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Ibovespa cai 0,63% com pressão externa; eleição segue no foco do mercado

Publicado 14/09/2026 • 18:19 | Atualizado há 2 horas

KEY POINTS

  • O Ibovespa recuou nesta segunda-feira (14), pressionado pelo ambiente externo negativo e pela queda de ações ligadas a commodities e tecnologia.
  • A bolsa brasileira encerrou o dia em queda de 0,63%, aos 186.033 pontos, enquanto o dólar avançou 0,42%, a R$ 5,15.
  • Mercado ainda tem como principal gatilho a eleição presidencial e as pesquisas sobre a disputa de outubro.

Depois de várias sessões dominadas pelo noticiário eleitoral brasileiro, o Ibovespa voltou a acompanhar mais de perto o exterior nesta segunda-feira (14), em um movimento de correção considerado natural após a forte valorização recente, afirmou Felipe Corleta, sócio da GTF Capital, em entrevista ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC.

O Ibovespa encerrou o dia em queda de 0,63%, aos 186.033 pontos, enquanto o dólar avançou 0,42%, a R$ 5,15. Segundo Corleta, apesar da influência externa desta sessão, as expectativas para a eleição presidencial continuam sendo o fator com maior potencial para definir a direção da Bolsa, do câmbio e da curva de juros nas próximas semanas.

IA e juros pressionam mercados internacionais

Corleta destacou que a sessão foi marcada por um ambiente negativo para mercados emergentes, em meio às preocupações com a inflação e às expectativas para a decisão de juros dos Estados Unidos nesta semana.

O movimento também foi intensificado, segundo ele, pelas discussões entre executivos das grandes empresas de tecnologia sobre os riscos associados à velocidade de desenvolvimento da inteligência artificial.

“Você tem essas big techs pedindo para que esse crescimento da IA, que está entrando em uma curva exponencial, seja um pouco mais paulatino, que as empresas consigam encontrar um desenvolvimento um pouco mais sustentável, que não crie riscos”, explicou.

A preocupação atingiu principalmente empresas relacionadas à infraestrutura necessária para inteligência artificial, incluindo fabricantes de semicondutores e memórias, que registraram fortes quedas no mercado americano.

Petróleo mantém pressão sobre inflação

Outro ponto de atenção permanece no Oriente Médio. Corleta ressaltou que o conflito envolvendo o Irã continua distante de uma solução, mantendo os preços da energia elevados.

O petróleo chegou a superar US$ 106 por barril (R$ 544,84) durante a sessão. Segundo o especialista, preços elevados da commodity podem aumentar os custos dos combustíveis e dos transportes e, consequentemente, reforçar pressões inflacionárias nos Estados Unidos.

“Pressiona o preço da gasolina, pressiona o preço dos transportes e reforça a expectativa de que os Estados Unidos vão ter que conviver com um juro um pouco mais alto, na medida em que isso se transforma em inflação”, afirmou.

Corleta observou que declarações do presidente americano, Donald Trump, contribuíram para algum alívio durante o dia, incluindo comentários sobre o fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz e sobre um entendimento entre Rússia e Ucrânia para evitar ataques contra infraestruturas de energia.

Eleição continua no centro das atenções

Apesar da piora externa, Corleta avalia que a queda desta segunda-feira também precisa ser analisada diante da forte valorização acumulada anteriormente pelo mercado brasileiro.

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“O Brasil vem de uma alta na Bolsa de 15% a 16%. A gente viu o mercado sair de 170 mil pontos para quase 190 mil. Agora corrige, cai 3% do topo, um movimento normal de mercado”, afirmou.

Para o especialista, porém, o principal catalisador doméstico permanece sendo a corrida presidencial. Pesquisas eleitorais, acontecimentos no Judiciário e o noticiário político devem aumentar a volatilidade até o primeiro turno, previsto para o início de outubro.

“É um mês que promete, até o primeiro turno, muita volatilidade, com o noticiário político fazendo bastante preço, mas ainda assim não completamente descolado do exterior”, ressaltou.

Corleta acrescentou que um ambiente internacional prolongadamente negativo pode tornar mais vulnerável a recuperação dos ativos brasileiros, principalmente caso investidores estrangeiros reduzam a exposição a mercados considerados de maior risco.

“A gente vai continuar com alguma correlação, embora o mais importante certamente para a direção dos grandes números do mercado brasileiro – Ibovespa, dólar e curva de juros continue sendo a expectativa para o pleito do próximo mês”, afirmou.

Vale acompanha queda das mineradoras

Entre as principais ações da Bolsa, Corleta destacou a queda de aproximadamente 3,2% da Vale, movimento que, segundo ele, não esteve relacionado a um fator específico da companhia.

A preocupação com uma desaceleração do avanço da inteligência artificial afetou mercados asiáticos importantes, incluindo China e Coreia do Sul, com reflexos sobre empresas ligadas ao consumo de metais.

“É um dia negativo para as mineradoras e siderúrgicas em nível global. Não é algo específico da Vale. Os seus pares, outras empresas do mundo que fazem extração de minério de ferro, também não foram bem”, explicou.

Petrobras divide atenção entre petróleo e eleição

A Petrobras, por sua vez, oscilou próximo da estabilidade depois de alcançar níveis recordes históricos na sexta-feira (11). Para Corleta, parte do movimento desta segunda representa uma realização natural depois da forte valorização das ações.

A companhia também permanece exposta a dois vetores distintos. De um lado, o cenário político e eleitoral brasileiro influencia a percepção dos investidores sobre a estatal. Do outro, a escalada geopolítica no Oriente Médio continua afetando diretamente as cotações internacionais do petróleo.

“Enquanto estatal, Petrobras está muito vinculada ao cenário doméstico, à eleição. Mas, enquanto produtora de petróleo, também está muito ligada a esse conflito no Oriente Médio e aos preços da commodity”, concluiu.

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