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EXCLUSIVO CNBC: Como empresas de criptomoedas usaram o futebol para conquistar credibilidade

Publicado 14/10/2026 • 14:35 | Atualizado há 4 horas

KEY POINTS

  • A pandemia reduziu as receitas dos clubes e abriu espaço para empresas de criptomoedas investirem em patrocínios esportivos.
  • As empresas buscaram visibilidade e credibilidade ao se associar a clubes tradicionais, enquanto o futebol ganhou novas fontes de receita.
  • Com a desaceleração do mercado cripto e mudanças nas regras de patrocínio de apostas, a relação entre clubes e empresas digitais se tornou mais complexa.

A pandemia de Covid-19 provocou uma crise financeira no futebol e abriu oportunidades para um setor em rápida expansão: o das criptomoedas. Com estádios vazios e receitas em queda, clubes passaram a buscar novas fontes de financiamento, enquanto empresas de ativos digitais encontraram no esporte uma forma de fortalecer suas marcas e conquistar credibilidade.

No primeiro episódio da série especial da CNBC, a reportagem mostra como essa combinação impulsionou uma corrida por patrocínios no futebol internacional a partir de 2020, aproximando clubes tradicionais de plataformas de criptomoedas, empresas de blockchain e grandes corretoras.

A crise dos clubes abriu espaço para o mercado cripto

A interrupção das partidas e a ausência de público nos estádios atingiram uma das principais fontes de receita do futebol: a venda de ingressos e as receitas de dias de jogo. Segundo Kieran Maguire, professor de finanças do futebol na Universidade de Liverpool, essa fonte representa cerca de 15% da receita da Premier League, mas pode chegar a 30% ou 40% em outras grandes ligas e superar metade da receita em competições menores.

A crise afetou também os contratos comerciais. Com os jogos disputados sem torcedores, patrocinadores renegociaram acordos ou atrasaram pagamentos, enquanto os clubes tentavam compensar as perdas. Na temporada 2019/2020, o mercado europeu de futebol encolheu 13%, de quase € 30 bilhões para pouco mais de € 25 bilhões, segundo os dados apresentados na reportagem.

Ao mesmo tempo, o mercado de criptomoedas crescia rapidamente. Entre março de 2020 e agosto de 2021, sua capitalização total avançou de aproximadamente US$ 160 bilhões para cerca de US$ 2 trilhões, criando um ambiente favorável à expansão dos patrocínios de empresas do setor.

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Visibilidade e confiança em troca de patrocínio

Para as empresas de criptoativos, associar suas marcas a clubes tradicionais significava alcançar públicos globais e se aproximar de instituições com forte conexão emocional com os torcedores. A estratégia não se limitava à exposição de logotipos em uniformes: buscava transferir parte da confiança construída pelo futebol para marcas ainda em consolidação.

A Bitpanda, plataforma de criptomoedas sediada em Viena, é um exemplo dessa estratégia. A empresa mantém parcerias com clubes como Milan, Bayern de Munique, Paris Saint-Germain e Arsenal.

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Na avaliação de seus representantes, os acordos ajudam a ampliar o reconhecimento da marca e permitem ativar campanhas publicitárias em diferentes mercados. Para Rob Wilson, diretor da Universidade de Negócios do Futebol, os clubes enxergaram nos contratos uma forma de cobrir parte do rombo financeiro provocado pela pandemia.

A combinação de clubes em busca de dinheiro e empresas interessadas em legitimidade favoreceu acordos milionários em diferentes segmentos do mercado cripto, de plataformas de blockchain a grandes corretoras.

O espaço deixado pelas empresas de apostas

A busca por novas receitas também se relaciona às mudanças no mercado tradicional de patrocínios. A partir da temporada 2026/2027, os clubes da Premier League ficam impedidos de exibir marcas de empresas de apostas na parte frontal das camisas.

Na temporada anterior, oito equipes ainda tinham esse tipo de patrocínio, em contratos estimados em £ 60 milhões por ano. A restrição abre espaço para outras categorias de anunciantes, incluindo empresas de criptomoedas interessadas em ocupar posições de destaque nos uniformes.

Entre 2021 e 2024, o futebol foi a principal categoria global para novos patrocínios, superando outros esportes importantes, de acordo com os dados citados na reportagem.

Um acordo que ficou mais complexo

Durante o auge do mercado cripto, os clubes ganharam novas fontes de receita, enquanto as empresas conquistaram exposição e acesso a milhões de fãs. Mas a relação também envolvia riscos: a confiança associada aos clubes podia beneficiar as marcas patrocinadoras sem necessariamente refletir a solidez dos negócios ou dos ativos digitais oferecidos.

Com a desaceleração do boom das criptomoedas, os contratos passaram a ser vistos de maneira mais complexa. O que parecia uma solução financeira vantajosa para os clubes e uma oportunidade de construção de marca para as empresas passou a exigir maior atenção aos riscos envolvidos.

A trajetória desses acordos revela como crises econômicas e mudanças nos mercados podem transformar o patrocínio esportivo em uma ferramenta estratégica, tanto para financiar clubes quanto para consolidar setores emergentes.

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