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Ibovespa recua com tensão no Oriente Médio e pressão sobre juros globais
Publicado 10/06/2026 • 17:45 | Atualizado há 4 meses
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Publicado 10/06/2026 • 17:45 | Atualizado há 4 meses
KEY POINTS
O Ibovespa encerrou o pregão desta quarta-feira (10), em queda de 0,68%, aos 168.658 pontos, ampliando um movimento de correção que já se estende por oito semanas. O movimento, em linha com os pares internacionais, foi pressionado pela escalada das tensões no Oriente Médio, após novos ataques dos Estados Unidos contra o Irã nos últimos dias.
As ofensivas aumentaram os temores de um conflito prolongado e reforçou as preocupações com os impactos sobre os preços da energia e a inflação global. Nos Estados Unidos, as bolsas registraram perdas mais acentuadas, especialmente entre as empresas de tecnologia, segmento mais sensível à perspectiva de juros elevados por um período mais longo.
Pela manhã, os investidores acompanharam a divulgação dos dados de inflação ao consumidor nos Estados Unidos. Embora o núcleo do índice tenha ficado abaixo das expectativas, o indicador cheio avançou ao maior nível desde 2023, impulsionado principalmente pela alta dos preços da energia. O resultado não foi suficiente para aliviar as pressões sobre a curva de juros americana, que continua refletindo expectativas de taxas elevadas por mais tempo.
Segundo David Martins, diretor de investimentos da Brasil Wealth, o mercado americano passou a enfrentar uma correção mais intensa após ter renovado máximas recentemente, enquanto a bolsa brasileira já acumula perdas expressivas. “Estamos caminhando para zerar os ganhos de 2026”, afirmou, em entrevista ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC.
Para ele, a persistência das tensões geopolíticas e a manutenção de juros elevados nos Estados Unidos seguem pressionando os mercados globais.
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Siga o Times | CNBCNo Brasil, os ativos de risco também foram impactados pelo aumento da aversão ao risco, embora de forma mais moderada.
Na avaliação de Breno Falseti, sócio da Rubik Capital, o mercado também acompanha os efeitos da expectativa em torno de grandes ofertas públicas iniciais de ações de empresas de tecnologia no exterior. “Os grandes IPOs previstos para o exterior devem gerar demanda relevante por liquidez e exigir rotação de carteiras, movimento que tende a pesar sobre ativos de risco como os de países emergentes”, afirmou.
Além do cenário internacional, investidores seguem atentos às questões domésticas. Martins destacou que as preocupações fiscais continuam pressionando a curva de juros brasileira, em um contexto de despesas públicas elevadas e dúvidas sobre a trajetória das contas públicas. Segundo ele, algumas instituições já passaram a considerar a possibilidade de interrupção do ciclo de cortes da Selic e até mesmo um retorno dos juros para níveis próximos de 15% ao ano.
Para os próximos meses, o mercado deve continuar monitorando principalmente os desdobramentos da crise no Oriente Médio, especialmente os riscos envolvendo o Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte global de petróleo.
“Enquanto persistir o prêmio de risco geopolítico sobre o petróleo e a curva de juros seguir pressionada, o viés permanece cauteloso para os ativos de risco”, avaliou Falseti. Segundo ele, uma eventual desescalada do conflito poderia aliviar parte das pressões atuais, mas, no momento, o balanço de riscos segue desfavorável para os mercados.
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