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Ibovespa retorna aos 185 mil pontos com aversão ao risco e temores sobre a guerra no Irã
Publicado 04/05/2026 • 17:40 | Atualizado há 7 dias
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Publicado 04/05/2026 • 17:40 | Atualizado há 7 dias
KEY POINTS
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O Ibovespa, principal índice de ações da bolsa de valores do Brasil, encerrou a sessão desta segunda-feira (4) em baixa de 0,92%, aos 185.600 pontos. Na sessão, o fluxo de capital de R$ 26,2 bilhões, em meio a um sentimento generalizado de aversão ao risco nos mercados.
Segundo Ecio Costa, professor de Economia da UFPE e consultor empresarial, afirmou que o mercado vem oscilando bastante nas últimas semanas em razão do cenário internacional.
Segundo ele, as notícias negativas estão sendo mais fortes do que as positivas no exterior. No cenário doméstico, avaliou que o lançamento do Desenrola 2.0 gerou mais preocupação do que ânimo no mercado. “O pacote não agradou tanto e ainda traz comprometimento ao orçamento desse ano que já estava sendo comprometido”, afirmou.
Ele diz que, apesar desse contexto, o investidor internacional continua atento ao mercado brasileiro, como já vinha ocorrendo nos últimos meses ao longo do ano.
Já Marcos Vinícius Oliveira, economista e analista da ZIIN Investimentos, a queda incorpora tanto o cenário global quanto a preocupação local com inflação, já que o petróleo mais caro tende a contaminar preços domésticos e piorar expectativas.
Ele afirma que o Estreito de Ormuz voltou ao radar após relatos desencontrados sobre possíveis ataques a embarcações envolvendo Estados Unidos e Irã, o que elevou o nível de incerteza global. Como se trata de uma rota estratégica para o fluxo de petróleo, qualquer risco de interrupção gera impacto imediato na precificação dos ativos e aumenta o prêmio de risco nos mercados.
“Esse cenário se reflete diretamente no petróleo, que sobe mais de 5%, com o Brent próximo de US$ 113 por barril. O movimento reforça preocupações com inflação global, já que energia é um componente relevante de custo, e acaba puxando uma rotação de portfólio para ativos mais defensivos. É o típico ambiente de ‘risk-off’, em que o investidor reduz exposição a risco e busca proteção”, afirmou.
Na sessão, a ação de maior desempenho foi a Prio, que avançou 5,65%, cotada a R$ 70,16. Depois, veio a Minerva (4,74%), aos R$ 3,98 e a Braskem (3,83%), aos R$ 9,50, segundo dados da RocketTrader.
No campo das perdas, o destaque vai para a Hapvida, que cedeu 7,18% e fechou o dia cotada a R$ 11,50. A segunda maior perda veio da Cyrela (-5,44%), aos R$ 20,18, seguida pelo IRB (-3,18%), aos R$ 51,54.
A segurança energética é uma das principais preocupações dos investidores após os ataques nos Emirados Árabes Unidos, uma vez que o petróleo é um dos temas mais sensíveis em meio a esse conflito para o mercado.
“Vimos o petróleo subir demais, chegando a tocar US$ 118 (R$ 588,82) por barril em determinados momentos, e com isso os investidores ficam receosos, resultando na queda da nossa bolsa.” disse o sócio da The Link Investimentos, Artur Horta, disse em entrevista ao Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC.
Mesmo com a aversão ao risco, o dólar tem apresentado um comportamento atípico de estabilidade, mantendo-se abaixo de R$ 5,00, movimento que Artur Horta atribuiu a uma mudança estrutural nas reservas globais.
Segundo ele, os grandes bancos centrais e investidores aprenderam com os conflitos geopolíticos que não podiam ficar posicionados apenas em dólar, o que os levou a buscar diversificação de reservas cambiais e a realizar negócios em outras moedas, como o yuan, fazendo com que o dólar perca força ao longo do tempo.
Sobre a duração da crise, o sócio alertou que o otimismo excessivo do mercado com as promessas de cessar-fogo da administração Trump pode ter sido precipitado. Ele afirmou que a maioria do mercado apostou que o conflito poderia ser resolvido dentro do prazo mencionado por Trump, mas que as perspectivas acabaram sendo frustradas. Comparou ainda a situação à guerra da Ucrânia, na qual o petróleo subiu com 5 milhões de barris saindo do mercado, enquanto agora seriam cerca de 20 milhões, e mesmo assim o preço estaria em US$ 118 (R$ 588,82).
“Mesmo que os países cheguem a um consenso amanhã, as estimativas apontam que demoraria de dois a três meses para o Estreito de Ormuz retomar 100% do tráfego e a produção ser religada em capacidade máxima. É uma situação que merece atenção especial e os investidores não podem ser tão otimistas”, concluiu.
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