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Teck Check: IA transforma torcida em perfis individuais e muda jogo dos patrocínios, aponta consultor da ESPM
Publicado 01/10/2026 • 21:58 | Atualizado há 50 minutos
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Publicado 01/10/2026 • 21:58 | Atualizado há 50 minutos
KEY POINTS
A inteligência artificial está permitindo que clubes e marcas deixem de enxergar a torcida como um grupo homogêneo e passem a compreender cada fã individualmente, segundo Marcelo Toledo, consultor e professor da ESPM. Para ele, essa mudança deve alterar a forma como são estruturados patrocínios, ativações comerciais e experiências nos eventos esportivos.
Em entrevista ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, ao programa Teck Check, Toledo analisou aplicações de inteligência artificial que já permitem identificar desde a maneira como uma pessoa torce durante uma partida até quais campanhas são mais eficientes para levá-la ao estádio.
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“Hoje em dia, com a capacidade que a gente tem de não olhar para o torcedor como um todo, e sim olhar para o torcedor como um indivíduo, isso muda completamente o jogo”, avaliou.
Um dos exemplos analisados foi o Fan of the Match, desenvolvido a partir de uma parceria do Sporting Clube de Braga, de Portugal, com uma startup de inteligência artificial. A ferramenta utiliza sensores do próprio smartphone para medir movimentos do torcedor durante uma partida e produzir uma pontuação de engajamento.
Para Toledo, o avanço está na possibilidade de entender não apenas se uma pessoa acompanha determinado clube, mas como ela manifesta essa relação durante uma partida.
“Antes de existir IA, o que acontecia? Você sabia que a pessoa torcia. O que o Sporting Clube de Braga hoje faz é entender como você torce, se você pula, se você grita, se você se movimenta”, explicou.
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Com essas informações, segundo o professor, os clubes podem desenvolver iniciativas destinadas a proporcionar uma experiência mais personalizada dentro dos estádios.
Outra aplicação analisada envolve uma parceria da principal liga de beisebol dos Estados Unidos com uma associação comercial global e a empresa de dados Claritas. Em um teste realizado com sete clubes, campanhas publicitárias direcionadas registraram um indicador de venda de ingressos 65% superior ao observado no grupo de controle.
Toledo explicou que a tecnologia permite identificar motivações diferentes para o comparecimento a um evento esportivo. Enquanto determinados fãs podem comprar ingressos para acompanhar um jogador específico, outros procuram uma experiência de entretenimento para a família.
“Tem torcedores que vão até um jogo porque gostam de ver um jogador. Você faz uma campanha daquele jogador. Tem outros torcedores que vão a um jogo para entreter a família. Você faz uma campanha de entretenimento de família”, exemplificou.
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A partir dos resultados, clubes e empresas conseguem medir qual comunicação trouxe mais consumidores ou torcedores e direcionar novas ações para os formatos que apresentaram melhor desempenho.
Esse nível de personalização, na avaliação do professor, também pode alterar a relação das marcas com o esporte. “Cada marca vai poder saber como falar com cada torcedor. Eu acho que essa é a coisa mais legal que a gente tem dessa tecnologia: você poder pegar uma coisa que a gente chamava de torcida e transformar em torcedor, em fã”, destacou.
Segundo Toledo, essa mudança deve produzir impactos nos patrocínios, nas ativações das marcas e na própria experiência oferecida aos fãs.
Apesar das possibilidades, a implementação da inteligência artificial pelos clubes enfrenta obstáculos. Para Toledo, o primeiro deles é consolidar informações que atualmente ficam espalhadas em diferentes sistemas.
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Um mesmo torcedor pode comprar o ingresso em uma plataforma, consumir produtos dentro do estádio por outro sistema e realizar compras na loja do clube por um terceiro canal. “Você tem esse desafio que é consolidar essas informações de alguma maneira”, disse.
Depois dessa integração, o segundo desafio é definir como os dados serão efetivamente utilizados. O terceiro envolve governança e responsabilidade no tratamento das informações dos torcedores.
“Você está acessando dados sensíveis de pessoas, de torcedores. Então você tem que tratar esses dados com a maior responsabilidade possível”, ressaltou.
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Para as marcas, o desafio adicional será abandonar uma comunicação única dirigida a toda a torcida e desenvolver mensagens específicas para diferentes públicos. “Antes eu falava uma coisa só para todo mundo e agora eu vou ter que falar um monte de coisa para um monte de gente”, concluiu Toledo.
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