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Ex-economista do Fed vê disputa interna sobre juros e diz que Warsh deve insistir em aperto monetário

Publicado 29/07/2026 • 18:17 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • Benjamin Mandel afirma que divergências no comitê ficaram mais evidentes após a decisão de manter os juros.
  • Segundo o ex-economista do Fed, a alta do petróleo voltou a pressionar a inflação e fortalece a defesa por uma política monetária mais restritiva.
  • Para ele, o novo presidente do Federal Reserve também promove uma mudança profunda na forma de comunicação com o mercado.

A divisão entre os integrantes do Federal Reserve (Fed) ficou mais evidente na decisão de manter os juros nos Estados Unidos, diz Benjamin Mandel, Head de Research da Jubarte Capital e ex-economista da instituição. Em entrevista nesta quarta-feira (29) ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, ele afirmou que o placar da votação revelou a dificuldade de construção de consenso dentro do comitê e acredita que o presidente do Fed, Kevin Warsh, continuará defendendo uma alta dos juros nas próximas reuniões.

Embora a manutenção da taxa já fosse amplamente esperada pelo mercado, Mandel avalia que o principal destaque da reunião foi justamente a divergência interna. “Foi uma reunião bem difícil para montar um consenso no comitê. Três integrantes votaram contra a manutenção dos juros, o que mostra que existe uma divisão relevante sobre o rumo da política monetária”, afirmou.

Segundo o economista, os dados divulgados entre as reuniões de junho e julho ajudaram a alimentar esse cenário. Ele destacou que tanto os indicadores de inflação quanto os do mercado de trabalho vieram mais fracos do que o esperado, reforçando a posição do grupo que considera o atual nível dos juros suficiente para controlar a inflação.

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Petróleo reacende preocupação com a inflação

Por outro lado, Mandel observou que a recente alta dos preços do petróleo voltou a representar um risco para a inflação americana. Na avaliação dele, esse novo choque de oferta dificulta o retorno dos índices à meta perseguida pelo Fed.

“O aumento do petróleo cria mais um choque de oferta e contribui para manter a inflação acima da meta. Esse é um ponto que incomoda bastante parte do comitê, que demonstra menos paciência com esses desvios”, explicou.

Na visão do ex-economista do Fed, Kevin Warsh pretende reforçar a credibilidade de sua gestão mostrando maior firmeza no combate à inflação. “Ele deve continuar pressionando por um ajuste para cima na taxa de juros. Desta vez não conseguiu formar maioria, mas acredito que continuará tentando nas próximas reuniões”, disse.

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Nova estratégia de comunicação

Ao comparar a atual gestão com a de Jerome Powell, Mandel afirmou que uma das maiores mudanças está na comunicação do banco central com o mercado.

Segundo ele, Warsh abandonou a estratégia de oferecer indicações antecipadas sobre os próximos passos da política monetária, prática conhecida como forward guidance.

“Ele não acredita em fornecer orientações prévias ao mercado. É uma mudança muito grande em relação aos últimos 15 anos. A ideia é deixar que o próprio mercado forme suas expectativas, sem depender da sinalização do Fed”, afirmou.

Mandel ponderou, porém, que a redução dessa comunicação aumenta a importância da chamada “função de reação” do comitê, ou seja, da forma como a autoridade monetária responderá às mudanças nos indicadores econômicos.

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Modelo ainda está em construção

Para o economista, ainda é cedo para entender exatamente como o Fed comandado por Warsh reagirá diante de diferentes cenários econômicos.

“A regra de atuação do Warsh ainda está em construção. Com Powell, o mercado já conhecia muito bem como o comitê reagia, especialmente dando maior peso ao mercado de trabalho. Agora, ainda será preciso acompanhar as próximas reuniões para entender qual será o padrão de atuação dessa nova gestão”, concluiu.

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