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US Open movimenta US$ 560 milhões e revela a dimensão de um dos maiores negócios do esporte
Publicado 30/08/2026 • 08:00 | Atualizado há 2 meses
Publicado 30/08/2026 • 08:00 | Atualizado há 2 meses
KEY POINTS
Eduardo Munoz/Reuters
O US Open chega à edição de 2026 como uma das maiores operações esportivas e comerciais dos Estados Unidos. O Grand Slam realizado em Nova York combina recordes de público, receitas na casa de centenas de milhões de dólares, expansão de espaços premium, contratos de mídia de longo prazo e um dos maiores investimentos já feitos pela organização.
O tamanho do negócio fica evidente nos números. Em 2024, o torneio gerou US$ 559,7 milhões em receita operacional (R$ 2,91 bilhões), alta de 9% sobre os US$ 514,1 milhões registrados em 2023 (R$ 2,67 bilhões). No mesmo ano, a United States Tennis Association (USTA) teve receita total de US$ 623,8 milhões (R$ 3,24 bilhões), o que significa que o US Open respondeu por aproximadamente 90% de toda a arrecadação da entidade.
A trajetória de recuperação desde a pandemia também impressiona. Em 2020, quando o evento foi realizado sem público, a receita ficou em US$ 181,2 milhões (R$ 942,2 milhões). Um ano depois, saltou para US$ 406,2 milhões (R$ 2,11 bilhões). O valor chegou a US$ 472,2 milhões em 2022 (R$ 2,46 bilhões), avançou para US$ 514,1 milhões em 2023 (R$ 2,67 bilhões) e atingiu o recorde de US$ 559,7 milhões em 2024 (R$ 2,91 bilhões).
Para ampliar o potencial comercial do torneio, a USTA está executando um projeto de US$ 800 milhões (R$ 4,16 bilhões) no USTA Billie Jean King National Tennis Center, sede do US Open em Flushing Meadows. O investimento inclui mudanças no Arthur Ashe Stadium e a construção de um novo Player Performance Center. Todo o projeto é financiado pela própria entidade, sem utilização de recursos públicos.
A estratégia não está concentrada apenas em aumentar o número de espectadores. A entidade está modificando a composição do estádio para ampliar a quantidade de espaços capazes de gerar receitas maiores por visitante. Na edição de 2026, o Arthur Ashe Stadium ganhou cerca de 2 mil novos assentos courtside, localizados próximos à quadra, além de dois novos níveis de suítes com capacidade entre 22 e 35 pessoas.
O projeto também prevê nove clubes premium, novas áreas de alimentação e espaços de hospitalidade. Em contrapartida, aproximadamente 3,5 mil lugares das áreas superiores serão retirados.
Na prática, a USTA está trocando parte da capacidade convencional por produtos de maior valor agregado, como suítes, clubes privados, assentos premium e experiências corporativas.
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A estratégia acontece em um momento de forte crescimento da audiência presencial. Em 2025, o complexo recebeu mais de 1,14 milhão de visitantes, recorde histórico do US Open e aproximadamente 9% acima do resultado do ano anterior.
Desse total, 905.255 pessoas acompanharam as disputas durante os 15 dias da chave principal, enquanto outras 239.307 participaram da Fan Week. O número também superou o recorde estabelecido em 2024, quando o torneio ultrapassou pela primeira vez a marca de 1 milhão de visitantes, com 1.048.669 pessoas durante toda a programação.
Em 2026, o calendário se estende por 22 dias, de 23 de agosto a 13 de setembro, considerando a Fan Week e o torneio principal. A USTA estima que as três semanas de atividades relacionadas ao evento gerem mais de US$ 1,2 bilhão de impacto econômico anual para Nova York.
O US Open também utiliza o próprio evento como uma grande vitrine para marcas. Os contratos de patrocínio geraram US$ 130,5 milhões(R$ 678,6 milhões) líquidos para a USTA em 2024, contra US$ 122,5 milhões (R$ 637 milhões) no ano anterior. Naquele período, a entidade mantinha 27 acordos comerciais, em sua maioria plurianuais.
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Siga o Times | CNBCEntre os parceiros estão empresas com propriedades específicas dentro da competição. A Ralph Lauren é fornecedora oficial dos uniformes e renovou o contrato pelo menos até 2032. A Rolex ocupa a posição de cronometrista oficial desde 2018. Já a Tiffany & Co. produz os cinco troféus entregues aos campeões e mantém uma relação com o torneio desde 1987.
O modelo também inclui patrocinadores associados a necessidades do público. A Dove atua na categoria de desodorantes, a La Roche-Posay possui a propriedade de protetor solar e a Lavazza é a marca oficial de café.
Essa estratégia transforma o torneio em uma plataforma de consumo que vai muito além das partidas de tênis.
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O alcance do US Open não termina nos portões do complexo. Em 2025, as plataformas digitais oficiais do torneio registraram aproximadamente 47 milhões de visitas durante as três semanas do evento, aumento de 19% em relação ao ano anterior. O tráfego veio de aproximadamente 14 milhões de dispositivos únicos.
Nas redes sociais, foram contabilizadas 3,1 bilhões de interações, alta de 34% em comparação com 2024. A USTA também expandiu a presença do torneio no universo dos games.
A experiência Champions of the Court, no Roblox, recebeu mais de 6 milhões de novos jogadores durante o US Open de 2025 e chegou perto de 20 milhões de usuários acumulados desde seu lançamento, em 2023.
No Fortnite, as ativações relacionadas ao torneio atraíram mais de 5 milhões de jogadores, com permanência média de 37 minutos. Já no Tennis Clash, foram registradas mais de 8,4 milhões de partidas associadas ao US Open.
Os números mostram que a estratégia da USTA vai além de simplesmente aumentar o público. A entidade está combinando US$ 800 milhões em novos investimentos, recordes de audiência, aumento da premiação, expansão da hospitalidade, contratos comerciais de longo prazo e crescimento da distribuição digital.
O objetivo é elevar o valor econômico de cada espectador e transformar o US Open em uma plataforma cada vez mais abrangente de esporte, entretenimento, publicidade e experiências premium.
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