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Chuteiras rosas dominam a Copa do Mundo, mas reduzem diferenciação entre marcas

Publicado 15/06/2026 • 22:59 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • Marcelo de Toledo diz que estratégia criou tendência, mas reduziu a diferenciação entre marcas rivais.
  • Professor vê paradas para hidratação como combinação de cuidado com atleta e nova janela comercial.
  • Especialista afirma que Copa nos EUA tem potencial de ampliar o futebol no maior mercado esportivo do mundo.

A predominância de chuteiras rosas nos gramados da Copa do Mundo 2026 chamou atenção do público, mas pode ter criado um efeito contrário ao desejado pelas marcas, avaliou Marcelo de Toledo, professor e especialista em marketing esportivo.

Em entrevista ao Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC, Toledo afirmou que a estratégia das empresas de material esportivo ajudou a criar uma tendência visual no torneio. O problema, segundo ele, é que a adoção simultânea da mesma cor reduziu a capacidade de diferenciação entre concorrentes.

“Todas as empresas tentaram fazer algum tipo de diferenciação e entrar num tipo de tendência, mas, ao mesmo tempo, na hora que você entra nessa tendência, você se torna mais uma. O que não é nada bom para nenhuma marca”, disse.

Segundo o especialista, a escolha pelas chuteiras rosas tem apelo de moda e funciona para chamar atenção, mas perde força quando deixa de ser exclusiva de uma marca.

“Quando você tem todo mundo fazendo a mesma coisa, ninguém é diferente de ninguém”, afirmou. “Você fica discutindo a chuteira rosa, e não a marca. Aí começa o problema de você se tornar simplesmente mais uma no barulho.”

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Hidratação e receita comercial

Toledo também comentou as paradas para reidratação durante as partidas. Para ele, a medida une uma preocupação real com a saúde dos atletas a uma oportunidade adicional de monetização para transmissões e organizadores.

“Acho que é uma questão das duas coisas”, disse. “Você tem um verão acontecendo, cada dia com dias mais quentes, e tem os atletas que têm que tomar cuidado.”

Segundo o professor, o futebol profissional exige desgaste físico elevado, o que torna a pausa relevante do ponto de vista esportivo. Ao mesmo tempo, afirmou, o intervalo cria uma nova janela comercial em um ambiente de custos crescentes.

“É juntar o útil ao agradável. Você tem um tempo realmente para cuidar do atleta e consegue ter mais um espaço para ser comercializado”, afirmou.

Toledo disse que os direitos de transmissão estão cada vez mais caros e que os atletas recebem valores cada vez maiores, o que aumenta a necessidade de novas fontes de receita.

“Você tem que arrumar dinheiro para pagar todo esse monte de coisa que está acontecendo. Então, ter mais uma oportunidade de monetizar é super legal e super importante”, disse.

Goleiro pode monetizar repercussão

O especialista também analisou o caso do goleiro Vozinha, da seleção de Cabo Verde, que ganhou milhões de seguidores após se destacar contra a Espanha. Segundo Toledo, a valorização mais provável não está ligada à carreira esportiva, mas à capacidade de atrair marcas e patrocinadores.

“Acho que é uma história espetacular”, afirmou. “Ele deve estar tentando entender até agora o que está acontecendo com ele.”

Toledo disse que, aos 40 anos e vindo de uma seleção sem tradição nas Copas, o goleiro dificilmente terá grande valorização de mercado do ponto de vista técnico. A oportunidade, segundo ele, está no capital de imagem criado pela repercussão global.

“Sobre o ponto de vista de valorização de passe, de carreira, eu não vejo. Mas, sobre o ponto de vista de conseguir parcerias com marcas, patrocinadores, alguma coisa nesse sentido, provavelmente ele vai ganhar múltiplos desse valor que ele vale”, afirmou.

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Material esportivo ganha destaque

Para Toledo, o setor de material esportivo foi o que mais conseguiu capturar atenção nos primeiros dias da Copa. Ele afirmou que as chuteiras monopolizaram parte da discussão pública sobre marcas no torneio.

“O setor que hoje a gente mais tem falado é o setor de material esportivo”, disse. “As chuteiras monopolizaram de alguma forma o noticiário.”

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O professor também citou discussões sobre a proteção de patrocinadores oficiais e restrições da Fifa ao uso de determinados nomes de estádios e marcas. Segundo ele, a entidade tem razão ao privilegiar empresas que investem grandes valores para se associar ao evento.

“A Fifa faz muito bem em proteger e privilegiar essas marcas que estão lá como parceiras, como patrocinadoras às vezes de décadas”, afirmou.

Copa nos EUA mira expansão do futebol

Toledo disse ver com bons olhos a realização da Copa do Mundo nos Estados Unidos, apesar dos desafios de popularização do futebol no país. Segundo ele, o cenário atual é mais favorável do que em 1994, quando o país também sediou o torneio.

“Hoje a situação do esporte nos Estados Unidos é bem melhor que em 1994”, disse.

O especialista citou a consolidação da MLS, os direitos de transmissão, a presença de grandes jogadores e o crescimento da população latina como fatores que ajudam a fortalecer o futebol no mercado americano.

Para Toledo, o futebol dificilmente será o esporte favorito dos americanos, mas deve continuar ganhando espaço.

“Ele nunca vai ser o primeiro no gosto do americano, mas certamente vai cada dia mais ter mais gente gostando disso”, afirmou.

Segundo o professor, a Copa está no maior mercado do mundo e em um país onde o esporte é um pilar da sociedade, o que cria uma oportunidade relevante para marcas, Fifa e mercado esportivo global.

“Se você for pensar sob o ponto de vista de gestão esportiva, ela está no melhor lugar do mundo”, disse. “Isso é muito bom para o país, para o futebol e para todos nós.”

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