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TikTok adota nova política e silencia vídeos de Trump após pressão de artistas
Publicado 10/09/2026 • 19:07 | Atualizado há 2 meses
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Publicado 10/09/2026 • 19:07 | Atualizado há 2 meses
KEY POINTS
O TikTok passou a adotar novas medidas relacionadas ao uso de músicas em conteúdos políticos após uma série de episódios envolvendo a campanha e perfis ligados a Donald Trump. A mudança ganhou atenção especialmente depois que músicas de Taylor Swift começaram a ser silenciadas em vídeos publicados pelo Team Trump, perfil associado ao presidente dos Estados Unidos.
O caso envolvendo Swift aconteceu em agosto desse ano , quando ao menos três músicas da cantora , “august”, “Opalite” e “Father Figure”, deixaram de ser reproduzidas em publicações do perfil. A retirada dos áudios ocorreu antes da mudança mais ampla nas regras da plataforma, implementada apenas no fim do mês passado.
A repercussão começou quando “august”, faixa do álbum folklore, de 2020, foi silenciada em um vídeo que mostrava Donald e Melania Trump assistindo a uma queima de fogos. A publicação ainda marcava Taylor Swift e fazia uma provocação à cantora, dizendo que ela provavelmente ficaria “superanimada” com a escolha da música.
Dias depois, o áudio desapareceu da publicação. No lugar da música, o TikTok passou a informar que o detentor dos direitos autorais não havia disponibilizado aquele conteúdo na região. Fãs então passaram a verificar outras publicações do Team Trump e encontraram situações semelhantes. “Opalite” e “Father Figure”, ambas do álbum The Life of a Showgirl, lançado em 2025, também foram retiradas de vídeos da conta.
“Father Figure” havia sido utilizada em novembro de 2025 em uma montagem sobre a trajetória de Trump, que reunia imagens do presidente, de seu filho Barron e de diferentes momentos políticos. O vídeo também incluía registros relacionados ao atentado sofrido por Trump durante um comício na Pensilvânia, em julho de 2024. Posteriormente, a publicação perdeu o áudio e, segundo veículos americanos, acabou removida.
O episódio envolvendo Taylor é mais um capítulo da relação conflituosa entre a cantora e Trump. A cantora passou a se posicionar politicamente de maneira mais explícita a partir de 2018. Nas eleições de 2020, declarou apoio a Joe Biden e Kamala Harris e, em 2024, voltou a apoiar Harris na disputa contra Trump.
Naquele ano, a cantora também criticou a circulação de imagens produzidas por inteligência artificial que sugeriam falsamente que ela apoiava a candidatura republicana. Ao declarar seu voto em Harris, Swift citou justamente o episódio como uma das razões para tornar pública sua posição política.
Trump respondeu com críticas à cantora e chegou a publicar em sua plataforma Truth Social a frase: “EU ODEIO A TAYLOR. SWIFT!”.
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Siga o Times | CNBCO uso de músicas de artistas sem autorização ou contra a vontade de seus responsáveis não é uma situação nova nas campanhas de Trump. Ao longo de diferentes ciclos eleitorais, diversos músicos já pediram que suas obras fossem retiradas de eventos, vídeos ou materiais relacionados ao político.
Beyoncé, por exemplo, teve sua equipe envolvida em uma disputa após a música “Freedom” ser utilizada em um vídeo de Trump em 2024. A equipe da cantora enviou uma notificação extrajudicial exigindo que o uso da faixa fosse interrompido. A música havia sido autorizada por Beyoncé para a campanha de Kamala Harris.
Outro caso envolveu Olivia Rodrigo. Em 2025, a cantora criticou a Casa Branca depois que “All-American Bitch” apareceu em um vídeo relacionado a ações de deportação do ICE. Rodrigo afirmou que suas músicas não deveriam ser utilizadas para promover o que classificou como uma agenda “racista e odiosa”.
Recentemente, em agosto desse ano, Bad Bunny também pediu a retirada da sua canção, quando a conta oficial da Casa Branca no TikTok publicou um video celebrando deportações ao som de La Mudanza do astro porto-riquenho, Benito removeu discretamente o áudio daquele vídeo específico, sem comentários. Foi uma estratégia inteligente que inspirou Taylor Swift a tomar atitude semelhante dias depois.
O cantor norte-americano Noah Kahan também não ficou nada contente quando a conta oficial do Instagram da Casa Branca publicou fotos da visita do presidente, em julho de 2026, ao principal centro de testes da General Motors em Michigan, com a música ´´American Cars´´. “Jamais aprovaria que minha música fosse usada para apoiar você ou este governo”, escreveu Kahan em um comentário na publicação
É nesse contexto que a mudança adotada pelo TikTok ganha relevância. A plataforma passou a reforçar suas regras relacionadas ao uso de conteúdo musical em materiais políticos, em um movimento que ocorre depois de anos de disputas envolvendo artistas e campanhas eleitorais.
A combinação entre direitos autorais, posicionamento político dos artistas e regras das plataformas digitais transformou o uso de músicas em campanhas eleitorais em uma questão cada vez mais sensível. Para artistas que não desejam associar suas obras a determinados candidatos ou discursos, a retirada dos conteúdos se tornou uma das principais formas de contestação.
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