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Acordo entre EUA e Irã deve liberar Ormuz e deixar questão nuclear para depois

Publicado 14/06/2026 • 09:10 | Atualizado há 2 horas

KEY POINTS

  • Negociações se arrastam desde abril, com sucessivos anúncios de avanços diplomáticos seguidos por novos impasses e trocas de acusações entre Washington e autoridades iranianas.
  • A reabertura do Estreito de Ormuz e o futuro do programa nuclear iraniano sempre estiveram entre os principais pontos da negociação, com divergências sobre o destino do urânio enriquecido e as condições para alívio de sanções.
  • O apoio do Irã ao Hezbollah e a outros grupos aliados no Oriente Médio continua sendo um dos maiores obstáculos para uma paz definitiva, enquanto confrontos seguem ativos em diferentes frentes da região.

Petroleiros retratados no Estreito de Ormuz — uma hidrovia estrategicamente importante que separa o Irã, Omã e os Emirados Árabes Unidos.

As negociações para encerrar a guerra entre Estados Unidos e Irã voltaram a animar os mercados já na sexta-feira, (12), quando o presidente Donald Trump afirmou que o acordo poderia ser selado no fim de semana. O anúncio amenizou os temores inflacionários devido ao choque do petróleo, ao passo que a cotação do barril da commodity despencou por sessões sequenciais conforme os sinais de pacificação ficaram mais claros. O sentimento de apetite por risco favoreceu os mercados emergentes, o que levou à queda do dólar e a uma alta moderada da bolsa de valores.

No sábado (13), o republicano publicou em suas redes sociais que um acordo para encerrar a guerra será assinado no domingo, com a abertura imediata do Estreito de Ormuz em seguida. “O acordo deverá ser assinado amanhã e, imediatamente após a assinatura, o Estreito de Ormuz estará ABERTO A TODOS”, escreveu o presidente. Horas depois, ele republicou uma mensagem do primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, que atua como mediador entre os dois países, afirmando que a assinatura do pacto poderia ocorrer dentro de 24 horas.

O cenário permanece cercado de incertezas. Desde o início da guerra, em 28 de fevereiro, o conflito provocou impactos econômicos globais, elevou as tensões no Oriente Médio e reacendeu debates sobre o programa nuclear iraniano e a influência regional de Teerã.

Não é a primeira tentativa

As tratativas para interromper os combates se arrastam há meses. Prevista para durar algumas semanas, a guerra dos americanos contra o regime dos aiatolás sofreu vários reveses, com ambas as partes recusando-se a aceitar as exigências impostas pelo outro lado.

Em 20 de abril, Trump declarou que um acordo seria alcançado “relativamente rapidamente”. Nas semanas seguintes, integrantes da administração americana reforçaram a avaliação de que as negociações caminhavam para um desfecho positivo.

O otimismo, porém, foi seguido por novos impasses. Em 27 de maio, após relatos de que as partes estavam próximas de um entendimento, o próprio presidente americano afirmou não estar “satisfeito” com os termos discutidos.

Nos bastidores, mediadores do Catar e do Paquistão passaram a atuar para aproximar Washington e Teerã. Uma delegação catariana esteve na capital iraniana nesta semana. Segundo fontes envolvidas nas conversas, algumas das divergências restantes teriam sido reduzidas durante essas reuniões.

Na última quinta-feira (11) Trump voltou a afirmar que um “grande acordo” estava próximo e anunciou o cancelamento de ataques planejados contra o Irã. Mesmo assim, o governo iraniano respondeu dizendo que as informações sobre um pacto concluído eram “apenas especulação”.

Sinais trocados

A aproximação diplomática tem sido marcada por mensagens contraditórias.

Na sexta-feira (12), o chanceler iraniano Seyed Abbas Araghchi afirmou que um acordo com os Estados Unidos “nunca esteve tão próximo”. A declaração foi republicada por Trump nas redes sociais.

