizando seu caixa é por meio de investimentos em participação acionária em empresas de todo o ecossistema de I.A, incluindo negócios — como desenvolvedores de modelos e empresas de neocloud — que gastam pesadamente em chips e sistemas da Nvidia.

A Nvidia possuía US$ 30,2 bilhões em títulos de participação acionária negociáveis no trimestre mais recente, ante US$ 12,9 bilhões um ano antes.

Em fevereiro, a Nvidia investiu US$ 30 bilhões na OpenAI, que depende da capacidade de treinamento do Vera Rubin, o sistema mais avançado da gigante de chips.

O acordo anunciado na segunda-feira também incluiu um investimento de US$ 1,5 bilhão na SB Energy, uma afiliada do SoftBank que está construindo e administrando o data center no PORTS-Pike Technology Campus, no condado de Pike, em Ohio, por meio de um contrato de locação de 20 anos com a OpenAI.

Além do investimento na SB Energy, a Nvidia informou que está oferecendo suporte financeiro para cerca de 4 gigawatts de desenvolvimento no local, abrangendo partes dos contratos de locação e de fornecimento de energia, além de um “compromisso de valor residual especificado”, conforme os data centers forem inaugurados entre 2028 e 2030.

Ampliando o acesso

O CEO da Nvidia, Jensen Huang, reconheceu a importância da força financeira da empresa em uma publicação no X sobre o acordo.

“Os laboratórios de I.A de fronteira têm uma demanda extraordinária por capacidade computacional para treinamento e inferência, mas muitos estão crescendo mais rápido do que seus balanços patrimoniais e perfis de crédito de longo prazo conseguem sustentar”, escreveu Huang.

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“Eles podem ter uma forte demanda dos clientes e receitas crescendo rapidamente, mas ainda não dispõem dos contratos de infraestrutura de décadas e da capacidade de financiamento com grau de investimento necessários para garantir, de forma independente, a infraestrutura das fábricas de I.A.”

Uma semana antes, Huang esteve nos estúdios da CNBC ao lado de seis dos principais financiadores de Wall Street para anunciar a chegada das GPUs da Nvidia como uma nova classe de ativos.

Ao assinar um memorando de entendimento com empresas como Goldman Sachs, Apollo Global Management, Blackstone e BlackRock, Huang indicou que a próxima fase da expansão da I.A será financiada, em parte, por investidores externos, que poderão começar a investir em GPUs da mesma forma que fazem com imóveis.

“Esses são ativos que agora geram receita. Eles são produtivos, têm longa vida útil, são fungíveis e flexíveis”, disse Huang à CNBC.

Um fator fundamental para a obtenção de financiamento pelos potenciais tomadores de recursos será o compromisso com os sistemas da Nvidia. A empresa terá a opção de oferecer garantias para 25% de cada empréstimo.

Essa é outra forma de colocar mais tecnologia da Nvidia no mercado, à medida que a concorrência aumenta por parte de Google e AMD, além de fabricantes de chips especializados, como a Cerebras.

No segundo trimestre, o Google começou a reconhecer receitas com as vendas de sistemas TPU, contribuindo para o crescimento de 82% da unidade de nuvem.

A AMD, por sua vez, registrou crescimento superior a 100% em seu negócio de data centers, e espera que seu primeiro sistema em escala de rack, chamado Helios, seja enviado ainda neste ano.

Paul Meeks, chefe de pesquisa de tecnologia da Freedom Capital Markets, afirmou que o aumento da concorrência reduz a capacidade da Nvidia de manter “margens extraordinárias” e incentiva a empresa a diversificar sua estratégia.

“Parte do raciocínio deles é: vamos ampliar nosso alcance. Simplesmente não podemos apostar tudo em um único cavalo, que são as GPUs”, disse Meeks.

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Demanda por I.A continua forte

Os otimistas em relação à IA afirmam que a Nvidia está apenas respondendo à demanda e destacam que a atual escassez no mercado está relacionada à capacidade de infraestrutura.

Há diversos números que sustentam essa visão. A Anthropic informou a investidores no fim de semana que sua receita anualizada atingiu US$ 65 bilhões em julho, sete vezes mais do que um ano antes. A receita anualizada da OpenAI chegou recentemente a US$ 40 bilhões.

Matthew Vegari, chefe de pesquisa da Clearwater Analytics, afirmou por e-mail que, diante da dinâmica atual do mercado, a “narrativa de que o negócio de I.A tem uma estrutura circular, semelhante a um ‘castelo de cartas’, nos parece um tanto equivocada”.

“Podemos chegar a um momento de excesso de capacidade um dia. Mas esse dia não é hoje”, escreveu.

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