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Marketing de emboscada, naming rights e criatividade: o que a Copa de 2026 ensinou às marcas

Publicado 02/07/2026 • 22:13 | Atualizado há 2 horas

KEY POINTS

  • Campanhas criativas de empresas sem patrocínio oficial ganharam destaque durante a Copa de 2026, mesmo com as restrições impostas pela FIFA.
  • Segundo especialista, marcas não patrocinadoras são proibidas de utilizar o nome "Copa do Mundo", mascotes e outros elementos oficiais do torneio.
  • Casos envolvendo Levi's, Gillette e os naming rights dos estádios mostraram como o marketing esportivo busca alternativas para conquistar visibilidade.

A Copa do Mundo de 2026 deixou lições importantes para o mercado esportivo, tanto para patrocinadores oficiais quanto para marcas sem vínculo com a FIFA que tentaram aproveitar a visibilidade do torneio.

Em uma edição marcada por campanhas criativas, restrições comerciais e disputas por atenção nas redes e nos estádios, o Mundial reforçou a força do chamado marketing de emboscada e expôs os desafios envolvendo naming rights e a operação das arenas nos Estados Unidos.

Em entrevista ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, o professor de gestão e marketing esportivo Nicolas Caballero afirmou que a prática de associar marcas a grandes eventos sem fazer parte do quadro oficial de patrocinadores já é conhecida no setor, mas ganhou novos contornos nesta edição da Copa.

“O marketing de emboscada já vem há um bom tempo sendo praticado nos grandes eventos esportivos. As marcas buscam se aproveitar da atenção do público, mesmo sem participação comercial oficial no evento”, afirmou.

Segundo Caballero, “Não é permitido citar o nome Copa do Mundo, usar mascotes ou determinados elementos que remetam ao evento oficial quando a empresa não faz parte da operação comercial“.

Essas restrições fazem parte dos contratos firmados entre a FIFA e seus patrocinadores, justamente para impedir a exposição gratuita de concorrentes.

Para o professor, um dos temas mais emblemáticos desta edição foi a situação dos naming rights nos estádios americanos. Como grande parte das arenas já possui contratos de nome vinculados a marcas, a FIFA precisou intervir para adequar os espaços às regras comerciais do torneio.

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“Quando a FIFA assume a operação do estádio, a arena deixa de ser gerida pelo clube ou pelo operador local e passa a ser controlada pelo comitê organizador. Nesse período, marcas que não participam financeiramente do evento precisam ser ofuscadas, tapadas ou retiradas da exibição”, disse.

Foi nesse contexto que surgiram alguns dos casos mais comentados do torneio. Um deles envolveu a Levi’s Stadium, arena que teve a marca encoberta por exigência da FIFA. Em vez de simplesmente esconder o nome, a solução encontrada transformou a restrição em oportunidade de comunicação.

“Aí entra a criatividade dos profissionais de marketing. A marca foi tapada, mas de uma forma que preservava a silhueta e a identidade visual da Levi’s, transformando a limitação em ação de branding”, afirmou Caballero.

A campanha fez tanto sucesso que a marca resolveu transformá-la em produto. Na quarta-feira (1), a companhia lançou uma camiseta de edição limitada “Nobody’s Gonna Know Logo Tee”

Situação semelhante aconteceu com a Gillette, que também encontrou uma forma de explorar visualmente a restrição sem citar diretamente a competição. Na ação, a marca optou por esconder o próprio logo sob uma camada de espuma de barbear.

Na avaliação do professor, a principal lição da Copa de 2026 para o mercado é que a disputa por atenção em grandes eventos esportivos vai muito além do patrocínio oficial. Ao mesmo tempo em que a FIFA reforça a proteção comercial de seus parceiros, empresas de fora do ecossistema do torneio continuam encontrando brechas criativas para participar da conversa global.

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