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Como a mulher mais rica da Rússia construiu seu império e por que ele está em risco
Publicado 16/08/2026 • 06:00 | Atualizado há 2 horas
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Publicado 16/08/2026 • 06:00 | Atualizado há 2 horas
KEY POINTS
Foto: The Moscow Times
Como a mulher mais rica da Rússia construiu seu império e por que ele está em risco
A empresária Tatyana Kim, de 50 anos, cofundadora da Wildberries e considerada a mulher mais rica da Rússia, enfrenta uma das maiores crises desde a criação da companhia.
Desde meados de julho, instalações da plataforma de comércio eletrônico vêm sendo atingidas por ataques de drones ucranianos em diferentes regiões do país.
O impacto ameaça a operação da empresa, que se tornou uma das principais forças do varejo russo e hoje movimenta uma parcela relevante do consumo nacional.
A ofensiva contra os centros de distribuição acontece em um momento delicado para Kim. Depois de construir a Wildberries praticamente do zero, enfrentar uma disputa empresarial com o ex-marido e ampliar sua influência no mercado russo, ela agora precisa proteger uma rede logística espalhada pelo país enquanto tenta conter perdas de mercadorias, afastamento de vendedores e riscos à segurança dos funcionários.
Segundo a Forbes, Tatyana Kim tinha uma fortuna estimada em US$ 8,1 bilhões em 2026, o equivalente a cerca de R$ 43 bilhões, considerando uma cotação atual.
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Ela aparece como a mulher mais rica da Rússia, com a maior parte de seu patrimônio ligada à Wildberries. A fortuna cresceu cerca de 76% em um ano, passando de aproximadamente US$ 4,6 bilhões para US$ 8,1 bilhões.
A história de Kim começou longe do mercado financeiro e das grandes corporações. Antes de se tornar empresária, ela trabalhava como professora de inglês.
Em 2004, ao lado do então marido, Vladislav Bakalchuk, criou a Wildberries. A ideia inicial era simples. A empresa vendia roupas de catálogos europeus pela internet em um período em que o comércio eletrônico ainda tinha espaço reduzido na Rússia.
O negócio cresceu junto com a popularização das compras online. A Wildberries passou de uma operação voltada principalmente para roupas a uma plataforma que reúne uma enorme variedade de produtos.
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Com o avanço da empresa, Kim deixou de ser apenas uma empreendedora do comércio eletrônico e passou a ocupar uma posição central entre os grandes empresários russos.
A expansão da companhia transformou a Wildberries em uma das principais plataformas de compras do país. A empresa chegou a quase 95 mil pontos de retirada espalhados pela Rússia. Mais da metade da população russa fazia compras pela plataforma pelo menos uma vez por mês, segundo os dados apresentados no levantamento.
A importância da Wildberries aumentou depois do início da guerra na Ucrânia. Com a saída de diversas empresas ocidentais da Rússia, plataformas nacionais ganharam espaço e passaram a atender uma parcela maior da demanda dos consumidores.
A companhia também criou uma extensa estrutura logística para receber, armazenar e distribuir produtos de milhares de vendedores. Esse sistema se tornou um dos principais ativos de Kim. Ao mesmo tempo, passou a ser um ponto de vulnerabilidade diante dos ataques recentes.
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A trajetória de Kim também foi marcada por uma disputa empresarial que envolveu seu ex-marido. Em 2024, a empresária conduziu uma fusão da Wildberries com uma empresa russa de publicidade exterior. O acordo foi associado a interesses próximos ao Kremlin e acabou provocando uma ruptura com Bakalchuk.
A disputa saiu do ambiente corporativo e chegou a um episódio de violência. Bakalchuk apareceu no escritório da Wildberries em Moscou, acompanhado por homens armados. O confronto terminou com duas pessoas mortas e outras sete feridas.
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O casal, que teve sete filhos, concluiu o divórcio no ano seguinte. Kim saiu da disputa com o controle do negócio e manteve sua posição no comando da Wildberries. O episódio, porém, mostrou o grau de tensão que cercava a empresa.
