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Quando cinema vira poder: a compra da Warner e a reação do governo dos EUA

Publicado 06/02/2026 • 22:13 | Atualizado há 2 horas

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Semanalmente, Michaele Gasparini destrincha um dos principais temas da indústria de mídia na semana. Nada passa despercebido ao olhar da colunista: tudo o que movimenta o mercado e rende milhões de dólares em publicidade nas emissoras de televisão e nas plataformas de streaming estará aqui.

Warner Bros Discovery. Netflix

Divulgação/Warner Bros Discovery

Warner Bros

A proposta da Netflix para adquirir a Warner Bros. Discovery deixou de ser apenas uma operação bilionária do mercado de entretenimento e passou a ocupar o centro de uma disputa política nos Estados Unidos.

O interesse do Departamento de Justiça (DoJ) em investigar possíveis práticas anticompetitivas elevou o caso a um debate público sobre concentração econômica, poder de mercado e os limites da atuação das big techs do audiovisual. Nesse contexto, a negociação passou a simbolizar embates mais amplos entre governo, empresas e Congresso.

O valor da operação contribuiu para ampliar a pressão política. Em janeiro, a Netflix reformulou sua proposta e ofereceu US$ 82,7 bilhões (R$ 434,17 bilhões) para adquirir os estúdios e os ativos de streaming da Warner, incluindo a HBO Max.

A decisão de estruturar o pagamento integralmente em dinheiro sinalizou força financeira e reduziu margens para a entrada de concorrentes, o que despertou alertas imediatos entre autoridades regulatórias e legisladores preocupados com o avanço de um possível monopólio.

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A investigação conduzida pelo Departamento de Justiça, revelada pelo The Wall Street Journal, vai além da análise técnica. Ao questionar práticas exclusivas da Netflix e seus efeitos sobre a concorrência, o órgão adota uma postura alinhada ao discurso político do governo norte-americano, que tem defendido uma aplicação mais rígida das leis antitruste. A intimação civil enviada a outra empresa do setor indica a tentativa de mapear comportamentos que possam consolidar poder de mercado de forma estrutural.

Isso ocorre em um ambiente político sensível, no qual o controle de grandes conglomerados é visto como tema estratégico. Parlamentares democratas e republicanos pressionam agências reguladoras a agir contra a concentração em setores considerados essenciais para a formação cultural do país. A possível fusão entre Netflix e Warner passou, assim, a ser usada como exemplo de como o Estado deve reagir diante de empresas capazes de dominar produção, distribuição e exibição de conteúdo.

A dimensão política do caso também se reflete na comparação com outras propostas rejeitadas. A oferta apresentada pela Paramount, descartada pela Warner após recomendação aos acionistas, entrou no radar do Departamento de Justiça como elemento de contraste. O governo busca entender se a escolha pela Netflix, somada à estrutura financeira da proposta, pode ter efeitos negativos sobre a concorrência e sobre a diversidade de modelos de negócios no setor.

Além do mercado, a disputa alcança o campo do trabalho criativo. A investigação solicita dados sobre impactos de fusões anteriores na contratação de artistas, produtores e roteiristas, tema que ganhou relevância política depois de greves recentes em Hollywood. A possibilidade de uma empresa com poder ampliado ditar condições contratuais reforça o caráter social e político da análise, extrapolando a lógica puramente econômica.

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