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Incertezas sobre Fed e comunicação do BC pressionam Ibovespa na semana
Publicado 19/06/2026 • 22:58 | Atualizado há 1 hora
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Publicado 19/06/2026 • 22:58 | Atualizado há 1 hora
KEY POINTS
O Ibovespa encerrou a semana em queda de 1,64%, mesmo após registrar leve alta de 0,03% na sexta-feira (19). Na avaliação do economista-chefe da EQI Asset, Stefano Kouts, a combinação de incertezas sobre os rumos da política monetária nos Estados Unidos e dúvidas geradas pela comunicação recente do Banco Central brasileiro aumentou a aversão ao risco e pressionou os ativos locais.
Segundo Kouts, a decisão do Federal Reserve (Fed) trouxe mais volatilidade aos mercados ao reforçar a incerteza sobre os próximos passos da política monetária americana. “Se você não sabe o que vai acontecer com o juro americano nos próximos três a seis meses, tende a se proteger e não tomar mais risco”, afirmou. Como a bolsa brasileira é considerada um ativo de risco pelos investidores globais, o cenário acabou reduzindo o apetite por mercados emergentes.
No Brasil, o economista avalia que a comunicação do Banco Central após a última decisão de juros também contribuiu para a cautela. “A percepção é que o Banco Central fez uma comunicação um pouco confusa, não deu muito o cenário para frente”, disse. Segundo ele, a reação do mercado incluiu pressão sobre o câmbio e aumento da incerteza em relação aos ativos domésticos.
Apesar do desempenho negativo na semana, Kouts considera que a bolsa brasileira voltou a apresentar valuations mais atrativos após corrigir parte da valorização acumulada nos últimos meses. “A bolsa brasileira tinha subido acima do nível das bolsas de outros emergentes e agora fechou essa diferença”, afirmou.
Na visão da EQI Asset, o principal risco para os ativos brasileiros não está no cenário político doméstico, mas em uma eventual alta de juros nos Estados Unidos. “Se realmente se confirmar uma alta de juros nos Estados Unidos, é um risco para a nossa bolsa”, disse. Ainda assim, esse não é o cenário-base da gestora, que trabalha com manutenção das taxas americanas até o fim do ano.
O comportamento do petróleo também permaneceu no radar dos investidores. Com o avanço das negociações entre Estados Unidos e Irã e a redução das tensões no Oriente Médio, a commodity recuou dos níveis observados durante o auge do conflito. O movimento afetou diretamente as ações da Petrobras, que possuem peso relevante na composição do Ibovespa.
Para Kouts, entretanto, outros setores podem se beneficiar de um ambiente externo mais estável. “Os bancos brasileiros deveriam performar muito bem”, afirmou. Ele também citou potencial de recuperação para empresas ligadas ao comércio global, como a Vale, além das small caps, que seguem negociadas com desconto em relação às grandes companhias da bolsa.
As atenções agora se voltam para a divulgação da ata do Copom, que pode ajudar a esclarecer as dúvidas deixadas pela comunicação recente do Banco Central. Segundo o economista, o mercado ainda tenta entender se houve apenas uma mudança pontual na estratégia da autoridade monetária ou uma alteração mais profunda em seu arcabouço de atuação.
“A ata pode trazer um pouco dessa perspectiva. Se não tivermos mais informações e detalhamentos, o mercado vai continuar sem saber muito bem se realmente houve uma mudança”, afirmou.
Sobre os Estados Unidos, Kouts avaliou que o mercado interpretou de forma excessivamente dura os sinais emitidos pelo novo presidente do Fed, Kevin Warsh. Para ele, a prioridade da autoridade monetária americana está menos relacionada a novos aumentos de juros e mais a mudanças estruturais na atuação do banco central.
Siga o Times Brasil no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo.
Seguir no Google“Eu não espero que o Banco Central americano suba juros. Espero que ele fique muito mais focado nessas discussões estruturais”, disse. Na avaliação do economista, esse cenário reduz o risco de aperto monetário adicional e pode favorecer os mercados emergentes nos próximos meses.
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