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EXCLUSIVO CNBC: Warsh diz que Fed não vai flexibilizar meta de inflação e vai reduzir sinalizações ao mercado

Publicado 29/07/2026 • 17:53 | Atualizado há 48 minutos

KEY POINTS

  • Presidente do Fed afirmou que a meta de inflação de 2% não será tratada como um objetivo flexível.
  • Warsh defendeu menos projeções e comentários antecipados para que os mercados reajam aos dados econômicos.
  • Investimentos em equipamentos e softwares ligados à inteligência artificial avançam perto de 20%, segundo o dirigente.

O presidente do Federal Reserve (Fed), Kevin Warsh, afirmou nesta quarta-feira (29) que o banco central americano não aceitará uma inflação persistente acima de 2% e pretende reduzir as sinalizações sobre os próximos passos da política monetária.

“Não existe uma meta de inflação flexível, nem uma meta implícita flexível. Há apenas uma meta, e ela é de 2%”, disse Warsh em coletiva de imprensa transmitida pela CNBC após a reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês). “Este Fed não vai vacilar.”

A declaração ocorreu depois de o Fed manter a taxa de juros entre 3,5% e 3,75% ao ano, em decisão aprovada por nove votos a três. Beth Hammack, Neel Kashkari e Lorie Logan defenderam uma elevação de 0,25 ponto percentual.

Warsh afirmou que mais de cinco anos de inflação acima da meta deixaram entre consumidores, empresas e investidores a percepção equivocada de que o Fed poderia tolerar um objetivo superior a 2%.

Segundo ele, esse período não será revertido em poucas semanas nem por apenas um mês de desaceleração dos preços.

Fed quer reduzir indicações sobre próximos passos

Warsh evitou indicar qual deverá ser a próxima decisão sobre os juros e defendeu a redução do chamado forward guidance, prática na qual o banco central antecipa ao mercado possíveis movimentos da política monetária.

Segundo o presidente do Fed, a autoridade monetária quer observar a reação dos mercados aos dados econômicos de forma mais direta, sem que os preços dos ativos dependam excessivamente de declarações dos integrantes do comitê.

“Os participantes do mercado estão aprendendo a jogar a bola, não o árbitro”, afirmou. “O banco central não precisa estar sempre e em todos os lugares no centro das atenções.”

Warsh disse que a redução das sinalizações pode ter contribuído para a alta dos rendimentos nominais e reais dos títulos do Tesouro americano desde a reunião anterior. Alguns desses movimentos ficaram entre os mais fortes registrados entre encontros do Fomc nas últimas duas décadas, segundo ele.

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O dirigente ressaltou, porém, que o Fed continuará acompanhando as condições financeiras e não hesitará em agir quando considerar necessário.

Economia mostra resiliência

Warsh classificou como “impressionante” a resiliência da economia americana. Segundo o Fed, a atividade econômica cresce em ritmo sólido, os investimentos empresariais permanecem fortes e a taxa de desemprego apresentou pouca variação.

A inflação, no entanto, continua acima da meta de 2%, pressionada parcialmente por choques de oferta em setores como o de energia.

O presidente do Fed também destacou a expansão dos investimentos empresariais, especialmente nos setores ligados à inteligência artificial.

Os aportes em equipamentos e softwares de alta tecnologia relacionados à IA registraram crescimento próximo de 20% em quatro trimestres, de acordo com os dados apresentados por Warsh. O movimento ajuda a sustentar a produção industrial e pode ampliar a capacidade de crescimento da economia.

IA também pressiona preços

Apesar dos efeitos positivos sobre a atividade, Warsh afirmou que o avanço da inteligência artificial cria novos desafios para a política monetária.

A demanda por infraestrutura tecnológica tem elevado os preços de chips de memória, processadores e outros equipamentos. O Fed ainda avalia se essas altas estão concentradas em determinados produtos ou se podem gerar uma pressão inflacionária mais ampla.

O Fomc também discutiu os efeitos das tarifas comerciais, dos conflitos militares, dos problemas nas cadeias de suprimento e das interrupções na oferta de energia.

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