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Fed dividido mantém taxa de juros estável, mas três membros votaram a favor do aumento

Publicado 29/07/2026 • 15:19 | Atualizado há 40 minutos

KEY POINTS

  • O Federal Reserve manteve os juros entre 3,5% e 3,75%, com uma votação de 9 a 3, mas três dirigentes defenderam uma alta de 0,25 ponto percentual.
  • A divisão dentro do Fed aumenta a pressão sobre o presidente Kevin Warsh, enquanto autoridades seguem preocupadas com a inflação acima da meta de 2% há mais de cinco anos.
  • O banco central destacou que a economia dos EUA continua crescendo em ritmo sólido, mas manteve cautela diante das incertezas causadas pelo conflito no Oriente Médio e pelos custos de energia.

Divulgação

O Federal Reserve decidiu nesta quarta-feira manter sua principal taxa de juros inalterada, mas a decisão teve oposição de três dirigentes que demonstraram preocupação com a inflação e defenderam uma alta nos juros.

Apesar do aumento do apoio entre alguns membros do comitê para elevar a taxa, o Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) votou por 9 a 3 para manter a taxa dos fundos federais no intervalo entre 3,5% e 3,75%.

Todos os votos contrários vieram de presidentes de bancos regionais do Fed: Beth Hammack, de Cleveland; Neel Kashkari, de Minneapolis; e Lorie Logan, de Dallas. Os três haviam sido os mais enfáticos ao defender juros mais altos para combater uma inflação que permanece acima da meta de 2% do Fed há mais de cinco anos.

O comunicado divulgado após a reunião destacou que os três dissidentes “preferiam elevar o intervalo da meta da taxa dos fundos federais em 0,25 ponto percentual nesta reunião”.

Os votos contrários representaram um primeiro desafio ao presidente do Fed, Kevin Warsh, cuja decisão de evitar indicar claramente os próximos passos da política monetária aumentou o nível de incerteza antes do encontro.

O mercado, em grande parte, já esperava que o banco central mantivesse os juros estáveis, embora houvesse uma possibilidade de cerca de 1 em 3 de uma alta inesperada, segundo a ferramenta FedWatch, da CME Group. Mercados de previsão apontavam uma expectativa ainda maior de manutenção das taxas.

Warsh defende que o Fed deve gastar menos tempo sinalizando ao mercado quais serão suas próximas ações e se concentrar mais nas condições que poderiam levar a mudanças na política monetária. No entanto, o comunicado desta quarta-feira não apresentou uma indicação clara nem sobre o caminho futuro dos juros, mesmo com investidores esperando uma possível alta em setembro.

O comunicado pós-reunião foi praticamente igual ao divulgado após a decisão de 17 de junho e manteve a postura adotada pelo Fed ao longo do ano, após três cortes de juros realizados no fim de 2025.

Os dirigentes voltaram a afirmar que “a atividade econômica está se expandindo em ritmo sólido, apesar da elevada incerteza causada, em parte, pelo conflito no Oriente Médio”. O documento também destacou que a criação de empregos “tem acompanhado o crescimento da força de trabalho” e que a taxa de desemprego sofreu pouca alteração, mesmo com a redução da população economicamente ativa dos EUA.

Assim como em junho, o comunicado terminou com a frase: “O Comitê entregará estabilidade de preços.”

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Os defensores de uma política monetária mais restritiva argumentam que a inflação continua pressionando as famílias e não apresenta sinais claros de desaceleração. As recentes pressões sobre os preços foram impulsionadas tanto pelas tarifas impostas pelo presidente Donald Trump quanto pelo aumento dos custos de energia relacionado ao conflito com o Irã.

Na reunião de junho, o comitê completo havia projetado uma alta de 0,25 ponto percentual nos juros até o fim de 2026.

O diretor Christopher Waller também demonstrou preocupação recente com a inflação, afirmando que juros mais altos podem ser necessários caso não haja avanços suficientes. Mesmo assim, ele votou pela manutenção das taxas nesta reunião.

Warsh, por sua vez, classificou a inflação como uma “escolha” e reforçou diversas vezes a importância de controlar os preços durante audiências no Congresso americano.

Do ponto de vista da comunicação, Warsh criticou a prática anterior do Fed de oferecer orientações antecipadas sobre suas expectativas para os juros.

Seguindo a linha adotada em sua primeira reunião, o comunicado desta quarta-feira foi mais curto do que os documentos divulgados anteriormente. Warsh tem defendido mudanças na forma como o Fed se comunica e criou uma força-tarefa específica para tratar do tema.

Nas semanas anteriores à reunião, os membros do FOMC apresentaram visões diferentes sobre o caminho da política monetária.

O presidente do Fed de Nova York, John Williams, afirmou que considera a política atual adequada para levar a inflação de volta à meta. Já Lorie Logan argumentou que seriam necessários juros “moderadamente” mais altos. Beth Hammack também manteve uma postura mais dura contra a inflação, destacando a pressão enfrentada pelas famílias diante do aumento persistente dos preços.

No início desta semana, o presidente Donald Trump declarou apoio a Kevin Warsh, chamando-o de “fantástico” e afirmando que outros dirigentes do Fed tinham “más intenções” e poderiam estar agindo por motivos políticos.

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