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Plataforma de petróleo.

CNBCRali do petróleo é retomado após breve queda; Brent supera US$ 87 por barril

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Ibovespa fecha abaixo dos 180 mil pontos e recua 5% na semana com tensão geopolítica e payroll

Publicado 06/03/2026 • 18:11 | Atualizado há 3 horas

KEY POINTS

  • A bolsa brasileira encerrou a semana com perdas acumuladas e consolidou o recuo para patamares que não eram registrados desde o início do ano.
  • O desempenho negativo foi condicionado pela escalada militar no Oriente Médio e por dados de emprego nos Estados Unidos que aumentaram a incerteza global.
  • Mesmo com o lucro recorde da Petrobras segurando parte da queda, o mercado segue cauteloso com os impactos da alta do petróleo sobre a inflação e os juros.

O Ibovespa encerrou a sessão desta sexta-feira (6) em queda de 0,61%, aos 179.365 pontos. O resultado consolidou uma semana de perdas acentuadas para o mercado brasileiro, que viu o índice romper o suporte psicológico dos 180 mil pontos, patamar que não era visto desde 26 de janeiro de 2026, quando fechou em 178.721 pontos.

O movimento marca um forte contraste com o desempenho de fevereiro, quando a bolsa chegou a atingir a marca histórica dos 190 mil pontos.

O cenário global de aversão ao risco foi alimentado pela escalada drástica das tensões no Oriente Médio. As declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmando que não haverá acordo com o Irã sem uma “rendição incondicional”, somadas aos novos ataques aéreos de Israel contra alvos em Teerã e no Líbano, elevaram o temor de um conflito de larga escala.

Esse ambiente impulsionou o petróleo Brent, que saltou 8,52%, gerando preocupações sobre um choque inflacionário global que poderia paralisar o ciclo de queda de juros.

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No campo macroeconômico, o relatório de emprego dos EUA, o payroll, trouxe dados surpreendentes ao registrar o corte de 92 mil vagas em fevereiro, contrariando as expectativas de geração de postos.

Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, destaca que o sentimento de aversão ao risco dominou a sessão. “O payroll surpreendeu negativamente com revisões baixistas, mas o efeito do dado acabou sendo sobreposto pelo aumento do risco geopolítico, que passou a ser o principal driver da sessão diante de possíveis interrupções na oferta de petróleo”, explica.

Internamente, o noticiário corporativo foi dominado pelo balanço da Petrobras, que registrou lucro líquido de R$ 110,1 bilhões em 2025. O resultado ajudou a mitigar as perdas do Ibovespa, uma vez que as ações da estatal dispararam com a combinação de balanço sólido e valorização da commodity.

Contudo, o cenário institucional segue sob monitoramento devido aos desdobramentos da Operação Compliance Zero e do Caso Master, envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro, que mantêm o prêmio de risco elevado nos ativos domésticos.

A resiliência da economia brasileira apareceu nos dados da produção industrial, que cresceu 1,8% em janeiro, superando o teto das expectativas. Matheus Spiess, analista da Empiricus Research, pondera que o prolongamento do conflito internacional é a maior ameaça no momento.

“Há uma preocupação muito grande em relação à cadeia de suprimentos mundial. O avanço do petróleo pode gerar uma confusão na inflação mundial e alterar o ritmo de corte esperado para a taxa Selic no Copom deste mês”, afirma o analista.

Desempenho das ações

Maiores altas do Ibovespa

EmpresaCódigoVariação no dia (%)Fechamento (R$/ação)
Brava EnergiaBRAV34,61R$ 19,73
PrioPRIO34,27R$ 59,39
PetrobrasPETR34,12R$ 45,78
PetrobrasPETR43,49R$ 42,11
VibraVBBR32,31R$ 30,56
MagaluMGLU31,86R$ 9,33
UltraparUGPA31,69R$ 26,43
Fonte: TradeMap

Entre as maiores altas do pregão, o setor petrolífero brilhou intensamente acompanhando a disparada do barril no exterior.

