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CEO da Portuguesa SAF mira acesso à Série C e vê Canindé como pilar do projeto

Publicado 18/06/2026 • 22:39 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • Alex Bourgeois afirmou que o principal desafio da Portuguesa SAF é mudar a cultura de clube sem fins lucrativos para empresa.
  • CEO da Portuguesa SAF disse que a meta esportiva é subir para a Série C neste ano e recolocar o clube na elite do futebol brasileiro.
  • Venda de jogadores, acesso às divisões superiores e novo projeto para o Canindé estão entre os principais pilares de receita da SAF.

A Portuguesa tem como prioridade esportiva subir da Série D para a Série C neste ano e iniciar o caminho de volta à elite do futebol brasileiro, afirmou Alex Bourgeois, CEO da Portuguesa SAF.

Em entrevista ao Times | CNBC Sports, Bourgeois disse que o projeto da SAF passa por uma mudança cultural profunda dentro do clube, com foco em gestão, sustentabilidade financeira e rentabilidade.

“O principal desafio é cultural. É você mudar a cultura de uma entidade que era sem fins lucrativos para uma corporação com fins lucrativos”, afirmou.

Segundo ele, a lógica da SAF não exclui a busca por resultados esportivos, mas exige que esse caminho seja construído dentro de um modelo financeiramente sustentável.

“A gente também está atrás de títulos, de resultados, mas através de um processo de gestão lucrativa”, disse.

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SAF exige paciência

Bourgeois afirmou que parte da torcida associa o modelo SAF a uma injeção imediata de dinheiro, contratação de grandes jogadores e formação rápida de times competitivos. Para ele, porém, o processo costuma ser mais longo.

O executivo citou exemplos europeus para defender que projetos de clube-empresa precisam de tempo até alcançar títulos e resultados relevantes.

“Quando você olha, por exemplo, na Europa, times como Manchester City e Arsenal receberam muito dinheiro e demoraram sete, oito anos antes de ganhar um título”, afirmou.

Segundo ele, a diferença entre o Brasil e a Europa é que o modelo de clube-empresa europeu começou a se consolidar nos anos 1990, enquanto no Brasil ainda é recente.

“Na Europa, você tem mais de 30 anos de experiência. No Brasil, você tem dois, três anos. Então está muito no início”, disse.

Dívidas entram na conta

Bourgeois afirmou que, ao assumir uma SAF, o investidor passa a ser responsável pelo pagamento das dívidas do clube, ainda que não responda juridicamente por quem contraiu esses passivos no passado.

“Quando você assume uma SAF, você é responsável por pagar as dívidas. Você não é responsável juridicamente por quem contraiu essas dívidas, mas é responsável por pagar a dívida”, afirmou.

Segundo ele, essa equação precisa caber no plano de rentabilidade desenhado para a entrada no clube.

No caso da Portuguesa, Bourgeois disse que a escolha pelo investimento passou por fatores como a localização em São Paulo, o potencial econômico da capital e o ativo representado pelo Canindé.

“A gente escolheu a Portuguesa primeiro por estar em São Paulo, capital, que é uma força econômica que todo mundo conhece”, afirmou.

O executivo também destacou o estádio como parte central do projeto. A ideia, segundo ele, é transformar o Canindé em uma arena moderna, capaz de atender também à demanda por shows na cidade de São Paulo.

“Tem ali uma arena, um estádio, uma localização privilegiada, que é o Canindé, onde a gente vai fazer uma arena moderna, nova, que vai atender à demanda de shows na cidade de São Paulo”, disse.

Meta é voltar à elite

Do ponto de vista esportivo, Bourgeois disse que a meta imediata da Portuguesa é conquistar o acesso à Série C. Depois, o plano é avançar para a Série B e, posteriormente, retornar à Série A.

“O plano é subir esse ano para a Série C”, afirmou. “Uma vez que a gente passar para a Série C, o objetivo vai ser subir para a Série B e depois subir para a Série A.”

Segundo o CEO, a ambição da SAF é recolocar a Portuguesa no patamar histórico do clube.

“A ideia é claramente voltar para o lugar de onde a Portuguesa jamais deveria ter saído”, disse.

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Venda de jogadores é principal receita

Bourgeois afirmou que a Série D e a Série C ainda são deficitárias no futebol brasileiro, o que obriga os clubes a investir para competir.

“Infelizmente, a Série D e até a Série C é deficitária no Brasil. Você tem que investir para poder participar. É como pagar para trabalhar”, afirmou.

Segundo ele, a partir da Série B, o clube começa a ter condições de equilibrar receitas e despesas. Na Série A, o retorno financeiro passa a ser mais expressivo.

Hoje, a principal fonte de receita da Portuguesa SAF é a venda de jogadores. Bourgeois afirmou que o clube conseguiu negociar atletas com equipes da Série A nos últimos dois anos.

“A nossa principal fonte de receita é a venda de jogadores”, disse. “A gente talvez seja o único clube na Série D e até da Série C que conseguiu vender jogadores tanto ano passado quanto este ano para times de Série A do Brasileiro.”

O executivo afirmou que o acesso às divisões superiores deve ampliar receitas com direitos de televisão, patrocínios, bilheteria e exposição comercial.

Ingressos gratuitos e pertencimento

Bourgeois também explicou a estratégia de oferecer ingressos gratuitos para jogos da Portuguesa no Canindé. A iniciativa, chamada “Lusa para todos”, começou no ano passado.

“Hoje todos os jogos da Portuguesa são de graça. É só fazer um cadastro e você consegue ir livremente para o Canindé”, afirmou.

Segundo ele, a ação busca aproximar torcedores, simpatizantes e moradores de São Paulo que querem viver uma experiência de futebol, mas encontram barreiras de preço em outros estádios.

“Todos os simpatizantes, todas as pessoas que querem viver uma experiência de futebol em São Paulo e que não conseguem ir para outro estádio por causa de custo elevado, venham assistir a um jogo da Portuguesa, no Canindé”, disse.

Para Bourgeois, o objetivo é criar sentimento de pertencimento, e não apenas atrair torcedores ocasionais.

“Hoje a gente percebe que só torcedor não é suficiente. Você tem que ter pertencimento. A pessoa tem que se sentir parte de toda essa experiência”, afirmou.

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