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Crise do Ueno Bank deve aumentar custo para investir no Paraguai, diz consultor da API Capital Leandro Benincá

Publicado 05/11/2026 • 21:00 | Atualizado há 14 minutos

KEY POINTS

  • Consultor da API Capital afirma que renúncia de Santiago Peña reduz parte da incerteza política, mas não encerra crise de confiança no sistema financeiro.
  • Benincá diz que investidores passaram a exigir mais retorno para manter exposição ao Paraguai após colapso do Ueno Bank.
  • Restabelecimento da confiança dependerá do pagamento aos depositantes e da resposta das autoridades regulatórias, segundo o especialista.

A crise provocada pelo colapso do Ueno Bank já aumentou o risco percebido pelos investidores e tornou mais caro manter exposição ao Paraguai. É o que avaliou Leandro Benincá, consultor de investimentos da API Capital, em entrevista ao Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC.

Segundo ele, a renúncia do presidente Santiago Peña reduz uma parcela da incerteza política, mas não resolve o principal problema para os mercados: a necessidade de recuperar a confiança no sistema financeiro e na atuação dos órgãos reguladores.

“O que a gente já viu nos últimos dias é que o mercado começou a aumentar o preço do ingresso para continuar acreditando no país”, afirmou.

Benincá disse que a crise também coloca atenção sobre a capacidade do Paraguai de preservar a credibilidade conquistada nos últimos anos como destino de investimentos.

O país recebeu seu primeiro grau de investimento da Moody’s em 2024. A turbulência atual já atingiu os títulos soberanos paraguaios e abalou a confiança dos investidores.

Renúncia resolve política, mas não crise financeira

Para Benincá, a saída de Peña não encerra os problemas relacionados ao Ueno Bank.

“A saída do Peña agora, que renunciou, só resolve a parte política. Mas a panela do financeiro ainda está fervendo ali no fogo. Precisa ser resolvida”, afirmou.

O Banco Central do Paraguai colocou o Ueno em processo de resolução após identificar que o índice de solvência da instituição havia caído para menos da metade do mínimo exigido. O banco tinha cerca de 3 milhões de clientes e administrava aproximadamente US$ 850 milhões em recursos públicos, segundo informações divulgadas pelas autoridades e pela imprensa internacional.

Benincá afirmou que o próximo passo decisivo será garantir o acesso dos clientes aos recursos depositados na instituição.

“Os aposentados precisam receber, a confiança no Banco Central paraguaio precisa ser restabelecida”, disse.

O Banco Central do Paraguai informou nesta quinta-feira (5) que começou o pagamento das garantias ao primeiro grupo de depositantes. A legislação estabelece prazo inicial de até 15 dias após o início da resolução, prorrogável por mais 15 dias.

Caso expõe fragilidade regulatória

Na avaliação do consultor, a crise não deve ser interpretada apenas como um problema isolado de uma instituição.

“Talvez até [seja] um problema institucional”, afirmou.

Benincá destacou especialmente as relações entre antigos executivos do Ueno, autoridades públicas e o grupo empresarial que controlava a instituição.

O ex-presidente do Banco Central paraguaio Carlos Carvallo, que deixou o cargo nesta semana, havia comandado o Ueno antes de assumir a autoridade monetária. Peña, por sua vez, foi acionista do Grupo Vázquez, antigo controlador do banco, até março de 2025.

Para Benincá, o episódio revela a necessidade de ampliar mecanismos capazes de evitar conflitos entre interesses privados e funções regulatórias.

“São regulações, são amarras que outros países já têm e o Paraguai parece que agora está aprendendo que ele também precisa ter”, afirmou.

Segundo ele, crises financeiras frequentemente levam reguladores a criar novas barreiras e mecanismos de fiscalização.

“A cada novo problema, a gente aprende com o problema que aconteceu”, disse.

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Risco do país aumentou

Benincá afirmou que a percepção de risco dos investidores em relação ao Paraguai subiu significativamente desde o início da crise.

“O risco do país disparou”, afirmou.

Segundo ele, esse movimento mostra que os mercados passaram a exigir remuneração maior diante das dúvidas sobre a capacidade institucional do país de responder ao episódio.

“Demonstra que o país precisa se preparar melhor”, disse.

A crise já pressionou os títulos soberanos paraguaios e levantou dúvidas sobre a reputação do país como destino estável para investimentos.

Concentração de recursos públicos preocupa

Outro ponto levantado pelo consultor é a concentração de recursos públicos em uma única instituição privada.

“O dinheiro público estar em um banco só é complicado, sim. Principalmente um banco privado”, afirmou.

Segundo Benincá, a questão central agora é entender se os mecanismos de controle existentes eram insuficientes ou se foram ignorados.

“O problema são essas travas, esses pesos de verificação que parece que ou não existiam ou foram ignorados no Paraguai”, disse.

O Ueno administrava recursos públicos relevantes, incluindo valores relacionados ao sistema de previdência e saúde estatal. Autoridades paraguaias abriram investigações para apurar a atuação do banco e de agentes públicos envolvidos na supervisão e na aplicação desses recursos.

Benincá não vê contágio bancário neste momento

Apesar da gravidade da crise, o consultor afirmou não enxergar, até agora, sinais de que o problema tenha contaminado todo o sistema financeiro paraguaio.

“Até onde eu sei, ainda não tem esse risco de contágio”, afirmou.

Para ele, a identificação rápida do Ueno como centro da crise pode ajudar a limitar seus efeitos sobre outras instituições.

“Me parece que a gente vai por essa direção, de responsabilizar quem eram os entes em si e não o sistema bancário como um todo”, disse.

O Banco Central paraguaio também tem sustentado que o episódio está concentrado no Ueno, enquanto outras instituições continuam operando normalmente e absorvendo clientes que deixam o banco.

Na avaliação de Benincá, porém, recuperar a confiança dos investidores dependerá da capacidade das autoridades de ressarcir depositantes, esclarecer as responsabilidades e demonstrar que a supervisão financeira será reforçada.

“A estrutura bancária do país ainda está aprendendo”, afirmou.

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