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Bolsa se distancia do auge com decisões de juros no Brasil e nos EUA; estrangeiros ampliam retirada de capital
Publicado 27/04/2026 • 23:12 | Atualizado há 3 horas
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Publicado 27/04/2026 • 23:12 | Atualizado há 3 horas
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Após quase encostar nos 200 mil pontos, o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, parece ter perdido o seu auge. Nesta segunda-feira (27), o índice fechou em queda de 0,61% aos 189.579 pontos. Foi o menor patamar desde 07 de abril, quando o indicador atingiu o patamar de 188.258 pontos.
Diante de um cenário de cautela com cortes de juros no Brasil e nos EUA e fuga do fluxo estrangeiro, a grande dúvida do investidor é se a bolsa brasileira perdeu seu brilho ou ainda há espaço para usufruir das altas.
Breno Falseti, sócio da gestora Rubik Capital, afirma que o ciclo de valorização da bolsa ainda segue em curso, apesar que a fase mais fácil tenha provavelmente ficado para trás. “A primeira fase de alta foi alimentada pela combinação do Brasil descontado em termos absolutos, dólar globalmente enfraquecido e busca por ativos reais em ambiente de inflação persistente. Esse pano de fundo segue válido”, avalia.
Já em relação a guerra, Falseti acredita que o rumo do conflito não invalida a tese mas reforça a relevância do Brasil como fornecedor de commodities energéticas, metálicas e proteínas.
O especialista apontou ao Times Brasil – licenciado exclusivo CNBC, que o principal risco para a continuidade do ciclo de alta da bolsa não está nos fatores geopolíticos, mas em uma eventual retração mais aguda da atividade americana, capaz de reduzir o apetite global por risco. “Enquanto esse cenário não se materializar, a tese de alocação estrutural em emergentes, e no Brasil em particular, continua de pé”, defende.
Artur Horta, head de análise da The Link Investimentos, acredita que investidores globais têm buscado maior diversificação geográfica, reduzindo a concentração excessiva nos Estados Unidos.
Para Horta, o movimento é impulsionado tanto por fatores geopolíticos quanto pela volatilidade de mercados desenvolvidos. Mas, faz a ressalva, que o fluxo de recursos para emergentes tende a ser cíclico, alternando períodos de maior apetite por risco com momentos de retração, acompanhando a evolução do cenário macro global.
“Apesar disso, para os próximos anos, a tendência é de continuidade desse fluxo para mercados emergentes, com o Brasil no radar dos investidores internacionais”
Horta observa que mesmo diante do conflito, que gerou incertezas e pressionou expectativas de inflação, houve uma correção nos ativos da bolsa brasileira, que já estavam bastante esticados. “O aumento do risco apenas acelerou o movimento de ajuste”, diz.
O analista destaca a concentração do Ibovespa, onde 10 empresas representam quase metade do índice. Essa dependência em um ambiente mais incerto, limita o potencial de alta da bolsa no curto prazo.
“Diante desse cenário, não há prêmio de risco suficiente que justifique uma exposição mais agressiva à bolsa brasileira, especialmente considerando o atual patamar de juros e o nível de incerteza no radar”, ponta.
Relatório do Santander, mostrou que a saída de investidores estrangeiros tem pressionado o desempenho da bolsa, principalmente por um movimento de rotação global. Isso não necessariamente se traduz em deterioração de fundamentos.
Até meados de abril, houve uma saída líquida de quase R$ 5 bilhões de recursos de investidores estrangeiros, principalmente em ações de grande porte.
De acordo com o relatório, o Brasil ainda segue sensível ao fluxo estrangeiro. Já a nível global, a instituição aponta rotação para mercados asiáticos, como Coreia do Sul e Taiwan, fortalecidos por semicondutores e inteligência artificial.
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