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Bola inteligente: como a tecnologia da Copa de 2026 passou a decidir lances em tempo real

Publicado 08/07/2026 • 22:12 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • Kenneth Corrêa, especialista em tecnologias emergentes e professor da FGV, explicou como IA, sensores e câmeras estão redefinindo a arbitragem na Copa de 2026.
  • A bola inteligente envia mais de 500 informações por segundo ao VAR e ajuda a identificar toques e desvios com precisão.
  • O impedimento semiautomático usa múltiplas câmeras e modelagem 3D para acelerar decisões e reduzir a dependência do ângulo da transmissão.

Nunca a tecnologia esteve tão presente em uma Copa do Mundo quanto em 2026. A atual edição do torneio marcou a maior integração de inteligência artificial (IA), sensores e monitoramento em tempo real já aplicada ao futebol, com impacto direto sobre a arbitragem.

Em entrevista exclusiva ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, Kenneth Corrêa, professor e especialista em inovação aplicada aos negócios, explicou como a combinação entre sensores, câmeras e IA passou a interferir diretamente nas decisões dentro de campo.

Segundo ele, a chamada “bola inteligente” é um dos principais símbolos dessa transformação. O equipamento, utilizado na Copa de 2026, envia mais de 500 informações por segundo para a central do VAR, permitindo identificar com precisão toques, desvios e movimentos da jogada em tempo real.

“Tecnologia em bola de futebol não é a primeira vez que a gente vê. A questão é que antigamente a gente falava de costura e couro, e agora a gente fala de microchips”, afirmou.

Os dados gerados pela bola ajudam a acelerar a análise dos lances e explicam por que o árbitro vem passando menos tempo diante da cabine do VAR.

“Essa tecnologia mostra como a inteligência artificial funciona nos bastidores. Tudo acontece em tempo real enquanto o jogo está acontecendo. Por isso, a visita do árbitro à estação do VAR está cada vez mais breve”.

Um dos pontos centrais do sistema é o chip instalado na bola, capaz de detectar contato por meio de sensores de vibração. Foi esse recurso, por exemplo, que ajudou a validar o toque milimétrico em um lance envolvendo a Croácia, episódio que reacendeu o debate sobre a interferência tecnológica em jogadas quase imperceptíveis a olho nu.

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“Para gerar essa vibração, a bola precisa ter tido um toque direto. O sensor de contato funciona a partir de força contra a força da bola, algo que um fio de cabelo não seria suficiente para produzir”, disse.

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O sistema cruza os dados do sensor com imagens captadas por múltiplas câmeras espalhadas pelo estádio, criando uma espécie de reprodução digital da jogada em três dimensões.

“Quando você junta os sensores da bola com as câmeras do estádio, você tem um mapa completo, um gêmeo digital do que está acontecendo na jogada”, disse.

Outra grande inovação da Copa é o impedimento semiautomático. A tecnologia substitui o antigo modelo de traçar linhas manualmente a partir da imagem da transmissão e passa a usar um sistema baseado em múltiplas câmeras e modelagem 3D.

“No estádio com menos câmeras no México, são 16 câmeras. Em alguns estádios, chegam a 30. Elas não estão ali para filmar replay, mas para captar cerca de 29 movimentos diferentes de cada jogador em campo”, explicou.

Esses dados alimentam um modelo digital que reconstrói a jogada com profundidade e precisão. Em vez de usar a imagem da TV para congelar o lance e desenhar linhas, o sistema gera automaticamente a posição dos atletas em relação à linha de impedimento, com base em um ambiente tridimensional.

“Todo o cálculo e a informação em 3D são gerados por esse modelo, e não por uma imagem de transmissão como acontecia antes”.

Para além da arbitragem, a presença da inteligência artificial também se expandiu para a análise de desempenho e o trabalho das comissões técnicas.

O mesmo ecossistema de dados que ajuda a interpretar impedimentos e toques na bola também pode ser usado para scout, leitura tática, posicionamento e monitoramento físico dos atletas ao longo das partidas.

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