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Por que ninguém voltou à Lua desde as missões Apollo? Entenda o que mudou em 50 anos

Publicado 25/02/2026 • 20:12 | Atualizado há 8 meses

KEY POINTS

  • O primeiro retorno à Lua após a Apollo 11 foi adiado pela segunda vez. Originalmente, o lançamento da missão Artemis 2 estava previsto para fevereiro deste ano.
  • Contudo, no último domingo (22), a agência espacial dos Estados Unidos, NASA, informou que a nova previsão de início da viagem à órbita lunar está prevista para abril. 
  • Apesar do hiato de mais de 50 anos entre o programa Apollo e o Artemis, é possível que os seres humanos viagem à Lua com mais frequência nos próximos anos.

Foto: divulgação/NASA.

O primeiro retorno à Lua após as missões Apollo foi adiado pela segunda vez. Originalmente, o lançamento da missão Artemis 2 estava previsto para fevereiro deste ano. Contudo, no último domingo (22), a agência espacial dos Estados Unidos, NASA, informou que a nova previsão de início da viagem à órbita lunar está prevista para abril. 

Enquanto isso, o foguete Space Launch System deve passar por consertos extras. Conforme noticiado anteriormente, o primeiro adiamento ocorreu devido ao vazamento de hidrogênio. Já o segundo foi motivado pelo sistema de hélio defeituoso, parte essencial para purgar os motores e pressurizar os tanques de combustível.

Em geral, os problemas de último minuto ajudam a ilustrar o desafio que é levar humanos até a Lua. Mas, por que ninguém voltou à Lua desde a missão Apollo, há mais de 50 anos?

Leia também: NASA: quem são os astronautas da Artemis 2 e por que a missão é histórica?

Programa Apollo

A Apollo 11 foi a primeira missão tripulada dos Estados Unidos até a Lua. Ela aconteceu no dia 20 de julho de 1969, com o foguete Saturno V e os astronautas Neil Armstrong, Buzz Aldrin e Michael Collins. 

A missão era parte do Programa Apollo, da NASA. Conforme noticiado anteriormente, o projeto levou 18 astronautas até a órbita lunar. Desse total, 12 chegaram a caminhar na superfície da Lua e 6 permaneceram na nave para comandar o retorno. Esses feitos aconteceram nas missões posteriores à Apollo 11, que datam:

  • Apollo 12 – novembro de 1969;
  • Apollo 13 – abril de 1970, com pouso abortado após falha técnica;
  • Apollo 14 – janeiro de 1971;
  • Apollo 15 – julho de 1971;
  • Apollo 16 – abril de 1972;
  • Apollo 17 – dezembro de 1972, com recorde de 75 horas em solo lunar.

Graças a essas missões, a NASA coletou diversas amostras e conseguiu ampliar o tempo no satélite natural, dando ao programa o título de maior missão espacial do mundo. No entanto, realizar tudo isso não foi barato. 

Leia também: Apollo 11: como foi a missão que levou o homem à Lua?

Custo nos anos 1960

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Segundo a BBC, o custo estimado total do programa Apollo foi de US$ 25 bilhões. Hoje em dia, seria o equivalente a US$ 175 bilhões – em real, R$ 915,25 bilhões. Na época, a NASA chegou a representar 5% do gasto total do governo, embora John F. Kennedy – presidente dos EUA naquele período – não fosse o maior entusiasta da missão.

No entanto, conforme o Space Next 50, os Estados Unidos temiam pelo desenvolvimento tecnológico e armamentista da União Soviética. Sendo assim, não pouparam gastos aeroespaciais na época.

Porém, alguns anos depois, a competição esfriou e outras prioridades tomaram o lugar – como a Guerra do Vietnã, que custou, no mínimo, cerca de US$ 138,9 bilhões, segundo o CQ Press. Por isso, o financiamento da NASA e o interesse do público diminuíram depois do primeiro pouso tripulado na Lua.

No começo, a NASA tinha como objetivo realizar voos tripulados à Lua até a missão Apollo 20 e, posteriormente, utilizar os recursos e conhecimentos desenvolvidos nas operações lunares para ampliar suas atividades exploratórias por meio do Programa de Aplicações Apollo (AAP).

Contudo, reduções de verbas determinadas pelo Congresso dos Estados Unidos apressaram o encerramento das iniciativas lunares, fazendo com que o ciclo de missões fosse concluído na Apollo 17, em 1972. Grande parte dos projetos vinculados ao AAP acabou sendo cancelada, permanecendo ativa apenas a estação espacial Skylab.

Conforme analisam Roger D. Launius e Howard E. McCurdy no livro “Spaceflight and the Myth of Presidential Leadership“, o Programa Apollo surgiu em um contexto político específico, quando John F. Kennedy elevou a exploração lunar a prioridade nacional devido a preocupações com o poder militar soviético. Com a distensão entre as potências, a NASA perdeu protagonismo na política externa dos Estados Unidos, posição que mantém desde então.

Leia também: Artemis 2: o que a missão vai testar antes do retorno humano à Lua?

Artemis e o custo de ir até a Lua hoje

Contudo, o Projeto Artemis deve custar muito menos. Segundo o Space Next 50, atualmente, cada pouso na Lua custaria entre US$ 20 bilhões e US$ 30 bilhões, conforme fala do administrador da NASA, Jim Bridenstine, em 2019.

Ademais, nenhuma outra nação – além de Estados Unidos e URSS – possuía recursos suficientes para voltar à Lua. Em geral, pousos com tripulação exigem, além de tecnologias científicas, mais água, oxigênio, comida e outros elementos. 

Leia também: Musk x China? A disputa pela Lua ganha força com apoio de bilionários americanos; saiba mais

Por outro lado, a situação mudou. Hoje em dia, países como China, Índia, Japão, Rússia e países da Agência Espacial Europeia especulam publicamente sobre futuros pousos lunares. Além disso, há empresas e investidores privados mais interessados no mercado aeroespacial. 

Logo, apesar do hiato de mais de 50 anos entre o programa Apollo e o Artemis, é possível que os seres humanos viagem à Lua com mais frequência nos próximos anos.

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