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Ibovespa sobe 0,47% e dólar cai abaixo de R$ 5 no último pregão antes do segundo turno

Publicado 23/10/2026 • 18:13 | Atualizado há 42 minutos

KEY POINTS

  • Ibovespa avançou 0,47%, aos 205.082,56 pontos, com volume financeiro de R$ 30,7 bilhões. Na semana, o índice acumulou queda de 0,17%.
  • Dólar à vista recuou 0,92%, a R$ 4,9931, e encerrou a semana com desvalorização de 1,58%.
  • Expectativas eleitorais sustentaram o desempenho dos ativos brasileiros, apesar do cenário externo desfavorável.

O Ibovespa fechou em alta de 0,47% nesta sexta-feira (23), aos 205.082,56 pontos, sustentado pelo maior apetite por risco no mercado brasileiro às vésperas do segundo turno das eleições presidenciais. O dólar, por sua vez, recuou 0,92%, a R$ 4,9931, encerrando a última sessão antes da votação abaixo dos R$ 5, em um movimento de valorização dos ativos domésticos que contrariou o cenário negativo no exterior.

O principal índice da bolsa brasileira oscilou entre a mínima de 203.428,00 pontos e a máxima de 205.757,04 pontos ao longo do pregão. O volume financeiro somou R$ 30,7 bilhões. Apesar da recuperação nesta sexta-feira, o Ibovespa acumulou queda de 0,17% na semana.

No câmbio, a moeda americana também apresentou volatilidade, negociada entre R$ 4,9891 e R$ 5,0557 durante a sessão. Na semana, o dólar acumulou desvalorização de 1,58% frente ao real.

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A recuperação da bolsa e a queda do dólar ganharam força durante a tarde, enquanto investidores ajustavam suas posições antes da eleição de domingo. O movimento ocorreu apesar da pressão sobre os mercados internacionais, com a alta do petróleo, o avanço dos juros dos títulos americanos e preocupações sobre a trajetória da inflação global.

Disputa eleitoral sustenta Ibovespa e derruba dólar

Em entrevista ao Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC, Felipe Corleta, sócio da Brasil Wealth, afirmou que as expectativas em torno do resultado das eleições presidenciais foram determinantes para o comportamento dos ativos brasileiros nesta sexta-feira.

Segundo o analista, o mercado chegou à última sessão antes do segundo turno com expectativas favoráveis à candidatura de Flávio Bolsonaro, embora as pesquisas indicassem uma disputa apertada contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Corleta destacou que o comportamento dos investidores foi diferente daquele observado na véspera do primeiro turno, quando a bolsa registrou uma valorização mais intensa. Ainda assim, o avanço do Ibovespa e a queda do dólar indicaram uma melhora do apetite por risco no mercado doméstico.

Na avaliação do analista, parte dos investidores associa uma eventual mudança de governo à possibilidade de alterações na política econômica, incluindo uma postura diferente em relação aos gastos públicos e à trajetória dos juros.

O cenário eleitoral também manteve elevada a volatilidade dos ativos brasileiros, especialmente no mercado de opções, diante das incertezas sobre o resultado da votação.

Corleta ressaltou que o desempenho dos mercados após o segundo turno dependerá não apenas do resultado eleitoral, mas também das sinalizações sobre a condução da política econômica e os nomes que poderão integrar a equipe responsável pela área.

Petrobras e estatais acompanham expectativas políticas

Entre os movimentos do mercado acionário brasileiro, as empresas estatais também ganharam atenção dos investidores, especialmente Petrobras e Banco do Brasil.

As ações preferenciais da Petrobras (PETR4) fecharam em alta de 1,42%, cotadas a R$ 58,65, enquanto as ordinárias (PETR3) avançaram 0,79%, a R$ 65,24. Os papéis foram beneficiados pelo avanço dos preços do petróleo e pelas expectativas relacionadas ao cenário político brasileiro.

Segundo Corleta, a valorização das ações da Petrobras refletiu uma combinação entre a alta do petróleo no mercado internacional e as expectativas políticas domésticas.

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O analista explicou que a companhia costuma apresentar uma correlação importante com os preços da commodity, mas que, neste momento, seu desempenho também tem sido influenciado pelas perspectivas para a condução das empresas estatais após a eleição.

Na avaliação de Corleta, propostas relacionadas à gestão dessas companhias, à eventual venda de ativos e à participação do setor privado em determinadas atividades ajudam a explicar o interesse dos investidores.

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O analista também mencionou a possibilidade de mudanças na política de preços dos combustíveis após o segundo turno, diante da alta do petróleo no exterior, como outro fator que poderá influenciar o comportamento das ações da Petrobras.

Dólar cai apesar de fortalecimento da moeda no exterior

Enquanto o real ganhou força frente ao dólar, a moeda americana avançou em relação às principais divisas internacionais.

O índice DXY, que mede o desempenho do dólar diante de uma cesta de seis moedas fortes, subia 0,19%, aos 101,804 pontos.

O euro recuava 0,21%, a US$ 1,1193, enquanto a libra perdia 0,18%, cotada a US$ 1,3371.

No mercado futuro brasileiro, o contrato de dólar para novembro caía 1,23% às 17h09, cotado a R$ 4,9995.

O fortalecimento do dólar no exterior acompanhou o avanço dos rendimentos dos títulos do Tesouro americano, os Treasuries, diante das preocupações com a disparada do petróleo e seus possíveis efeitos sobre a inflação.

Esse cenário aumentou as dúvidas sobre os próximos passos do Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos, que poderá precisar manter uma política monetária mais restritiva caso as pressões inflacionárias persistam.

Cenário externo segue como risco após as eleições

Além das incertezas políticas brasileiras, investidores acompanharam um ambiente internacional marcado pela valorização do petróleo, pela pressão sobre os juros americanos e pelas preocupações com o crédito e os investimentos em inteligência artificial.

Corleta destacou que o mercado brasileiro não está isolado desses fatores, embora a disputa eleitoral tenha concentrado as atenções dos investidores nas últimas semanas.

Segundo o analista, após a definição do próximo presidente e a acomodação das expectativas sobre a política econômica, fatores externos deverão voltar a exercer maior influência sobre o comportamento da bolsa, do dólar e dos juros brasileiros.

Corleta também apontou que a trajetória da Selic poderá ser afetada pelas decisões econômicas do próximo governo, enquanto o ambiente internacional continuará exigindo atenção diante dos juros elevados e da pressão inflacionária provocada pelo petróleo.

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