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Venda de fatia da Rumo pode render R$ 5 bi e acelerar desalavancagem da Cosan

Publicado 22/08/2026 • 21:00 | Atualizado há 2 horas

KEY POINTS

  • Cosan encerrou junho com R$ 9,2 bilhões em dívida líquida expandida, queda de 47% em um ano e de 20% em relação ao primeiro trimestre.
  • Uma operação de R$ 5 bilhões por 15% da Rumo implicaria um valor de aproximadamente R$ 33,3 bilhões para a ferroviária, cerca de 29% acima de seu valor de mercado no fechamento de quinta-feira (20).
  • A Cosan detém diretamente 20,33% da Rumo. Se uma eventual venda envolver 15 pontos percentuais dessa posição, a participação direta cairia para cerca de 5,3%.

Uma eventual venda de cerca de 15% da Rumo por R$ 5 bilhões pode dar à Cosan um novo impulso na estratégia de redução da dívida. O montante equivale a cerca de 54% dos R$ 9,2 bilhões de dívida líquida expandida que a holding tinha no fim do segundo trimestre. 

A Cosan confirmou na quinta-feira (20) que está recebendo propostas vinculantes de interessados em parte de sua participação na ferroviária, mas deixou claro que ainda não tomou uma decisão sobre a realização da venda. 

Estão em discussão cerca de 15% da Rumo por aproximadamente R$ 5 bilhões, segundo o Estadão. Grupo México e a chinesa Cofco, em conjunto com a Bunge, aparecem entre os interessados. A companhia não confirmou oficialmente o tamanho da fatia, o preço nem os potenciais compradores. 

Se esses termos se concretizarem, a operação teria escala suficiente para produzir uma mudança relevante na estrutura financeira da holding. 

Leia também: Cosan recebe propostas por parte de sua participação na Rumo

R$ 5 bilhões ganhariam peso diante da dívida da holding

A Cosan já entrou em 2026 com a desalavancagem no centro da estratégia financeira e conseguiu reduzir significativamente o endividamento nos últimos meses.

A dívida líquida expandida caiu de cerca de R$ 17,5 bilhões no segundo trimestre de 2025 para R$ 9,2 bilhões em junho deste ano, redução de 47%. Na comparação com março, o recuo foi de 20%. 

Uma das principais fontes de recursos no período foi a oferta de ações da Compass. A operação gerou aproximadamente R$ 2,3 bilhões líquidos para a Cosan e ajudou a financiar pagamentos antecipados de dívidas. A holding terminou junho com R$ 7,3 bilhões em caixa e equivalentes. Nos seis primeiros meses do ano, as amortizações antecipadas de principal somaram R$ 8,8 bilhões. 

Mas a redução do endividamento ainda não eliminou a pressão sobre a capacidade da holding de cobrir as despesas financeiras com recursos gerados por seu portfólio.

O Índice de Cobertura do Serviço da Dívida (ICSD) estava em 0,2 vez no fim do segundo trimestre. A Cosan projeta elevar a relação para uma faixa entre 0,8 e 1,2 vez até dezembro, com redução das despesas financeiras e maior contribuição de dividendos das investidas. 

Nesse contexto, uma entrada de R$ 5 bilhões teria dimensão superior aos recursos líquidos obtidos pela Cosan com a operação da Compass e representaria uma nova etapa na redução da pressão financeira sobre a holding.

Preço em discussão atribui R$ 33 bilhões à Rumo

A conta também chama atenção pelo valor implícito para a Rumo. Se uma fatia de 15% for vendida por R$ 5 bilhões, uma conta proporcional atribui à totalidade da ferroviária um valor de aproximadamente R$ 33,3 bilhões.

A Rumo possui 1.858.828.617 ações. Os papéis fecharam a sexta-feira (21) a R$ 14,25, o que colocava o valor de mercado da companhia em aproximadamente R$ 26,5 bilhões.

Assim, o valor implícito nos termos reportados para a negociação seria cerca de 26% superior ao valor atribuído à Rumo pela Bolsa naquele fechamento.

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Em outra comparação, 15% da companhia valiam aproximadamente R$ 4 bilhões pela cotação de sexta-feira. Uma transação a R$ 5 bilhões representaria cerca de R$ 1,1 bilhão acima dessa referência.

Participação direta da Cosan pode cair para perto de 5%

A dimensão da fatia também poderia mudar significativamente a posição direta da Cosan dentro da Rumo.

Segundo a composição acionária atualizada pela ferroviária em 13 de agosto, a Cosan possui diretamente 377.829.490 ações, equivalentes a 20,33% do capital.

Se os 15% mencionados nas negociações corresponderem a 15 pontos percentuais do capital da Rumo e forem vendidos integralmente a partir dessa posição direta, a participação da Cosan cairia para aproximadamente 5,33%.

A companhia, no entanto, ainda não revelou como uma eventual transação será estruturada nem quantas ações serão efetivamente vendidas.

Além da participação direta, a Cosan mantém exposição econômica equivalente a outros 9,94% da Rumo por meio de derivativos, estrutura montada no fim de 2025.

Leia também: Cosan nega venda da Rumo, mas reafirma foco em desalavancagem

Operações com ações da Rumo geraram captação líquida de R$ 2,79 bi

A participação na Rumo já foi usada pela Cosan em uma etapa anterior da reorganização financeira.

Em dezembro de 2025, a holding realizou duas operações, nos dias 15 e 22, nas quais vendeu um total de 184,7 milhões de ações da Rumo, equivalentes a 9,94% do capital da ferroviária, e contratou simultaneamente derivativos do tipo total return swap (TRS). 

Segundo as demonstrações financeiras divulgadas pela própria Cosan, as transações geraram captação líquida de R$ 2,793 bilhões, já descontados os custos envolvidos. O valor é o dado definitivo registrado pela companhia após a realização das operações. 

Os dois contratos de TRS têm valor nocional conjunto de aproximadamente R$ 2,795 bilhões e vencimento em janeiro de 2027. Os instrumentos mantêm a Cosan economicamente exposta à variação das ações e aos proventos pagos pela Rumo. 

Apesar da venda formal dos papéis, a Cosan informou que não houve transferência substancial dos riscos e benefícios econômicos porque os derivativos recompuseram a exposição às mesmas ações. A companhia também não tem obrigação de recomprá-las quando os contratos forem liquidados. 

Essa estrutura é diferente de uma venda definitiva da exposição à Rumo. Uma eventual alienação de cerca de 15% agora teria características distintas caso represente efetivamente uma redução da participação econômica da Cosan na ferroviária.

Uma operação de R$ 5 bilhões também teria escala significativamente maior do que os R$ 2,79 bilhões líquidos captados com as estruturas realizadas em dezembro.

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