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Nvidia RTX Spark chegou com tudo, menos com preço acessível e um comprador em mente
Publicado 04/06/2026 • 12:59 | Atualizado há 1 hora
Publicado 04/06/2026 • 12:59 | Atualizado há 1 hora
KEY POINTS
Chip RTX Spark chega ao mercado com especificações de workstation e preço que poucos consumidores vão conseguir pagar
Na segunda-feira (1º), quando Jensen Huang subiu ao palco do Taipei Music Center com a jaqueta de couro de sempre e o ritmo de pregador já conhecido do público, o CEO da Nvidia descreveu o RTX Spark com o repertório habitual de superlativos: "o chip para PC mais eficiente já construído", plataforma para "a nova era do computador pessoal", porta de entrada para um mundo de agentes de inteligência artificial rodando localmente, sem depender de nuvem.
É um discurso que Huang conhece de cor porque já funcionou antes, em outros palcos, com outros produtos. O problema desta vez não está no palco, mas na pergunta que ainda não foi respondida desde a Computex: quanto vai custar?
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Quando a jornalista Alaina Yee, da PCWorld, foi direto ao ponto com os representantes da Nvidia e da Microsoft em San Jose, durante o Build 2026, recebeu a resposta que a indústria de tecnologia reserva para perguntas inconvenientes.
A Microsoft disse que não estava"pronta para falar sobre preço" até chegar mais perto da disponibilidade, confirmando apenas o lançamento no outono do hemisfério norte. A Nvidia ecoou o mesmo: informações sobre preço viriam "meses" antes do lançamento. Curioso eufemismo para um produto que já tem data de chegada.
Do outro lado do Pacífico, em Taipé, onde o dinheiro fala mais rápido que o marketing, a história saiu diferente. Fontes de fabricantes de PC disseram aos colegas de imprensa, na própria feira, que laptops com o chip N1X, o mais potente da linha RTX Spark, devem partir de US$ 2.500 (R$ 12.600). Os modelos com o chip N1, a versão reduzida, começariam em torno de US$ 2.000 (R$ 10.080). O banco de investimentos Morgan Stanley afirmou que seus analistas ouviram de fabricantes presentes na Computex que PCs com N1X precisarão ser precificados em pelo menos US$ 2.899 (R$ 14.611), enquanto os modelos N1 devem ficar em US$ 1.799 (R$ 9.063) ou mais.
Relembre nesse texto que a conversão para real do preço nos EUA está bem distante dos preços reais praticados no Brasil.
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O hardware, convém dizer, é genuinamente impressionante. O RTX Spark N1X combina uma CPU Grace de 20 núcleos com uma GPU Blackwell de 6.144 núcleos CUDA, até 128 GB de memória unificada LPDDR5X e desempenho declarado de 1 petaflop em tarefas de IA.
Para quem entende o que esses números significam, é uma proposta séria. Para o resto do mundo, é um conjunto de palavras que justifica um preço alto sem explicar por que aquela pessoa específica precisa de tudo isso num laptop.
🔍 CUDA é a Tecnologia da Nvidia que permite usar os núcleos da placa gráfica para processar cálculos em paralelo. Quanto mais núcleos CUDA, mais rápido o chip lida com tarefas de inteligência artificial e renderização. O RTX Spark tem 6.144 desses núcleos, o equivalente a uma GPU dedicada de alto desempenho embutida no mesmo chip que roda o sistema operacional.
O custo elevado tem uma explicação técnica: o RTX Spark é fabricado no nó de 3nm da TSMC, tecnologia de ponta que encarece significativamente a produção no cenário atual. Isso não é invenção de margem de lucro, é o preço real de fazer semicondutores de última geração em 2026. Mas saber a causa não torna o número mais palatável para quem está do lado de cá da planilha.
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Há uma diferença grande entre o que a Nvidia está tentando fazer e o que a Apple fez em 2020, quando trocou sua arquitetura de processadores e mudou o mercado de laptops. O primeiro Mac com chip próprio foi o MacBook Air, vendido a US$ 999 (R$ 5.035). Não o MacBook Pro. Não uma workstation. O modelo mais barato da linha, aquele que estudantes, professores e jornalistas (os dos EUA) compram. A Apple começou pelo volume e escalou depois para os modelos de alto desempenho. O efeito foi que desenvolvedores tinham incentivo para otimizar seus programas para a nova plataforma porque havia milhões de máquinas nas mãos de pessoas reais.
A Nvidia está fazendo o caminho inverso. Se os preços estimados se confirmarem, o RTX Spark não vai atingir o mercado de massa. A empresa parece mirar criadores de conteúdo, desenvolvedores e usuários dispostos a pagar um prêmio. É uma escolha válida como estratégia de negócio. Como tentativa de criar uma nova era do computador pessoal, é uma aposta num público que, por definição, não precisa de convencimento e já tem alternativas sofisticadas disponíveis.
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No Brasil, o cálculo fica ainda mais austero. Com o dólar na casa dos R$ 5,04, a carga tributária habitual sobre eletrônicos importados e a margem de revenda, um laptop com RTX Spark N1X de US$ 2.900 (R$ 14.616) chega facilmente à faixa de R$ 20.000 a R$ 22.000 no varejo nacional, quando e se chegar.
Para efeito de comparação, um MacBook Pro com chip M4 Pro, que atualmente representa o topo da linha para profissionais criativos no Brasil, custa entre R$ 18.000 e R$ 22.000. Ou seja, o novo laptop Windows de alto desempenho vai disputar espaço com o produto que a Nvidia diz querer superar, no mesmo território de preço, sem benchmarks publicados, sem histórico de suporte pós-venda consolidado no Brasil e com um ecossistema de software ARM ainda em construção.
No palco da Computex, a Nvidia disse que os RTX Spark são laptops "para a fronteira da IA agêntica". Do lado de fora do auditório, fontes da indústria admitiram que o produto fica numa zona cinzenta entre enterprise e consumer. Essa zona cinzenta tem um nome mais preciso: é o lugar onde produtos tecnicamente brilhantes aguardam, por meses ou anos, que o preço desça até o ponto onde existe um comprador de verdade.
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