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EXCLUSIVO: Expansão da divulgação digital de novos destinos dá força à industria do turismo, mas é preciso infraestrutura, diz executiva do Fórum Mundial Econômico

Publicado 28/09/2026 • 21:19 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • Brasil ocupa a 26ª posição no Índice de Desenvolvimento de Viagens e Turismo de 2026 e tem o melhor desempenho da América Latina.
  • País está entre as economias emergentes que mais avançam no turismo, impulsionado por conectividade e novos destinos.
  • Segurança, infraestrutura e diversificação dos destinos ainda são pontos que podem ampliar a competitividade brasileira no setor.

O Brasil ganhou espaço entre as economias que mais avançam no turismo mundial e ocupa a liderança na América Latina, segundo Ramya Krishnaswany, diretora de Economia da Experiência e Cidades do Fórum Econômico Mundial. O país aparece na 26ª posição entre 110 economias avaliadas na edição de 2026 do Índice de Desenvolvimento de Viagens e Turismo.

Em entrevista exclusiva ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, Krishnaswany destacou que Brasil, China, Índia, México, Turquia e Malásia estão entre as economias do turismo que apresentam crescimento mais acelerado. O movimento ocorre enquanto as condições para o setor melhoraram em 92% dos países analisados pelo Fórum Econômico Mundial.

“O Brasil é um grande líder na região e é o mais forte no Índice de Desenvolvimento de Viagens e Turismo da América Latina. O país tem uma posição muito forte aqui. Ele está classificado em 26º lugar este ano”, destacou.

Emergentes avançam no turismo mundial

Segundo Krishnaswany, a melhora global é impulsionada por maior conectividade aérea, expansão das atrações culturais e naturais, evolução dos serviços turísticos e avanço da conectividade digital.

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“Mais lugares estão conectados pelo ar. Isso permite que as pessoas viajem mais facilmente. Mais e mais atrações estão surgindo sob uma perspectiva cultural e de natureza”, explicou.

As economias desenvolvidas ainda ocupam as primeiras posições principalmente por apresentarem infraestrutura e conectividade mais consolidadas, fatores considerados fundamentais tanto para viagens de negócios quanto de lazer.

Os emergentes, entretanto, vêm reduzindo essa distância. “Brasil, China, Índia, México, Turquia e Malásia são algumas das economias de turismo que mais crescem, conforme vimos neste índice”, ressaltou.

De acordo com Krishnaswany, esses países estão ampliando a conectividade, colocando novos destinos no mapa e atraindo mais visitantes. O peso econômico da atividade também é significativo: segundo os números apresentados pela executiva, viagens e turismo movimentam globalmente US$ 11,6 trilhões e geram quase 330 milhões de empregos.

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“Isso não é brincadeira e deve ser levado muito a sério”, afirmou.

Brasil tem ativos naturais e culturais como vantagem

Krishnaswany destacou que o avanço brasileiro está relacionado, entre outros fatores, à riqueza de seus atrativos. “É um mercado que está melhorando significativamente porque possui alguns dos ativos turísticos mais valiosos do mundo”, avaliou.

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Para ampliar a competitividade, porém, a executiva apontou espaço para avanços em segurança e proteção, além da necessidade de fazer com que os benefícios econômicos gerados pela atividade cheguem também às populações locais.

Outro desafio é diversificar os destinos oferecidos aos visitantes. Segundo ela, isso pode evitar a concentração excessiva de turistas em lugares já consolidados e distribuir melhor os fluxos pelo território brasileiro.

“É preciso garantir que alguns dos destinos que já estão realmente no mapa não fiquem superlotados e que mais destinos surjam, para que os visitantes tenham lugares diferentes no Brasil para conhecer”, disse.

A tecnologia pode ajudar nesse processo. Krishnaswany ressaltou a força do Brasil no conteúdo produzido pelos próprios usuários nas plataformas digitais, incluindo influenciadores que apresentam lugares menos conhecidos.

“O Brasil realmente mostrou força no que eu chamaria de descoberta gerada pelo usuário, com conteúdo produzido por vários influenciadores que começaram a mostrar caminhos incomuns”, comentou.

Segundo ela, esse movimento colocou novos destinos no mapa e ajudou a atrair visitantes ao país. A expansão da divulgação digital, contudo, precisa ser acompanhada por investimentos em infraestrutura e geração de benefícios econômicos para as comunidades locais.

Turismo enfrenta escassez global de trabalhadores

Apesar da melhora das condições para o setor, Krishnaswany apontou desafios que vão além do Brasil. Entre eles estão a elevação dos preços, a distribuição dos ganhos econômicos do turismo e a falta de trabalhadores.

Segundo as projeções apresentadas na entrevista, o setor poderá enfrentar uma escassez global de 43 milhões de trabalhadores até 2035. “A indústria precisa ser muito mais proativa em atrair pessoas para trabalhar no setor, treiná-las e garantir que permaneçam nele”, explicou.

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Um dos problemas, segundo ela, é que profissionais entram no turismo e posteriormente migram para outras atividades de atendimento ao cliente. A indústria precisa, portanto, avançar tanto na retenção quanto na qualificação e requalificação dos trabalhadores.

Krishnaswany também destacou uma característica que pode favorecer o turismo diante do avanço da inteligência artificial. “Viagens, turismo e hospitalidade são um dos setores que permanecerão próximos aos humanos, onde empregos podem ser atraentes e duradouros”, concluiu.

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