Pouco depois, surgiram relatos na imprensa iraniana sobre os supostos termos da negociação. A reação da Casa Branca foi imediata. Trump afirmou que as informações divulgadas “não têm nada a ver com os termos que foram acordados” e que “não guardam qualquer relação com a verdade”.

O presidente americano também acusou Teerã de vazar informações das conversas e declarou que “não existe negociação de boa-fé” quando se trata de negociar com os iranianos, classificando os representantes do país como “pessoas muito desonrosas para se negociar”.

Do lado iraniano, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Esmail Baghaei, reconheceu avanços, mas reiterou que ainda não há uma decisão definitiva sobre a assinatura.

A disputa em torno do Estreito de Ormuz

Entre os temas centrais da negociação está a reabertura do Estreito de Ormuz. A passagem marítima é considerada uma das mais estratégicas do planeta para o transporte de petróleo e gás natural. Desde o início da guerra, o Irã restringiu a circulação de embarcações na região e implantou um sistema de cobrança de taxas para navios que utilizassem a rota.

Os Estados Unidos defendem o restabelecimento integral do tráfego marítimo. Trump afirmou que o Estreito de Ormuz será reaberto “assim que tivermos isso assinado”.

A interrupção da navegação provocou impactos em cadeias globais de abastecimento e pressionou preços de combustíveis, alimentos, fertilizantes e outras commodities.

Mesmo durante as negociações, os confrontos continuaram. Na sexta, o Comando Central dos Estados Unidos informou ter interceptado drones iranianos que supostamente tinham como alvo embarcações comerciais na região.

O programa nuclear no centro do impasse

A questão nuclear permanece como o principal foco das divergências. Trump afirmou que os dois países chegaram a um entendimento segundo o qual “o Irã nunca terá uma arma nuclear”. Segundo ele, esse sempre foi o objetivo central das negociações.

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Autoridades americanas afirmam que o acordo prevê a destruição ou remoção do urânio altamente enriquecido atualmente armazenado pelo Irã. O plano incluiria ainda o desmantelamento do programa nuclear iraniano.

Teerã rejeita as acusações de que busca desenvolver armamentos atômicos e insiste que suas atividades têm finalidade exclusivamente civil, voltadas para geração de energia e pesquisa científica.

Segundo Araghchi, os detalhes técnicos relacionados ao programa nuclear deverão ser discutidos nos 60 dias posteriores à assinatura de um acordo inicial. O prazo ainda poderá ser prorrogado pelas partes.

Nos últimos dias, propostas divergentes sobre o tema vieram a público. Enquanto veículos iranianos divulgaram exigências apresentadas por Teerã, autoridades americanas reforçaram que qualquer benefício econômico dependerá do cumprimento integral dos compromissos assumidos pelo governo iraniano.

Hezbollah e aliados regionais seguem como obstáculo

Outro ponto sensível envolve a atuação de grupos aliados do Irã no Oriente Médio. Segundo autoridades americanas, Washington exige que Teerã interrompa o financiamento de organizações classificadas pelos EUA como grupos terroristas. A ordem faz referência direta ao Hezbollah, instalado no Líbano, e a outras forças alinhadas ao governo iraniano na região – como o Hamas, que controla a Faixa de Gaza, os Houthis no Iêmen e as milícias jihadistas do Iraque.

O Irã, por sua vez, defende que qualquer acordo mais amplo inclua também um cessar-fogo no Líbano, onde continuam os confrontos com Israel.

As divergências permanecem abertas. Na sexta-feira, o ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, afirmou que o país poderá continuar agindo de forma independente contra ameaças ligadas ao Irã e que não pretende retirar tropas de áreas ocupadas no Líbano, na Síria, em Gaza e no norte da Cisjordânia.

Enquanto diplomatas tentam concluir o acordo, os combates continuam em diferentes frentes da região. Os episódios mais recentes levaram a ONU, além de países como Paquistão, Rússia, China, Turquia, Índia e Arábia Saudita, a defender uma redução imediata da escalada militar

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