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CNBCAções da Alphabet despencam 10% após empresa manter previsão de investimentos para 2026

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“É preciso que o poder público esteja conectado ao empresariado brasileiro para transformar o país”, afirma Luiz Calainho, CEO da L21

Publicado 28/10/2026 • 21:37 | Atualizado há 4 horas

KEY POINTS

  • Fundador da L21 defende que a riqueza cultural brasileira seja tratada como motor econômico e receba uma estratégia conjunta de empresas e governos.
  • Grupo reúne 18 unidades de negócio, mais de 20 sócios e parcerias com mais de 150 marcas, com atividades em espetáculos, casas de shows, mídia e música.
  • Empresário detalha a expansão do Blue Note, defende os incentivos da Lei Rouanet e anuncia planos de abrir operações em Londres e Zurique.

O Brasil precisa enxergar a arte e a cultura não apenas como manifestações de identidade, mas como ativos capazes de gerar negócios, empregos e influência no exterior. Essa é a avaliação de Luiz Calainho, fundador e CEO da L21, holding que reúne atividades de música, entretenimento, mídia e gestão de espaços culturais. Em entrevista ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, nesta quarta-feira (28), o empresário defendeu uma articulação entre governos e iniciativa privada para ampliar a presença internacional da produção brasileira.

“O Brasil é a maior potência artística e cultural do mundo”, afirmou Calainho, ao argumentar que o país costuma valorizar suas riquezas minerais, energéticas e agrícolas, mas dá pouca atenção à “riqueza intangível” representada pela cultura. Para ele, essa percepção precisa mudar tanto no meio empresarial quanto na formulação de políticas públicas.

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O executivo afirmou que a L21 opera 18 unidades de negócio, conta com mais de 20 sócios e mantém relações comerciais com mais de 150 marcas. A estratégia, explicou, é construir atividades complementares dentro da economia criativa: “Os negócios se auto e retroalimentam”, disse, ao descrever a conexão entre produção artística, espaços de apresentação, mídia, publicidade e experiências para o público.

Da indústria fonográfica aos teatros

A formação desse modelo começou antes da Aventura, produtora de musicais criada a partir de um planejamento iniciado em 2007 e colocada em operação em 2008. Calainho relembrou sua passagem pela publicidade, pela Brahma e pela Sony Music, onde trabalhou por 11 anos. “Minha trajetória empresarial é ancorada num tripé”, afirmou, citando o conhecimento de marketing, a experiência de gestão e a vivência na indústria musical.

Segundo ele, a Aventura foi concebida com duas frentes simultâneas: produzir grandes espetáculos musicais e administrar teatros capazes de recebê-los. A empresa já realizou mais de 60 produções, entre elas montagens dedicadas a Elis Regina e Chacrinha, além de títulos como *Mamma Mia!* e *A Noviça Rebelde*. A operação chegou a sete equipamentos culturais, de acordo com o empresário.

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Ao comentar a montagem de *Piaf*, em cartaz no Teatro Riachuelo, no Rio de Janeiro, Calainho elogiou a protagonista Laila Garin. “Não é que a Laila interpreta a Piaf. A Laila empresta o corpo dela, o talento e a voz dela para a Piaf”, afirmou. A fala ilustra o peso que o executivo atribui à qualidade artística como fundamento da expansão comercial.

Um grupo de negócios conectados

No portfólio da L21 estão o portal Vírgula, criado em 2001, e as rádios Nova Paradiso e Mix FM, no Rio de Janeiro. O grupo também atua com marketing de influência ligado à música e à arte, por meio de uma parceria com a Suba, e com a Musiqueria, que combina gravadora e desenvolvimento de projetos musicais para marcas e agências de publicidade.

“Música está em tudo: está na gastronomia, no teatro, no cinema, no shopping center”, afirmou. Para Calainho, a vantagem de concentrar os negócios em um mesmo universo é permitir que oportunidades identificadas em uma operação sejam aproveitadas em outras, sem perder a coerência do posicionamento do grupo.