A nova ameaça à companhia tem uma dimensão completamente diferente. Desde meados de julho, instalações da Wildberries passaram a ser atingidas por drones ucranianos. Pelo menos 23 unidades da empresa foram atacadas, segundo as informações apresentadas.
Os incêndios destruíram estoques e afetaram a capacidade de armazenamento. Nove funcionários da Wildberries morreram nos ataques.
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Siga o Times | CNBCA dimensão das perdas também preocupa os vendedores que dependem da plataforma. Estimativas citadas pela Data Insight apontam que a empresa pode ter perdido até um terço de seu espaço de armazenamento, além de mercadorias avaliadas em até US$ 5,9 bilhões (aproximadamente R$ 31,3 bilhões).
O problema não está restrito ao patrimônio da própria Wildberries. Milhares de pequenos e médios comerciantes mantêm seus produtos nos centros de distribuição da plataforma. Quando um depósito é destruído, o prejuízo chega também a esses empresários.
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A Ucrânia considera a Wildberries um alvo legítimo porque produtos comercializados pela plataforma podem chegar a soldados russos.
A empresa proíbe oficialmente a venda de armas e equipamentos militares. Mesmo assim, produtos com possível utilização no campo de batalha aparecem entre os anúncios publicados por vendedores.
Uma análise citada no material encontrou drones de visão em primeira pessoa e cabos de fibra óptica disponíveis na plataforma. Também havia anúncios de equipamentos que poderiam ser utilizados em operações militares.
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A existência desses produtos tornou a Wildberries parte de uma disputa que ultrapassa o comércio eletrônico. Kim nega que a empresa seja uma organização militar e condena os ataques. Para ela, a plataforma funciona como um grande mercado de produtos de consumo e não deveria ser tratada como um alvo militar.
A força da Wildberries sempre esteve na capacidade de movimentar mercadorias rapidamente por uma extensa rede logística. Essa mesma estrutura, porém, concentra grandes quantidades de produtos em centros de distribuição. Quando esses locais são atingidos, o impacto é imediato.
A empresa tenta reduzir o risco transferindo parte da operação para diferentes pontos e reorganizando sua infraestrutura. Kim também afirmou que a companhia trabalha com governos regionais e vendedores para enfrentar a crise.
O governo russo estuda medidas de apoio aos comerciantes afetados, incluindo benefícios fiscais e períodos de carência. A Wildberries também realizou pagamentos voluntários para mais de 80 mil pequenos e médios vendedores e criou uma modalidade limitada de seguro contra ataques de drones.
A crise abre uma oportunidade para a Ozon, segunda maior plataforma de comércio eletrônico da Rússia. A empresa possui uma estrutura logística considerada mais descentralizada e, até o momento, não sofreu a mesma sequência de ataques direcionados contra instalações da Wildberries.
Com os centros de distribuição da concorrente sendo destruídos, alguns vendedores já avaliam alternativas para manter seus negócios funcionando.
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A mudança pode representar um problema adicional para Kim. Reconstruir depósitos é uma questão financeira e logística. Recuperar vendedores e consumidores depois de uma perda de confiança pode ser ainda mais difícil.
Apesar da sequência de ataques, a Wildberries ainda possui uma estrutura tecnológica e logística capaz de manter grande parte de sua operação funcionando.
O tamanho da empresa também dificulta uma queda imediata. São milhares de vendedores, milhões de consumidores e uma rede de distribuição construída ao longo de mais de duas décadas.
O desafio de Kim agora é impedir que a destruição física dos armazéns se transforme em uma crise permanente para o negócio. A empresária que começou vendendo roupas pela internet e transformou uma pequena operação familiar em um dos maiores marketplaces da Rússia precisa reorganizar a companhia em meio a uma guerra.
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Sua fortuna foi construída com base na expansão do comércio eletrônico na Rússia. Agora, a continuidade desse império depende da capacidade de manter a logística funcionando, proteger funcionários e vendedores e impedir que os ataques acelerem a migração para concorrentes.
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