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Alívio no petróleo esbarra em risco de oferta e gargalo no Golfo Pérsico
Publicado 17/04/2026 • 20:03 | Atualizado há 7 meses
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Publicado 17/04/2026 • 20:03 | Atualizado há 7 meses
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A queda do petróleo nesta sexta-feira (17) não significa uma normalização do mercado de energia, na avaliação de Carlos Braga, professor associado da Fundação Dom Cabral e ex-diretor do Banco Mundial. Segundo ele, o movimento de alívio nas cotações ainda convive com um nível elevado de incerteza sobre oferta, frete e segurança na região do Golfo Pérsico.
Em entrevista ao Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC, Braga afirmou que as sinalizações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, têm influenciado diretamente o humor dos mercados, mas disse que ainda é cedo para concluir que a crise no Estreito de Ormuz foi superada.
“Estamos vivendo um momento caracterizado por um grau de incerteza extremamente elevado”, afirmou. Segundo ele, mesmo com declarações favoráveis à retirada do bloqueio, o mercado ainda precisa entender se a reabertura da rota será de fato sustentada.
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Braga destacou que o congestionamento de embarcações no Golfo Pérsico continua afetando a logística global de energia. “Mais de 800 navios estavam engarrafados, digamos assim, no Golfo Pérsico por causa do conflito”, disse. Para ele, armadores ainda avaliam o risco de novos ataques, da presença de minas e da efetiva segurança da navegação.
Na avaliação do professor, esse quadro mantém distorções relevantes no mercado físico de petróleo. O barril embarcado segue negociado bem acima da referência financeira, refletindo o custo adicional imposto pela crise sobre frete e disponibilidade imediata da commodity.
“O preço do frete e a disponibilidade de petróleo vão continuar a ser um problema”, afirmou. Ele observou que o Brent Dubai para entrega embarcada chegou a ficar entre US$ 20 e US$ 30 acima do Brent financeiro, em meio às incertezas sobre fluxo e oferta.
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Siga o Times | CNBCBraga também destacou que o impacto da crise não se distribui de forma homogênea. Para ele, os países asiáticos tendem a sofrer mais, já que concentram parte importante da demanda por petróleo da região e dependem mais diretamente desse fluxo. A China, principal destino das exportações iranianas, tem mais capacidade de absorver choques, mas outras áreas já começam a adotar medidas excepcionais para reduzir consumo e circulação.
Ele ressaltou ainda que os efeitos sobre a oferta global de energia dependerão do tamanho dos danos à infraestrutura dos países do Golfo. Segundo Braga, ainda não está claro qual foi o impacto do conflito sobre a capacidade de produção e escoamento, especialmente em petróleo e gás liquefeito.
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Ao comentar o cenário global, o professor afirmou que a economia dos Estados Unidos continua mostrando resiliência, impulsionada por tecnologia, inteligência artificial e investimentos em data centers, mas ponderou que o restante do mundo segue mais vulnerável ao choque energético.
Braga citou ainda a revisão do cenário global pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) e disse que o nível de incerteza tem dificultado projeções mais precisas para 2026. Para ele, embora o cenário-base ainda não aponte recessão, os riscos aumentaram e já existem hipóteses mais adversas para o crescimento mundial.
“O FMI reconheceu que é praticamente impossível fazer essas estimativas, dado o grau de incerteza que a gente tem nos mercados hoje”, afirmou.
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