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Zuckerberg é acusado de ignorar segurança infantil na Meta
Publicado 21/08/2026 • 20:00 | Atualizado há 2 meses
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Publicado 21/08/2026 • 20:00 | Atualizado há 2 meses
KEY POINTS
Foto: unsplash
O julgamento contra a Meta, iniciado nesta semana nos Estados Unidos, ganhou destaque após o depoimento de Arturo Béjar, ex-engenheiro de segurança da empresa. Ele afirmou que a companhia conhecia problemas enfrentados por crianças e adolescentes no Facebook e no Instagram e que levou parte desses alertas diretamente a Mark Zuckerberg.
A acusação coloca o CEO no centro de um processo que pode gerar consequências financeiras e mudanças na forma como as plataformas funcionam. Segundo o The Guardian, a ação reúne 29 procuradores-gerais estaduais, que acusam a Meta de criar produtos capazes de estimular o uso excessivo das redes sociais e prejudicar usuários jovens.
Leia também: Meta começa julgamento por suposta dependência de adolescentes; estados estimam sanções em US$ 193 bi
Béjar afirmou que tinha entre suas funções comunicar problemas relacionados aos produtos aos executivos. Segundo ele, conversou com Zuckerberg pelo menos 100 vezes. Em 2021, o ex-engenheiro enviou um e-mail diretamente ao CEO depois de Zuckerberg declarar publicamente que a empresa não colocava o lucro acima da segurança dos jovens.
Na mensagem, Béjar relatou problemas envolvendo conteúdo prejudicial e o bem-estar de adolescentes no Facebook e no Instagram. Durante o julgamento, afirmou que considerou a declaração pública de Zuckerberg uma impressão falsa e enganosa sobre o compromisso da companhia com os jovens.
O ex-funcionário explicou que procurava Zuckerberg porque, segundo sua experiência, quando o CEO transformava um assunto em prioridade, a Meta conseguia mobilizar recursos rapidamente. A resposta, porém, não veio. Béjar afirmou que Zuckerberg não respondeu ao e-mail enviado em 2021.
Durante o depoimento, Béjar apresentou uma pesquisa sobre as experiências de adolescentes no Instagram. Segundo os dados apresentados, 51% dos usuários entrevistados disseram ter passado por alguma experiência ruim ou prejudicial na semana anterior. Além disso, apenas 0,02% do conteúdo relacionado a essas experiências teria sido removido.
O ex-engenheiro disse que encaminhou essas informações para executivos da Meta, incluindo Zuckerberg e Adam Mosseri, CEO do Instagram. As preocupações também ganharam dimensão pessoal. Béjar relatou que sua filha adolescente recebeu abordagens sexuais, imagens de órgãos genitais masculinos e insultos misóginos no Instagram.
Segundo ele, ela também encontrou dificuldades para denunciar os abusos na plataforma. Além disso, Béjar afirmou que os sistemas de recomendação da Meta poderiam apresentar a crianças conteúdos relacionados a predadores sexuais, além de material violento e explícito.
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Siga o Times | CNBCA Meta contesta as alegações apresentadas pelos estados. Durante a abertura do julgamento, o advogado Paul Schmidt reconheceu que algumas pessoas podem enfrentar dificuldades relacionadas ao uso das redes sociais, mas afirmou que a companhia desenvolveu ferramentas para tentar lidar com esses problemas.
A empresa também sustenta que não permite que menores de 13 anos criem contas em suas plataformas. Segundo a defesa, mais de 1 milhão de contas pertencentes a usuários abaixo dessa idade foram desativadas.
O processo ocorre em Oakland, na Califórnia, e deve durar pelo menos seis semanas. Além disso, ao longo do julgamento, Zuckerberg, Mosseri, outros executivos e especialistas em saúde mental infantil e dependência estão entre as testemunhas previstas.
Os 29 procuradores-gerais estaduais acusam a Meta de desenvolver produtos que incentivam o uso excessivo das redes sociais por crianças e adolescentes. Eles também afirmam que a companhia coleta dados de menores de 13 anos sem autorização dos pais, em possível violação de leis federais e estaduais.
As possíveis consequências financeiras são expressivas. Os estados estimaram inicialmente suas reivindicações em aproximadamente US$ 193 bilhões (R$ 990,8 bilhões). Já a Meta calculou uma exposição potencial de até US$ 1,4 trilhão (R$ 7,19 trilhões), valor contestado pelos procuradores.
Leia também: Meta perde recurso e milhares de processos sobre vício em redes sociais podem prosseguir
Os danos poderiam alcançar US$ 200 bilhões (R$ 1 trilhão) caso a empresa seja responsabilizada. Essa cifra não representa uma multa já determinada, mas uma estimativa sobre possíveis danos no processo. Os estados também defendem mudanças no funcionamento dos produtos da Meta para ampliar a proteção de menores.
Assim, o julgamento pode afetar tanto as finanças da companhia quanto recursos utilizados pelo Facebook e pelo Instagram. Enquanto as testemunhas são ouvidas, o depoimento de Béjar reforça uma das principais questões do caso: se a Meta recebeu informações sobre os riscos enfrentados por jovens e se respondeu de maneira adequada aos alertas.
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