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Diretora de conteúdo da Netflix define estratégia de eventos enquanto plataforma mira mais esportes ao vivo

Publicado 17/09/2026 • 10:30 | Atualizado há 38 minutos

KEY POINTS

  • A diretora de conteúdo da Netflix, Bela Bajaria, disse que a plataforma busca momentos “imperdíveis” ao definir sua estratégia para eventos e esportes ao vivo.
  • Ela afirmou que a empresa estaria aberta a um pacote de jogos internacionais da NFL caso um se torne disponível quando a liga renegociar seus contratos de direitos de mídia.
  • Bajaria também falou à CNBC sobre possíveis acordos para incorporar conteúdo de outras plataformas de streaming e sobre a ameaça do YouTube.
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Foto: unsplash

A estratégia da Netflix para esportes ao vivo se baseia na busca por jogos e torneios que possam ser transformados em eventos.

A estratégia da Netflix para a transmissão de esportes ao vivo se baseia na busca por jogos e torneios que a empresa acredita que possam ser transformados em eventos. Por isso, definir o que é um “evento” é fundamental para o sucesso da companhia.

“A questão de um evento é que ele gera burburinho, é cultural, está no espírito do tempo — aquele momento realmente imperdível”, disse a diretora de conteúdo da Netflix, Bela Bajaria, em entrevista exclusiva na semana passada à CNBC Sport. “Há algo nisso que parece muito com uma TV que você precisa marcar na agenda, mas que também gera uma ótima conversa em torno dela.”

Bajaria falou de Melbourne, na Austrália, onde foi realizado o primeiro jogo da temporada regular da NFL no país. A Netflix detinha os direitos globais da partida, que terminou com a vitória do San Francisco 49ers por 27 a 7 sobre o Los Angeles Rams.

A CNBC perguntou a Bajaria se o “Sunday Night Football”, da NBC, programa de maior audiência no horário nobre por 15 anos consecutivos, seria classificado como um “evento” da Netflix.

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“Se eu ganhasse um dólar toda vez que me fazem essa pergunta, esse dinheiro já pagaria pelo ‘Sunday Night Football’, e eu nem precisaria tirá-lo do orçamento de US$ 20 bilhões para conteúdo”, brincou Bajaria.

“O primeiro jogo da NFL [na Netflix] foi no Natal, certo?”, disse Bajaria. “Então pensamos: o Natal é um feriado, a Beyoncé vai fazer o show do intervalo, e podemos transformar isso em um evento. Pode ser o World Baseball Classic no Japão. Pode ser o Home Run Derby, mas também pode ser Alex Honnold no Taipei 101, quando ele escalou um prédio. Pode ser quando fizemos o show do BTS em Seul.”

A explicação de Bajaria sugere que um grande pacote de jogos da NFL não se encaixa na estratégia da Netflix, em linha com comentários feitos pelo co-CEO da empresa, Ted Sarandos, no início deste ano. A NFL poderá renegociar seus direitos de mídia para partidas disputadas após a temporada 2029-30, quando a liga terá uma cláusula que permite rescindir antecipadamente o contrato atual. O comissário da NFL, Roger Goodell, disse à CNBC na semana passada que a liga consideraria reformular os pacotes de jogos já estabelecidos.

A Netflix transmitirá cinco jogos da NFL durante a temporada 2026-27: a partida da Austrália da semana passada, o primeiro jogo realizado na véspera do Dia de Ação de Graças, dois jogos no dia de Natal e uma partida da Semana 18 que certamente terá importância — seja para definir uma vaga nos playoffs ou determinar a posição das equipes na classificação.

Atualmente, a NFL não comercializa um pacote de jogos internacionais, mas isso poderia ser interessante para a Netflix caso existisse, afirmou Bajaria. Neste ano, são nove jogos internacionais, e outros dez estão programados para a próxima temporada.

“Obviamente, temos esse grande público global e um público global muito engajado”, disse Bajaria. “Acho que as pessoas provavelmente vão pensar nisso naturalmente, como: ‘Faríamos algo internacional?’. Temos muitos assinantes nos EUA que obviamente amam a NFL e o futebol americano, então acho que sempre continuaremos tendo essas conversas.”

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Bajaria também confirmou o possível interesse da Netflix em disputar os direitos das Copas do Mundo masculinas da Fifa de 2030 e 2034. A Netflix já possui os direitos para os EUA e o Canadá das Copas do Mundo Femininas de 2027 e 2031. A CNBC foi a primeira a noticiar o interesse da Netflix no início deste ano.

“Obviamente, é um esporte amado em todo o mundo, e temos a Copa do Mundo Feminina, então estou muito animada com isso. Temos uma ótima parceria e uma ótima relação com a Fifa, então definitivamente continuaremos tendo essas conversas”, disse Bajaria.

Incorporando conteúdo de outras plataformas

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Ao mesmo tempo em que mais empresas de mídia estão avançando nos esportes ao vivo, os grupos tradicionais também estão desenvolvendo novas estratégias para o streaming.

O YouTube anunciou em julho que incorporaria conteúdo do Peacock, serviço de streaming da NBCUniversal, à sua plataforma de assinatura Premium, criando um novo modelo para o setor.

Bajaria indicou que a Netflix poderia estar aberta a um acordo semelhante. Ela chamou uma parceria já existente com o grupo francês TF1 de um “teste” para incorporar conteúdo ao vivo de outras empresas de mídia em seu serviço.

“O negócio está mudando”, disse Bajaria. “Podemos fazer uma parceria local com a TF1, e essa foi uma espécie de conversa para dizer: vamos tentar testar isso.”

Bajaria citou especificamente a NBCUniversal como uma empresa que já mantém diferentes tipos de parceria com a Netflix. Segundo ela, essas relações podem, às vezes, ajudar as duas companhias a se sentirem mais confortáveis com a ideia de experimentar algo como a incorporação de conteúdo.

A Netflix já possui um acordo de licenciamento exclusivo com a Universal para seus filmes. A NBC Sports também produz eventos esportivos ao vivo para a Netflix, incluindo o jogo da NFL realizado na Austrália na semana passada.

“O que eu adoro é que podemos continuar expandindo e desenvolvendo o negócio”, disse Bajaria. “Já existe uma parceria natural na maioria desses países, então vamos continuar tendo essas conversas.”

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Competindo com o YouTube

Ainda assim, Bajaria não está interessada em reescrever completamente as regras do jogo.

Ela rejeitou a ideia de que a Netflix mudaria sua estratégia de negócios para competir com o YouTube e outros serviços de vídeos curtos.

A participação do YouTube no mercado de streaming cresce de forma consistente a cada mês, segundo dados da Nielsen. Em julho, a plataforma de vídeos respondeu por 14,2% de toda a audiência de streaming. A Netflix ficou em segundo lugar, com 7,8%.

Mas Bajaria afirmou que não pretende mudar o rumo da Netflix: segundo ela, séries e filmes continuarão sendo o carro-chefe da plataforma.

“É muito simplista ou depreciativo dizer: ‘Ah, os jovens só assistem a coisas curtas’”, disse Bajaria. “Quando fazemos coisas para os jovens que eles consideram realmente autênticas e excelentes, eles vêm. E esse é o negócio. Ainda estamos nisso. Apoiamos criadores, cineastas e visões. Investimos em filmes e televisão. Histórias realmente boas se conectam com as pessoas o dia inteiro.”

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Este conteúdo foi fornecido pela CNBC Internacional e a responsabilidade exclusiva pela tradução para o português é do Times Brasil.

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