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Projeto de megafábrica de chips de Musk pode redesenhar disputa global por semicondutores, diz especialista
Publicado 24/03/2026 • 19:49 | Atualizado há 3 semanas
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Publicado 24/03/2026 • 19:49 | Atualizado há 3 semanas
KEY POINTS
O anúncio do projeto Terafab, megafábrica de chips avançados idealizada por Elon Musk, pode representar uma mudança relevante na dinâmica global de semicondutores, especialmente ao tentar reduzir a dependência dos Estados Unidos em relação à Ásia, avalia o professor da FGV e especialista em inteligência artificial, Kenneth Corrêa.
Segundo ele, a proposta de produzir chips de 2 nanômetros já na largada é considerada altamente ambiciosa, dado o nível de complexidade tecnológica envolvido. “Estamos falando de uma tecnologia milhões de vezes menor que um fio de cabelo. É algo que ultrapassa qualquer outra tecnologia industrial já desenvolvida”, afirmou, em entrevista ao Radar, jornal do Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, nesta terça-feira (24).
Corrêa explica que a produção desses chips ainda está concentrada em poucos players globais, especialmente na Ásia, com destaque para Taiwan, enquanto os Estados Unidos operam com tecnologias duas ou três gerações atrás. “Se ele conseguir implantar essa produção, ainda levaria de dois a três anos para alcançar algum nível relevante, e mesmo assim não chegaria perto do que já existe no Sudeste Asiático”, disse.
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Apesar das dificuldades, o especialista vê o movimento como uma tentativa de Musk de deixar de ser dependente de fornecedores externos e assumir papel mais estratégico no setor. “Ele deixa de ser um tomador de preço e passa a ser um player relevante nesse mercado”, afirmou.
A iniciativa reúne Tesla, SpaceX e xAI, empresas que dependem fortemente de semicondutores em suas operações – desde carros autônomos até foguetes e sistemas de inteligência artificial.
Segundo Corrêa, o foco de Musk não deve ser competir diretamente no mercado de data centers, dominado por empresas como a Nvidia, mas sim desenvolver chips voltados para edge computing, aplicados em veículos, satélites e robótica. “Ele está olhando para os chips que precisa nos carros e nos foguetes, verticalizando a produção e reduzindo dependência de custo, logística e fornecimento”, explicou.
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Essa estratégia pode acelerar o desenvolvimento de tecnologias como direção autônoma e robôs humanoides, já que chips mais avançados permitem dispositivos menores e mais potentes.
Mesmo que não atinja imediatamente o nível de 2 nanômetros, Corrêa destaca que chips de gerações anteriores já teriam impacto relevante. “Se ele conseguir produzir chips entre 5 e 7 nanômetros, já causaria uma grande mudança no mercado”, apontou.
O projeto também conta com incentivos do governo americano, por meio do CHIPS Act, que prevê financiamento direto e benefícios fiscais para produção local. “De um investimento estimado em cerca de US$ 20 bilhões, algo entre US$ 6 bilhões e US$ 7 bilhões pode vir em benefícios diretos do governo”, afirmou.
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Para o especialista, Musk demonstra mais uma vez habilidade em alinhar seus projetos a políticas públicas estratégicas. “Ele navega bem entre governos e consegue apoio para entrar em uma disputa que define mercados trilionários, como o de tecnologia”, concluiu.
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