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Caso ‘Master Capixaba’ faz CVC despencar na Bolsa e enfrentar crise da sócia às vésperas do balanço

Publicado 11/08/2026 • 09:40 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • Ações CVCB3 caem 6,58% em um pregão e chegam à véspera do balanço do 2º trimestre sob efeito da crise na Apex Partners
  • Fernando Cinelli renuncia ao conselho da CVC após ser afastado da presidência da Apex Partners em meio a crise financeira
  • Analistas mantêm recomendação neutra para CVCB3 enquanto bloco ligado à Apex negocia proteção judicial contra dívida bilionária

As ações da companhia de turismo CVC fecharam o pregão de segunda-feira (10) cotadas a R$ 1,42, representando uma queda de 6,58%, em meio à repercussão da crise financeira da Apex Partners, gestora que integra o bloco de acionistas relevantes da companhia, detentora de 15,5% do capital total. O movimento ocorre dois dias antes de a CVC divulgar o balanço do segundo trimestre, previsto para quarta-feira (12).

O papel já vinha de um período de forte oscilação em 2026. Em 19 de junho, a ação atingiu a mínima histórica, na faixa de R$ 1,20 a R$ 1,27, segundo dados de mercado. Em 6 de agosto, na véspera da crise da Apex se tornar pública, chegou a disparar mais de 13% em um único pregão, negociada a R$ 1,55, em um movimento que analistas atribuíram a fatores técnicos e à proximidade do balanço trimestral, sem relação com fato relevante da própria companhia.

Leia também: Master Capixaba: Apex Partners – sócia da CVC – consegue proteção judicial para não pagar R$ 985 milhões em dívidas

CVC perde conselheiro indicado pela Apex

Em 6 de agosto, a CVC comunicou ao mercado, em documento assinado pelo diretor financeiro e de relações com investidores, Felipe Pinto Gomes, que Fernando Antonio Kulnig Cinelli havia renunciado ao cargo de conselheiro. Cinelli fora eleito em maio para a cadeira do conselho como parte da formalização de um acordo de acionistas entre a CVC e o bloco vinculado à Apex, da qual era presidente até seu afastamento na crise atual.

A CVC informou que o cargo ficará vago até a nomeação de um substituto, conforme o estatuto social. A companhia não divulgou fato relevante avaliando efeitos indiretos da crise da Apex sobre a liquidez das próprias ações nem se manifestou sobre o risco de venda da participação detida pelos fundos do grupo capixaba.

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Acordo de acionistas revela estrutura da participação

Documentos arquivados na Comissão de Valores Mobiliários confirmam que um bloco de fundos ligados à Apex Partners e à BRM Carbyne Gestão de Recursos formalizou, em 2 de abril, acordo de acionistas com a CVC. O acordo entrou em vigor em 5 de maio, depois de uma assembleia geral extraordinária dispensar a companhia da obrigação de realizar oferta pública de aquisição de ações por atingimento de participação relevante.

Os documentos da CVM confirmam participação superior a 5% das ações ordinárias da companhia por parte do bloco. O consolidado de 15,5% citado por levantamentos de mercado não aparece detalhado fundo a fundo no Formulário de Referência da CVC.

Analistas matinham cautela mesmo antes da crise

O consenso de mercado rastreado por agregadores financeiros já classificava CVCB3 como recomendação neutra antes da crise da Apex, com preço-alvo médio entre R$ 2,70 e R$ 2,73, de um total de quatro casas de análise, sendo uma recomendação de compra e três de manutenção. O BTG Pactual, em relatório com dados consolidados em 29 de julho, mantinha recomendação neutra e preço-alvo de R$ 3,00, citando desafios de desalavancagem financeira e concorrência do setor de viagens online. Em nota anterior, de março, o Itaú BBA mantinha recomendação de compra para o papel, também com preço-alvo de R$ 3,00, ponderando que o mercado seguiria atento à capacidade da companhia de reduzir dívida em um cenário mais competitivo.

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