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O fenômeno ‘Backrooms’, que faturou 3 vezes o valor do orçamento somente no primeiro dia em cartaz
Publicado 04/06/2026 • 14:51 | Atualizado há 2 horas
Publicado 04/06/2026 • 14:51 | Atualizado há 2 horas
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Foto: A24
Os Backrooms são um dos maiores fenômenos de horror da internet dos últimos anos. O conceito mistura terror psicológico, nostalgia e a sensação inquietante de estar em um lugar familiar, mas estranhamente errado, algo conhecido na internet como liminal space (espaço liminar). O sucesso foi tão grande que a ideia saiu dos fóruns online, inspirou jogos, vídeos virais e até um filme, dirigido pelo jovem Kane Parsons que, com um orçamento tão modesto, ao menos para os padrões de Hollywood, já é um gigantesco sucesso comercial.
A origem dos Backrooms remonta a maio de 2019, quando uma imagem de uma sala vazia com paredes amareladas, carpete desgastado e luzes fluorescentes foi publicada anonimamente no fórum 4chan. A imagem enigmática, registrada em 2002 durante a reforma do segundo andar de uma antiga loja de móveis em Oshkosh, no estado de Wisconsin, nos Estados Unidos, se espalhou rapidamente e criou um movimento sem precedentes na internet no formato de creepypasta, termo que remete a histórias de terror virais criadas nas redes.

Em resposta à foto na postagem original, outro usuário escreveu um pequeno texto que se tornaria lendário: a ideia de que alguém poderia “sair da realidade” (noclip, termo emprestado dos videogames) e acabar preso em um labirinto infinito de salas aparentemente vazias. Atualmente, o espaço original já não existe como era na época da foto e foi convertido em uma pista coberta para carros de controle remoto.
Na mitologia criada pela internet, os Backrooms são uma dimensão paralela composta por corredores intermináveis, salas abandonadas e ambientes sem lógica aparente. O terror não está apenas em monstros ou ameaças, mas na sensação de isolamento, repetição e perda de referência espacial.
O conceito se conecta diretamente à estética dos chamados espaços liminares, locais normalmente movimentados, como escritórios, shoppings ou escolas, mas mostrados completamente vazios, gerando uma sensação de desconforto e estranheza.
Após viralizar em fóruns como Reddit e comunidades de creepypasta, os usuários começaram a expandir o universo original, criando centenas de “níveis”, criaturas e histórias próprias, adicionando camadas à lore das Backrooms. O que era apenas uma foto com um texto virou um dos maiores projetos colaborativos de horror da internet.
O grande salto para o mainstream aconteceu em 2022, quando o jovem criador Parsons, conhecido como Kane Pixels, lançou no YouTube o curta “The Backrooms (Found Footage)”. O vídeo simulava uma gravação em VHS encontrada dentro dos Backrooms e impressionou pela qualidade dos efeitos visuais. Em poucas semanas, acumulou dezenas de milhões de visualizações e transformou o fenômeno, que já era conhecido online, em um verdadeiro sucesso global.
O impacto cultural da produção independente foi tão grande que a produtora A24, conhecida por apoiar projetos menores e mais criativos, desenvolveu a adaptação cinematográfica, “Backrooms: Um Não Lugar“, totalmente baseada na série do YouTube.
A adaptação cinematográfica da creepypasta estreou nos cinemas dos Estados Unidos com números impressionantes e já figura entre os maiores sucessos recentes do gênero. Protagonizado por Chiwetel Ejiofor e Renate Reinsve, o longa arrecadou US$ 38,4 milhões apenas nas primeiras 24 horas em cartaz, valor que representa quase quatro vezes o investimento estimado de US$ 10 milhões na produção.
Uma semana após a estreia, Backrooms foi ainda além e alcançou um marco inédito para a A24 ao registrar a maior arrecadação doméstica já obtida por uma produção do estúdio, ultrapassando o desempenho de todos os seus lançamentos anteriores nos Estados Unidos como “Tudo em Todo o Lugar ao Mesmo Tempo”, “Hereditário” e “Guerra Civil”. O projeto consolidou o longa de terror como uma das raros casos em que uma creepypasta criada coletivamente na internet evoluiu para uma grande franquia audiovisual.

Na trama, Ejiofor interpreta Clark, proprietário de uma loja de móveis que se depara com um ambiente misterioso e aparentemente interminável. Intrigado pela descoberta, ele decide investigar o local em busca de respostas, mergulhando em um cenário que desafia a lógica e a própria percepção da realidade.
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Seguir no GoogleO projeto foi desenvolvido em parceria com os estúdios 21 Laps Entertainment, Atomic Monster, Blumhouse, Chernin Entertainment, Oddfellows Pictures e Phobos. Kane Parsons assumiu a direção do longa e dividiu o roteiro com Will Soodik e Robert Patino, profissionais conhecidos por seu trabalho na série “Westworld”.
Backrooms: Um Não Lugar está em cartaz nos cinemas brasileiros.
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