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Divórcio vira festa e cria negócio de olho na indústria bilionária de casamentos
Publicado 23/02/2026 • 11:40 | Atualizado há 5 meses
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Publicado 23/02/2026 • 11:40 | Atualizado há 5 meses
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O fim de um casamento, tradicionalmente associado a desgaste emocional e burocracias, também pode ser uma festa – e oportunidade de negócio. A procura por cerimônias de divórcio tem crescido, sinalizando a expansão de um segmento que mira uma fatia da indústria global de casamentos, avaliado em US$ 925 bilhões em 2024, de acordo com a Deep Market Insights.
Dados da plataforma de convites digitais Evite mostram que os convites para festas de divórcio atingiram recorde em 2023. Para Olivia Pollock, analista de dados da empresa, o movimento reflete uma mudança cultural. “Essa tendência destaca uma mudança no sentido de usar celebrações para transformar transições de vida em experiências positivas”, disse em entrevista à CNBC.
No Brasil, o segmento ainda é imaturo, mas já movimenta fornecedores de eventos, confeiteiros, músicos e decoradores. Meg Souza, organizadora especializada em festas de divórcio, se diz percursora do movimento no país e conta que entrou no ramo após o próprio divórcio, em 2009, quando descobriu eventos semelhantes no exterior.
Ao não encontrar os serviços assim no país, decidiu produzir uma festa com estrutura parecida com a de um casamento, com direito a banda, lembrancinhas e rituais simbólicos, como a quebra de alianças cenográficas e com o doce “bem-separado”, em vez do tradicional bem-casado.

“A festa foi um sucesso e muitas pessoas começaram a me procurar para organizar festas assim. Logo enxerguei uma oportunidade de negócio e então, resolvi apostar na ideia. Fiz uma segunda festa, para meu portfólio, e desde então as festas de divórcio, é um dos meus negócios”, diz, em entrevista ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo da CNBC.
Segundo ela, a demanda é majoritariamente feminina e motivada pelo desejo de “finalizar ciclos” e marcar o recomeço. Em 2025, sua empresa realizou cerca de 102 festas de divórcio e projeta dobrar o número neste ano. Apesar do aumento da procura, a conversão em contratos ainda enfrenta resistência cultural e receio de julgamento.
“As pessoas são curiosas, querem saber como funciona, gostam da ideia, mas muitas ainda levam em conta a opinião negativa da sociedade”, diz Meg.
Para ela, a festa do divórcio não é sobre comemorar a separação em si, é sobre celebrar a liberdade, a coragem de recomeçar e o encerramento saudável de um ciclo. “É transformar dor em aprendizado e seguir em frente com leveza”, acrescenta.
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Em relação a valores, eles variam conforme o porte do evento. Existem celebrações para grupos de 15 pessoas e outras para mais de 100 convidados, enquanto algumas chegam perto do custo de um casamento tradicional.
Esse fenômeno de ressignificar o fim também alcança o mercado de joias. A estilista Rachel Zoe comemorou a separação com um anel de três pedras criado pela Ring Concierge a partir do diamante de seu antigo anel de noivado. Já a modelo Emily Ratajkowski contou no Instagram que transformou o anel de noivado estilo toi-et-moi, com diamantes lapidados em pera e princesa, em dois “anéis de divórcio” separados.

Segundo especialistas ouvidos pela reportagem, o divórcio não se encaixa em uma definição única: cada pessoa o vivencia de maneira distinta. Para o psiquiatra Alexandre Valverde, a ruptura marca o encerramento de um ciclo e pode provocar sofrimento quando o indivíduo não consegue processar o impacto e se reorganizar emocionalmente. “Quando alguém fica aprisionado ao passado, sem elaborar o que viveu, a transição fica comprometida”, diz.
Segundo ele, rituais simbólicos, como festas ou a transformação da aliança, podem ajudar o cérebro a compreender a mudança de fase. “Ao longo da vida, atravessamos etapas que costumam ser socialmente ritualizadas justamente para sinalizar essas passagens. Ritualizar também o fim de um relacionamento não significa tratar a situação com leviandade, mas reconhecer a dor da transição e, ao mesmo tempo, marcar a possibilidade de um novo começo”, afirma.
O psiquiatra Adiel Carneiro Rios acrescenta que estudos em neurociência indicam que marcos simbólicos reduzem a incerteza e favorecem a reorganização das memórias emocionais.
“Em termos simples, quando se cria um marco simbólico, o cérebro reconhece que a história mudou. Queimar cartas, escrever um último texto ou transformar o anel não é encenação, mas uma linguagem simbólica do psiquismo para reorganizar a vida”, afirma, acrescentando que a normalização social de celebrações de divórcio pode alterar a forma como as pessoas vivenciam o fim de um casamento.
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