Blue Note amplia presença em São Paulo

Uma das principais vitrines desse modelo é o Blue Note, franquia internacional trazida ao Brasil em 2017. A marca tem casas em São Paulo e no Rio de Janeiro. No Conjunto Nacional, na avenida Paulista, a operação acaba de ganhar uma segunda sala, após uma ampliação que, segundo Calainho, praticamente dobrou o espaço disponível para apresentações.

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O empresário contou que o Blue Note paulistano tem uma sala de 350 lugares, apresentações habitualmente às 20h e às 22h30 e contratação média de 16 artistas por semana. Ele destacou o conceito de proximidade com o público, característico da franquia: “O palco tem que ter no máximo 70 centímetros”, explicou, acrescentando que a circulação dos artistas pelo ambiente integra a experiência proposta.

Por que marcas investem em experiências culturais

A expansão física está diretamente associada à estratégia comercial. Para Calainho, marcas precisam oferecer experiências presenciais em um mercado cada vez mais digital. “As pessoas estão sentindo falta do presencial, do contato, da natureza”, afirmou. A relação direta com consumidores e potenciais clientes, segundo ele, cria uma oportunidade que não se limita à publicidade convencional.

O executivo apontou três benefícios centrais do investimento empresarial em cultura: aproximação com o consumidor, fortalecimento da identidade cultural e possibilidades de interação presencial, como ações e demonstrações de produtos. Citou a Heineken como exemplo de marca que, em sua avaliação, ganhou relevância no Brasil ao associar sua comunicação a grandes eventos e espaços musicais.

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“Qualquer empresa pode e, na minha opinião, deveria se associar à economia criativa”, afirmou. Ele argumentou que a existência de produtoras estruturadas e instrumentos de incentivo amplia as possibilidades para companhias de diferentes portes e setores, desde que os projetos tenham afinidade com a estratégia de cada marca.

Lei Rouanet e o efeito econômico dos espetáculos

Calainho também fez uma defesa enfática da Lei Rouanet, mecanismo que permite a empresas tributadas pelo lucro real direcionar parte do Imposto de Renda devido a projetos culturais aprovados. “A Lei Rouanet é um mecanismo absolutamente genial”, afirmou, reconhecendo que há espaço para aprimorar processos e controles.

Na avaliação do empresário, os benefícios vão além dos espetáculos financiados: os projetos mobilizam fornecedores, técnicos, artistas e prestadores de serviços, além de preverem contrapartidas de acesso ao público. Calainho citou como exemplo um musical realizado em parceria com a TV Globo, com investimento de R$ 11 milhões, para ilustrar o impacto econômico de uma cadeia que envolve som, iluminação, cenografia, elenco e divulgação.

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Ele afirmou que, em sua estimativa, cada real de renúncia fiscal movimentaria aproximadamente cinco reais em tributos ao longo do ecossistema cultural. A declaração é uma avaliação apresentada pelo entrevistado, e não uma medição detalhada no material da entrevista. Calainho também defendeu o aperfeiçoamento das regras diante das mudanças tributárias, sem abandonar os instrumentos de incentivo.

A ambição de exportar cultura brasileira

Na frente internacional, Calainho considera insuficiente que o Brasil seja reconhecido sobretudo por futebol, carnaval e Amazônia. “É preciso conhecer a dramaturgia brasileira, é preciso conhecer a arte brasileira, é preciso conhecer a música brasileira”, disse. Ele defendeu uma política de promoção cultural inspirada em experiências de outros países, citando a Coreia do Sul e os Estados Unidos.

O empresário anunciou planos de abrir um Blue Note em Zurique e uma filial da Aventura em Londres, iniciativas que associa à intenção de levar a produção cultural brasileira a novos públicos. “É preciso que o poder público esteja conectado ao empresariado brasileiro para transformar o nosso país”, concluiu, ao defender que a exportação de cultura seja tratada como uma estratégia econômica de longo prazo.

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