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Da bolsa aos juros: como a incerteza das novas tarifas de Trump mexeram no mercado
Publicado 23/02/2026 • 21:07 | Atualizado há 3 meses
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KEY POINTS
O fechamento do mercado financeiro brasileiro nesta segunda-feira foi marcado por um movimento de realização de lucros, que impediu o Ibovespa de sustentar novas máximas históricas, disse Josias Bento, especialista em investimentos e sócio da GT Capital, em entrevista ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC.
Ele explicou que, apesar do desempenho positivo de gigantes como Vale e Petrobras, o setor bancário pesou negativamente no índice: “O Ibovespa teve essa alta ao longo desse dia. A gente podia acreditar que seria uma alta relevante, mas o total não foi tão bem assim. Principalmente na parte dos bancos, que levaram o Ibovespa um pouquinho mais para baixo. Mas hoje dá para dizer que foi um dia de realizações”.
A volatilidade foi alimentada pela insegurança jurídica nos Estados Unidos e tensões geopolíticas globais. “O mercado viu isso com uma incerteza muito grande. A guerra comercial que a gente já tinha colocado no preço, que já estava mais ou menos definida, teve uma reviravolta. E o grande ponto mesmo é entender o que pode acontecer em relação a um conflito entre Estados Unidos e Irã”, analisou.
No câmbio, o real mostrou força com a entrada expressiva de capital estrangeiro, somando mais de US$ 10 bilhões (R$ 51,7 bilhões) apenas em fevereiro. “O mercado americano está muito inflado. Então, os investidores vão tirando dinheiro desses mercados maiores, trazendo para os emergentes. A gente está se aproveitando desse recurso que estava em países com aversão ao risco menor”, pontuou.
Sobre a política monetária, o especialista da GT Capital projeta uma postura cautelosa do Banco Central para a reunião de março. “A gente vai ver um corte entre 0,50 a 0,75 ponto percentual. O Banco Central deve agir com muita cautela para entender como é que a inflação vai se dar ao longo desse período, considerando que nossa economia está um pouco mais pujante”.
A queda acentuada dos grandes bancos, como Itaú e Santander, foi atribuída a uma estratégia de rotação de carteiras no mercado. “Os bancos foram os maiores captadores de recursos em janeiro. Estamos vendo uma migração muito forte desses capitais de blue chips para empresas small caps, que ainda não atingiram o seu preço-alvo. Essa mudança, chamada de rotation (rotação), vai acontecer bastante ao longo do ano”.
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