A BRAV3 subiu 4,61%, seguida por PRIO3, com alta de 4,27%, e PETR3, que avançou 4,12%. A PETR4 também figurou entre os destaques positivos, encerrando com ganho de 3,49%, impulsionada pelo lucro recorde e pela perspectiva de dividendos, servindo como um suporte fundamental para que a queda do índice não fosse ainda maior.

Maiores baixas do Ibovespa

EmpresaCódigoVariação no dia (%)Fechamento (R$/ação)
EmbraerEMBJ3-8,05R$ 80,14
VamosVAMO3-7,24R$ 3,97
RaízenRAIZ4-6,78R$ 0,55
CSNCSNA3-4,26R$ 7,19
MarcopoloPOMO4-3,50R$ 6,34
Pão de AçúcarPCAR3-3,36R$ 2,88
ValeVALE3-2,99R$ 78,86
Fonte: TradeMap

Na ponta negativa, o cenário de juros futuros elevados e aversão ao risco penalizou empresas sensíveis ao ciclo doméstico.

A EMBJ3 liderou as baixas com queda de 8,05%. É a maior queda desde 9 de maio de 2023 quando a empresa caiu 9,71%.

A queda foi acompanhada pela VAMO3, que recuou 7,24%. Entre as blue chips, a VALE3 recuou 2,99%, pressionada pela queda do minério de ferro e pela deflação do IGP-DI, enquanto os grandes bancos como ITUB4 e BBDC4 caíram 1,33% e 1,41%, respectivamente.

Dólar

O dólar comercial encerrou a sessão desta sexta-feira com queda de 0,81%, cotado a R$ 5,244. Apesar de ter atingido a máxima de R$ 5,321 durante a manhã sob o impacto do estresse geopolítico, a moeda norte-americana perdeu fôlego ao longo do dia, acompanhando a dinâmica internacional do índice DXY, que recuou abaixo dos 99 pontos.

A valorização do real foi sustentada pelos dados positivos da indústria brasileira e pela deflação de 0,84% registrada pelo IGP-DI em fevereiro. Além disso, esforços de mediação diplomática citados pelo governo iraniano trouxeram um alívio pontual, permitindo que moedas ligadas a commodities recuperassem parte do valor, mesmo diante de um cenário militar que permanece extremamente volátil e incerto no exterior.

Análise

O especialista Felipe Corleta, sócio da Brazil Wealth, destacou ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC que o petróleo Brent superou os US$ 92, acumulando uma alta de 27% na semana devido ao gargalo logístico no Estreito de Ormuz, o que forçou países como o Kuwait a interromperem a produção por falta de capacidade de armazenamento e escoamento.

Em relação à Petrobras, o analista observou que o mercado digeriu bem o balanço e o pagamento de dividendos, mas ressaltou que a valorização das ações reflete mais o cenário externo do que fundamentos internos.

Ele explicou que o risco geopolítico é hoje o principal componente no preço da commodity, superando fatores de oferta e demanda tradicionais. “O investidor acaba buscando por essas empresas” em momentos de rali energético, afirmou Corleta, ponderando que a geração de caixa operacional da estatal ainda gera pontos de atenção para os analistas de mercado.

Um ponto central da análise foi o impacto na política monetária, com o mercado já precificando um ciclo de queda da Selic mais lento. Corleta alertou que, faltando 12 dias para a reunião do Copom, o consenso migrou de um corte de 50 para 25 pontos base, visando conter o choque inflacionário de energia. Nos Estados Unidos, o cenário é semelhante, com investidores já descartando cortes de juros pelo Federal Reserve em 2026, o que aumenta a busca por ativos de segurança e penaliza as economias emergentes.

Por fim, o sócio da Brazil Wealth comentou a resiliência do real, com o dólar encerrando a R$ 5,24. Ele explicou que, embora moedas emergentes sofram com a aversão ao risco, o Brasil se beneficia do petróleo em alta via balança comercial e pelo diferencial de juros mais atrativo caso a Selic permaneça elevada.

Corleta concluiu recomendando cautela para o final de semana, dado que o “índice do medo” está na máxima e novas declarações agressivas de Donald Trump podem intensificar a volatilidade dos ativos na reabertura dos mercados.

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