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‘Listening bars’, uma nova tendência para os amantes da música
Publicado 17/04/2026 • 07:30 | Atualizado há 4 semanas
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Publicado 17/04/2026 • 07:30 | Atualizado há 4 semanas
KEY POINTS
ANNA KURTH / AFP
Os listening bars estão se multiplicando com propostas de sessões de audição musical com equipamentos técnicos sofisticados.
Os apaixonados por música estão com sorte. Os listening bars estão se multiplicando com propostas de sessões de audição musical, em um ambiente tranquilo e com equipamentos técnicos sofisticados.
Os bares de audição, originários do Japão, dispõem de salas à prova de som e equipamentos de áudio de alta qualidade para oferecer uma experiência sonora semelhante a um show ao vivo.
“Realmente te permite ouvir cada palavra, cada instrumento, cada nota”, conta à AFP Camille Calloch, de 31 anos, ao sair do bar Listener, em Paris, onde acaba de assistir a uma sessão dedicada à estrela britânica do neosoul Sampha.
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Instalado no coração da capital francesa, este bar aposta em equipamentos avaliados em mais de 200.000 dólares (R$ 998 mil, na cotação atual), entre eles colunas monumentais que reproduzem um som cristalino.
“Temos uma relação completamente diferente com a música”, afirma Jérôme Thomas, cofundador do Listener. “Já não se trata desse consumo rápido que temos hoje com o streaming e os pequenos auriculares. Queríamos que cada um pudesse dedicar o seu tempo para redescobrir o trabalho dos seus artistas preferidos”, explica.
Segundo Thomas, as sessões de audição em seu bar podem deixar até os mais puristas impactados. “Vemos as pessoas subirem com um sorriso, dizendo: ‘Achava que conhecia esta música de cor, depois de 15 anos ouvindo. Ouvi novas instrumentações. Consegui ouvir as mixagens do engenheiro de som'”, conta ele.
Nestes “listening bars”, o MP3, que comprime o som, não é bem-vindo. Aqui, o vinil é rei, e o som circula por cabos de última geração até grandes alto-falantes vintage.
A ascensão desses templos da música contrasta com o declínio da vida noturna em boates em muitas cidades, onde o aumento dos aluguéis e as mudanças no estilo de vida entre os mais jovens reduziram a popularidade das discotecas.
“Ultimamente, houve uma verdadeira explosão deste tipo de lugar”, diz Dan Wissinger, coproprietário do bar de audição nova-iorquino Eavesdrop, que possui uma sala de escuta “ativa” e outra mais “social”.
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Uma característica fundamental de qualquer bar deste tipo é que seus espaços sejam projetados para a música, explica. “Se não tiverem tratamento acústico, são apenas falsos ‘listening bars'”, adverte.
“Em um espaço de eventos, se você não tiver bons amortecedores acústicos, a música não será a primeira coisa que se ouve”, afirmou.
Em Londres, onde estão localizados alguns dos primeiros “listening bars” da Europa, como o Brilliant Corners ou o Jumbi, acaba de abrir um novo espaço deste tipo, o Hidden Grooves, em um hotel do grupo Virgin.
Em seu interior é possível ver, e sobretudo ouvir, uma coleção de 5.000 discos de vinil e colunas de som avaliadas em dezenas de milhares de dólares.
“Um verdadeiro ‘listening bar’ cumpre todos os requisitos para quem procura sentir a música”, afirma Neil Aline, diretor de entretenimento cultural na Virgin.
Como tantos outros, este ex-DJ e organizador de festas não se esquece de prestar homenagem a quem iniciou a tendência: os “jazz kissa” do Japão, bares surgidos na década de 1930 onde se podia ouvir jazz tranquilamente e que perduraram até hoje.
Quando estava em turnê, entrava nestes bares de Tóquio e Quioto e pensava: “É alucinante. É uma experiência da música radicalmente diferente daquela que se vive em salas de concertos ou clubes”, recorda Aline.
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